terça-feira, 30 de abril de 2013

Corrida de Alma(da) – Meia Maratona de Almada

Uma prova estreante no calendário das corridas.

E muita curiosidade para saber que tipo de itinerário iria encontrar.
Desta vez sozinho, iniciei a viagem até Almada por cacilheiro. E soube bem! Deu para matar saudades!

Fazia algum frio (e sobretudo vento), quando desembarquei em Cacilhas. Tudo estava calmo, mas já se via alguns atletas a fazer o seu aquecimento para a corrida.

Chegado ao início da prova, logo ali perto das instalações da Lisnave (Margueira), tive a oportunidade de dar “dois dedos de conversa” com alguns “colegas de asfalto”. A vontade de correr era enorme!

Tiro de partida, e alguma confusão devido a afunilamento do pelotão. Alias, este foi o único momento em que senti alguma dificuldade em ter “o meu espaço”. Daqui a adiante seria sempre “espaço aos molhos”!

Breve passagem pelo Laranjeiro, e entrada na base do Alfeite. Com as fragatas “adormecidas” no mar, fizemos, literalmente, a volta ao quarteirão. Daqui apanhámos uma pequena subida, voltámos ao Laranjeiro e seguimos caminho para o Parque da Paz.

Tive pena não ter passado pela zona arborizada do parque. É um espaço espectacular para um passeio em família. Muito verde e muito relaxado.

Mas esta corrida apresentava-se muito pouco relaxada. Saída do parque e primeira grande subida para o Fórum Almada. Tinha ficado com a ideia que a prova apresentava poucos trajectos inclinados, mas depressa enganei-me.

De facto, depois da saída do parque de estacionamento do Fórum Almada, a corrida adoptou, como pista, o trajecto do metro de superfície da cidade. E até à Faculdade de Ciências e Tecnologias do Monte da Caparica, foi sempre num “sobe e desce”.

A passagem pela dita faculdade foi penosa, o desgaste já ia aparecendo, apesar de já ter passado por duas zonas de abastecimentos e de o calor não estar assim tão forte. Não estava o calor, mas estava vento e com a viragem de direcção na corrida, descobri que o vento, até aquela altura, esteve sempre a favor. Agora iria estar contra.

Pelo canto do olho, vi que um colega de equipa vinha no meu encalce. Tinha-o passado aquando da passagem do Alfeite. Terei abrandado entretanto? Não esperei pela resposta. Aproveitei a subida que surgia no horizonte para dar um “boost” na corrida. Em direcção ao centro de Almada.

A subida para o centro foi difícil (lá está, mais uma subida não esperada!). Entretanto, uma dupla de lebres cor-de-rosa, teimava em “morder-me os calcanhares”. Não podia distrair-me porque elas, de quando em quando, iam-me espreitando pelo ombro.
 

Sabendo que teria uma descida acentuada até à final da prova, assumi ultimo esforço, no que faltava da subida. Lá em cima em Almada, a dupla rosa ficou para trás. Meti o “piloto automático” e lá fui calçada abaixo (penoso para os pés, não sabia que tinham trocado, no centro, a estrada pelos carris do metro de superfície.

E quando chego lá abaixo. Surpresa! Dou de caras com o atleta que marcava o andamento para 1h45 de prova! Ora ora, não me fiz rogado! Lá fui eu para o final contente por ter chegado com 1h43! Conseguirei chegar á 1h40 na Meia Maratona? Dia 12 falamos!

E lá voltei á boleia de cacilheiro, comendo umas passas.
 

Uma prova a valer a pena voltar.  

Em Abril foi assim...

Mês sem provas e que marcou o regresso ao BTT!!!
Ritmo muito bom com 15 treinos em 30 dias...

 

 Venha de lá Maio!


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"A beleza do desporto (compilação de momentos em câmara lenta)"


domingo, 28 de abril de 2013

20000 visualizações


Hoje o nosso blog atingiu as 20000 visualizações!
Tudo começou por uma brincadeira entre Amigos, quando nos desafiámos a participar em provas e a relatar as aventuras. A experiência tem sido muito interessante!
Vejo este blog como um espaço de partilha de experiências e perspectivas tendo como ponto de partida a salutar actividade desportiva.
Tem sido um grande prazer partilhar este espaço com o Ricardo, com o Rui, com o Pedro, com o Zé e com todos aqueles que visitam este espaço.

Um obrigado a todos!
Abraço



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Reset

Neste momento é o que vou fazer. Reset. Não aguento mais o que tenho feito até aqui, e a última noite, quase em branco, deu-me tempo para reflectir sobre a minha relação com o desporto. Olha, endoideceu... deve ser o que estão a pensar, mas garanto que não.

Esperei umas horas para saber se iria escrever este post, ou seja, quis esperar para não tomar nenhuma decisão a quente. Mas agora, mais a frio, sei que tenho mesmo que fazer isto...

Passo a explicar: há +/- quatro anos atrás a minha vida era completamente diferente. Não tinha filhos e tinha uns 10 quilos a mais do que tenho agora. A minha vida profissional não me permitia a prática desportiva, que eu sempre adorei, e estava prestes a saber o impacto que uma coisinha pequenina de quase 3 Kgs tem na vida de uma pessoa. Um desses impactos, no meu caso, foi a perda desde então de hoooooooras de sono. Posso dizer seguramente que há 4 anos que durmo pessimamente. Os meus 2 pirralhos encarregam-se disso.

Se a privação do sono tem normalmente consequências previsíveis, como falhas de concentração, fadiga, irritabilidade, you name it.... been there, done that..., quando se volta a ter a hipótese de recomeçar a fazer desporto, repito: coisa que adoro fazer, e se junta este "ingrediente" então as consequências não são tão previsíveis assim.

Se a primeira suposição é "se já andas cansado, então vais ficar pior", posso dizer que está errada. Desde que recomecei a ir ao ginásio, correr, jogar futebol e jogar squash, perdi 10 kgs e voltei a sentir aquele "cansaço bom" depois de um treino/jogo. Voltei a recuperar, pelo menos parte, da minha antiga forma física. Voltei a usufruir de algo que me dá imenso prazer. Enfim, foram muitos mais os pontos positivos do que os negativos. Exemplo disso foi esta última prova em que participei - o III Trial de Sesimbra. Só mesmo alguém que goste muito de fazer desporto é que se levanta antes das 7h da manhã para ir correr para o mato durante 3 horas...

A senhora cá de casa está constantemente a dizer: "não sei como é que tu consegues...". Poder-se-ia dizer que "quem corre por gosto não cansa", mas obviamente que isso é treta... Aliás, ela é também uma das razões para a decisão que tomei esta noite: não me sinto bem a continuar a pedir-lhe que fique a tomar conta de 2 putos, depois de uma noite mal dormida, enquanto aqui o je vai fazer a sua corridinha. Até já cheguei a sentir algum remorso numa ou outra corrida...

Ora, quem me conhece sabe que não sou de desistir de nada a que me proponho, e sabe que quase nunca o cansaço de uma/muitas/demasiadas noites mal dormidas me impediu de ir treinar, ou até ir às provas/torneios em que me inscrevi. Só em casos pontuais e de cansaço extremo é que o fiz. Assim de repente, recordo que na noite anterior à minha estreia em meias-maratonas (setembro de 2012) dormi menos de 4 horas, cortesia de um (não me lembro qual) sacaninha lindo que insistiu em manter-me acordado. Ainda assim, fui correr. Arranjei uma tendinite, mas pronto... fui e diverti-me na mesma. O que nos leva ao ponto seguinte: as lesões.

Ao longo da minha vida desportiva, nunca fui muito propenso a lesões. O facto de, desde setembro de 2012 com a minha primeira tendinite, estar constantemente com queixas musculares (resultantes da minha teimosia em ir treinar) faz-me pensar agora que a acumulação de fadiga física e a falta de descanso estão a desempenhar um papel importante no que está a acontecer.

Apesar de me dar gozo apenas o simples facto de praticar desporto, e não sendo uma pessoa nada competitiva, ainda assim gosto de obter resultados. Ora, aliando a minha situação atual com a frustação que sinto na falta de evolução na corrida, no squash e no ginásio, a moral fica um bocado em baixo. Confesso que durante estes anos que passaram, tentei sempre "obrigar-me" a aproveitar as boas condições de treino de que agora disponho e foi sempre sem sacrifício nenhum que o fiz. Mas chegou a um ponto em que não aguento mais. Estou completamente de rastos. Pode até nem parecer de vez em quando, mas finalmente o cansaço acumulado venceu. Se nem num período de férias (como o destes dias) eu consigo recuperar...

Assim sendo, preciso de um... reset!

Até aqui tinha todos os dias da semana planeados. Sabia que ia correr 2x ou 3x, que ia ao ginásio 2x e um dia seria para o squash ou para o futebol. O(s) dia(s) restante(s) seria(m) para descanso. O planeamento era uma forma que tinha para me "obrigar" a cumprir o calendário. Agora sei que não posso continuar a fazer o mesmo. Tenho que ser mais inteligente nos meus treinos e na gestão do meu esforço.

Por tudo o que escrevi, decidi o seguinte (até conseguir voltar a descansar convenientemente):
- Vou às provas de corrida em que já me inscrevi (Corrida da Mãe e BES -Sintra). Já me inscrevi, logo vou cumprir;
- Vou acabar o torneio de squash em que estou a participar. Já que estou inscrito, vou até ao fim;
- Não me vou comprometer com mais nenhuma corrida até cumprir o objectivo que defini para 2013: a maratona de Lisboa. Isto, obviamente fazendo fé de que as coisas irão melhorar e tenha condições para me preparar adequadamente...;
- Não me vou comprometer com mais nenhum treino específico. Se dormir bem, vou com certeza treinar. Se não dormir bem, não me vou voltar a sobrecarregar fisicamente desta forma;

Tenho dito.

PS: Desculpem o longo desabafo, mas tinha que escrever isto... :)


 

sábado, 27 de abril de 2013

Corrida da Liberdade 2013

Mais um ano, mais uma corrida da liberdade.

O ano passado tinha sido uma boa surpresa. Mesmo com chuva á mistura.

Esta ano confirmou-se a boa imagem da prova.

Uma das (poucas) provas gratuitas do calendário, a Corrida da Liberdade tem um “traçado” super rápido, saindo de um quartel militar na pontinha (um dos locais de saída dos militares aquando da revolução de Abril), com passagem junto ao Estádio da Alvalade, Campo Grande, Av da Republica, Saldanha, Rotunda do Marquês, Av da Liberdade e final na Praça dos Restauradores.

Este ano, tive a companhia do Eduardo R. (um bocado ensonado).

O calor fazia-se sentir e a zona de abastecimento, aos 5 Km, parecia demasiado longe.

O inicio foi antecipado por um convívio com o restante pessoal da equipa, tudo malta bem disposta.

Os 5 km foram feitos aos 27 minutos, nada de mais, tendo em conta que tínhamos combinado uma corrida relaxada. E assim foi.


Com a passagem pelo Saldanha (e depois do sobe e desce dos túneis que anteciparam a dita rotunda), iniciámos uma vertiginosa descida rumo á (Av da) Liberdade. Sempre achei que esta via do centro da cidade deveria fechar aos Domingos e feriados. É um excelente local de passeio.

O único ponto negativo foi a chegada já que a organização, ainda não conseguiu perceber que, o “afunilamento” dos atletas para a entrega da t-shirt (como alguém da organização dominou como) para dormir, é um erro, já que se forma tal fila, que muitos optam por sair a meio, tal o tempo de espera. Foi o nosso caso!

De qualquer forma, foi uma manhã bem passada. Uma boa manhã de treino!

25 DE ABRIL, SEMPRE!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

III Trail Sesimbra - Reportagem JRR TV!

Cá está o tão aguardado (??!!) vídeo da participação de 3 dos membros deste blog no III Trail de Sesimbra.

São 18 minutos, não muito para quem participou poder recordar, mas talvez longo para quem não participou. No entanto, é uma oportunidade de poderem ver por onde andámos. Espero que gostem:



terça-feira, 23 de abril de 2013

Clássica Cascais – Lisboa: 20 Km à Beira Mar

Corrida de luxo no passado dia 21!

Uma prova que juntava uma extensão de 20 Km, entre o Casino do Estoril e o Mosteiro dos Jerónimos. Havia opção pela competição de distância completa ou em alternativa a estafetas de 4 elementos (5 Km cada).

Um sol esplendoroso deu a partida para o início da prova. Sem confusões, sem empurrões. O itinerário tinha duas faixas, que permitia um espaço apreciável.

Corri com a companhia da malta do Clube de Corrida. Boa disposição garantida!

Os locais de abastecimento eram em bom número e repartidos de forma “competente”. Apesar do calor havia água de 5 em 5 Km.

As passagens de testemunho, na opção estafetas, pelo que me deu a entender, estavam bem organizadas, não permitindo assim confusões entre os vários corredores.

O que dizer da vista!!??
Se não tivesse a fazer algo que gosto muito (correr, correr, correr), diria que teria sido perseguido por uma inveja medonha! As praias estavam cheias de pessoas e o mar parecia-me muito apetecível.

No entanto, a malta estava animada. A corrida era de itinerário rápido. Nem a subida para o Farol da Gibalta nos tirava o fôlego.
 

O final foi calmo e seguro.
A habitual garrafa de água no final, não faltou e (mais um luxo) a relva nos Jerónimos estava óptima para os exercícios de alongamentos.
 

Fantástico dia e fantástica prova!
É uma prova a não perder.
A meu ver acaba por ser uma “corrida do tejo”, mas com menos confusão e mais extensa.

A repetir para o ano!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

III Trail de Sesimbra - Agora falo eu...

Agora que já descansei, eis a minha versão do thriller que se desenrolou no passado fim de semana: "Die Hard 6: A Subida do Inferno", ou se preferirem algo mais íntimo: "O Último Trail em Sesimbra"!
Twilight Zone!

Já toda a gente sabe que o tempo estava bom, que a organização foi boa, enfim... tudo o que o Joel, o Pedro e outros bloggers escreveram por essa blogosfera fora. Por isso, vou ignorar essa parte e escrever apenas sobre a minha prova, que marcou a minha estreia nos trilhos. Obviamente que, sendo a minha primeira vez, estava algo inseguro e por isso optei pela distância mínima: 20 Kms!


O início foi algo estranho. Não estava à espera de começar o meu primeiro trail a subir e a descer o passeio e a passar por entre carros. Foi a primeira prova em que participei tendo que me preocupar com... trânsito?! Mas adiante...

Depois de deixar o asfalto, seguiu-se a primeira subida:
 Isto mais parecia uma caminhada...

Tirei esta foto na esperança de conseguir retratar a primeira dificuldade com que me deparei. Ainda não tinham passado 3 Kms e eu já me via obrigado a andar... fraquinho o menino... :)

No final desta subida, lá estava o primeiro posto de reabastecimento. Como corri pela primeira vez com a "mochila da água" como eu lhe chamo (camelbak, acho eu), tinha água para dar e vender e por isso não precisei de nada. 50 metros depois, começava realmente o trail de Sesimbra. Correr num espaço bastante estreito, acidentado e com inclinação algo acentuada, e ainda com a vegetação a arranhar os braços, é algo a que achei uma certa piada. Senti-me como um gajo qualquer de um filme de terror, a fugir de um bando de canibais que vinham em perseguição a alta velocidade... Foi fixe! :)

Esse troço foi feito a descer, e a determinada altura foi dar aqui:
 Eis a foto que toda a gente tirou!

No final da descida apareceu um riacho e logo a seguir, mesmo quando aquilo me estava a começar a entusiasmar... TOMA LÁ DISTO!!! Trepa em quatro patas e é se queres chegar ao fim vivo!!

Não fui à tropa, mas de certeza que a recruta tem cenas destas para testar os mancebos...

Esta foi, sem a menor dúvida, a parte mais difícil da prova. Pela inclinação. Pelos diferentes tipos de terreno (na mesma subida). Pela duração da subida. Enfim... foi duro mesmo:
 R@i0s p#&$@m €s%@  <CENSORED>!!!!

Seguiu-se um troço algo irregular, mas que permitia FINALMENTE correr. Mas ainda assim, as paragens eram obrigatórias para tirar mais umas fotos. De facto, a paisagem foi o que de melhor retive da prova. Não estava a competir, nem sequer a ligar nada ao tempo com que ia fazer os 20 Kms. Quis apreciar tanto as dificuldades de um trail como o que o contacto com a natureza tem de melhor:
O Joel a apreciar a paisagem!

Antes de chegar ao 10º Km, apareceu o segundo ponto de reabastecimento: água, bebida isotónica, frutos secos... Tudo o que é preciso para repôr as energias e descansar um bocado. Quando lá chegámos, eu e o Joel, reencontrámos o Tiago e vimos o atleta que liderava a prova dos 50 Kms. Apareceu quando eu já ia para a minha segunda ronda de frutos secos e tinha a mulher dele a incentivá-lo e a tirar fotos enquanto recuperava o fôlego. "Não tens ninguém atrás de ti!" dizia ela. Até parecia o pessoal do paddock da F1 a controlar a corrida. Só faltou dizer-lhe para tirar o pé do acelerador...

Mais à frente, também apreciei o que o Homem consegue fazer da natureza:
 O Joel a apreciar a pedreira, ou Marte como disse o Tiago!

Após passar a Pedreira, seguiu-se mais um caminho bonito de percorrer, e com mais oportunidades de tirar boas fotos:
 Quê? Ainda tenho que andar até ali???? Fixe!!!

Por esta altura, estava completamente restabelecido de vitamina M (de mosquito), e já tinha ingerido o gel que levei comigo para me voltar a pôr na ordem.
Também por esta altura já o Joel tinha torcido o pé 2x e o ritmo era menor. Obviamente que não o ia deixar para trás (não é Pedro? LOL), até porque eu também me sentia cansado...

Veio mais um reabastecimento, mais uma descida (com direito a momentânea saída do percurso) e nova subida até ao Castelo.

Após a passagem por aquelas tostas belíssimas no último reabastecimento da prova, sabíamos que seria sempre a descer até Sesimbra, pelo que acelerámos um pouco o passo e lá fomos nós, atrás de umas meninas (não foi Joel?), durante a última parte de trilhos pela natureza. Fomos dar aqui:
Aqui parecia que o circo tinha chegado à cidade!

Mais um episódio único nas minhas corridas: fazer uma parte do percurso agarrado a uma rede...

Pouco depois era o regresso à civilização e ao slalom entre famílias, carros e atletas. Senti-me como uma pessoa que esteve perdida na selva e que conseguiu regressar à civilização. Quando estava já habituado a desviar-me de pedras e ramos de árvore, eis que comecei a desviar-me de pessoas, animais e veículos motorizados... Que grande contraste!

Passadas 3 horas e 10 minutos do início da prova:
Reportagem JRR TV
 Técnico de Som: Joel 
Repórter de imagem: Ricardo
Equipamento fornecido por: Rui

E pronto, depois de horas de sofrimento, tive que levar com isto:
Ca granda cansêra, hein?! Talvez sêja melhor vir ôtra bujeca...

Este caramelo estava à 40 minutos à nossa espera... e com a consciência a pesar-lhe...
Nada que uma bujeca não cure! EHEHEH

Resumindo: Foi uma boa prova, bem organizada e diferente do que eu estava habituado. Mas deu para perceber que trail não é para mim. Quis experimentar, e fui de mente aberta sem saber se ia ficar completamente viciado nesta vertente da corrida, ou se ia ser uma desilusão. Nem uma coisa nem outra. Provavelmente irei fazer uma prova destas por ano, apenas porque gosto do contacto com a natureza, mas mais do que isso não me parece. Não é a "minha praia"... Mas foi uma experiência fixe!

Olhando para a frente, e não tendo mais nenhuma novidade programada, resta dedicar-me exclusivamente ao meu objetivo.

Boas corridas para todos!

PS: A reportagem da JRR TV será publicada dentro de alguns dias. Agora que vou entrar de férias vou ter finalmente algum tempo livre para editar o vídeo...

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Uma aventura em Sesimbra! Trail de Sesimbra 2013!


7 da matina e estava a sair de casa para me encontrar com o pessoal do Team e irmos para o Trail de Sesimbra, para participar na prova de 20 kms. Eu, o Ricardo e o Pedro alinhámos neste desafio. Desta vez o Rui resolveu não participar e aproveitou para ir pedalar por outros caminhos.
Havia muita curiosidade para esta prova. Era o nosso primeiro Trail e pouco sabíamos do que íamos encontrar e sobretudo pouco sabíamos acerca das reais dificuldades. Vi um vídeo da prova do ano anterior que dava para ter uma ideia das dificuldades mas que também reforçou a curiosidade para a prova.
Mas nada como participar para ter a experiência! E agora digo que só fazendo a prova é que se percebe a dureza da mesma. Mas ao mesmo tempo o cenário tem uma beleza extraordinária!
Chegámos a Sesimbra e à nossa espera estava um tempo espectacular. Ainda se sentia um friozinho matinal mas adivinhava-se um dia de céu limpo e sol a brilhar.

Para esta prova os meus objectivos eram simplesmente passar pela experiência de participar num trail, disfrutar do cenário e ultrapassar as dificuldades do percurso. Não havia um objectivo definido para o tempo, tendo estimado que deveria fazer a prova em mais ou menos 3 horas.
Na partida o ambiente era bem agradável, descontraído, a música estava presente e havia por lá um instrutor de fitness a orientar um aquecimento e a saltar “feito maluco”!
Às 9h lá partimos nós para a grande aventura! A partida realizou-se junto à praia da califórnia (num dos extremos da vila de Sesimbra). Desta vez não havia “maranhal” de gente, embora ainda houvesse muitos aventureiros dispostos a percorrerem os trilhos, vales e montes que iriam aparecer! É de recordar que duas horas antes tinham partido aqueles que se atreveram a percorrer 50 kms de Trail.
Depois de aproximadamente 2 kms a correr na estrada marginal em plena vila, a seguir ao porto de abrigo, entrámos em piso de terra batida e a acompanhar uma subida para “aquecer os motores”. Foi 1 km a correr com alguma caminhada pelo meio. Nesta fase o Pedro apressou-se, imprimiu outra velocidade e ganhou alguma distância.
Pouco depois chegou o primeiro abastecimento. Um golito de água e seguimos viagem.
A seguir entrámos nos trilhos, quer dizer entrámos literalmente no mato, com arbustos de um lado e outro. Andámos em terreno mais ou mais plano uns metros mas depois é que a coisa se complicou. Além de andarmos em trilhos estreitos o terreno era a descer e com bastantes pedras. Coisa para se fazer devagarinho. Avistámos uma bela praia no vale(até deu vontade de ir até lá e dar um mergulho no mar) e em frente avistámos o que se iria seguir, uma subida do mais ingreme que se possa imaginar, uma autêntica parede e com muitos metros. No final da descida encontrámos um bonito riacho que ia em direcção à praia (belo local) e dirigirmo-nos para o trilho onde se iniciou a subida.
Subimos, subimos, resvalamos, continuamos a subir…subimos mais um bocado…
Ufa…Quando isto termina?!... Vamos lá, já faltou mais…Um passo de cada vez… Respira fundo… Já sinto a pulsação na cabeça… Só quero chegar lá acima…
Estes foram alguns dos pensamentos e sensações que surgiram durante o mais difícil segmento de prova que alguma vez realizei! Superar este obstáculo foi uma vitória! Além da inclinação ser bastante acentuada, o piso não era “pera doce”! Cheguei bem cansado ao topo do monte! De qualquer modo, senti uma bela sensação ao superar o obstáculo J
Depois de ultrapassada a “montanha “ e de ter recuperado algum folego seguimos caminho. Os quilómetros seguintes foram realizados a correr e a caminhar, pois o terreno era naturalmente irregular, em que era importante estarmos com muita atenção. Pelo meio ingeri umas barritas de cereais, para dar alguma energia extra. Além disso, os colegas do Team arranjaram-um um gel maravilha que ingeri por volta do 8ºkm.
Nesta fase queria que aparecesse um reabastecimento que nunca mais chegava (já tinha passado muito tempo desde o último reabastecimento)… até que pouco depois do km 9 lá apareceu o toldo, confesso que até corri para lá chegar J. Lá bebi bebida energética, comi uns amendoins e umas passas e tivemos oportunidade de assistir à passagem do 1ºclassificado do trial dos 50kms (o homem já tinha 39 kms nas pernas e aparentava estar bastante fresco! Como era possível?). Enquanto que o homem deve ter demorado 30 segundos no abastecimento, nós ficamos por lá 2 ou 3 minutos a confraternizar. Só lá faltava uns couratos e umas minis!!!
Nesta altura já estávamos em direcção a Sesimbra embora faltasse um pouco mais de 10 kms, mas havia a sensação que quase metade já estava feito J
Perto do km 12 entrámos numa mega pedreira. A serra naquela parte está toda esventrada, um impacto ambiental brutal!
Passando à frente, depois de sairmos da pedreira chegava outro reabastecimento e mais uns golos de bebida energetica. Estávamos por volta do km 13,5, já não faltava tudo J
Estavamos a caminho do Castelo de Sesimbra. O percurso apresentou-se matreiro pois era irregular e coloquei o pé esquerdo mal em duas ocasiões que me fizeram abrandar um pouco o ritmo e ir mais nas calmas. De qualquer modo, não me magoei e isso foi o mais importante. Pelo meio tivemos o único engano de percurso que foi ligeiro e rapidamente voltámos ao caminho certo.
Depois de uma parte mais a descer tivemos a subida para o castelo. Subida ingreme mas como o piso era em estrada de alcatrão fez-se relativamente bem.
No castelo havia o último reabastecimento e esperava-nos umas belas tostinhas com um doce que era uma maravilha.
Depois foi a descida para Sesimbra, em que era essencial estar com bastante atenção. Percurso em plena mata onde imediatamente antes de chegar à vila passámos por um local estreito em que tivemos de nos agarrar a uma rede de metal para ser mais seguro.
Na minha perspectiva, a atenção é o factor mais importante numa prova de trial.
Chegados à vila de Sesimbra junto ao posto da GNR, faltava aproximadamente 1 km para a meta e tínhamos que percorrer novamente parte da marginal desde o Hotel do Mar até ao ponto de partida junto à praia da Califórnia. Lá seguimos nós, em clima de volta de honra, pela marginal junto ao muro da praia, passando pela fortaleza, com o sentimento de missão cumprida. A meta era já ali e com algumas palavras de incentivo de outros atletas chegámos à meta após 3h10m de prova.
Foi uma grande aventura! Foi bom ter a companhia durante a prova do amigo Ricardo! Foi bom ter participado na prova com o amigo Pedro!
Prova bem organizada, o caminho a seguir estava bem sinalizado (deve ter dado uma grande trabalheira sinalizar o caminho todo com fitas!) e os reabastecimentos estavam bem servidos. A única correcção que faria na logística seria colocar o 2º reabastecimento dos 20 kms um pouco mais cedo (pois demora-se muito tempo a percorrer entre o km3 e o km9). Aproveito para dizer que o pessoal que idealizou a prova são “uns gandas malucos”! O percurso é muito duro! Mas a beleza é extraordinária J
Um dos meus objectivos desportivos para este ano foi alcançado com a participação no Trail.
Fiquei muito satisfeito com a experiência!
Destaque ainda para o facto de a seguir à prova termos realizado um belo convívio familiar entre Amigos. Viva a amizade J!
 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Cobardia em Boston

Enquanto não tratarmos todas as pessoas como elementos de uma sociedade, heterogena na sua diversificação, estaremos sempre a criar indivíduos sem conceitos humanitários e de cidadania, “franjas” de uma população, irracional devido à sua condição sub-humana, intolerantes devido à sua impossibilidade de expressão, cobardes devido à sua pobreza de espirito.

O que aconteceu em Boston (o que acontece em vários pontos do mundo, em (demasiados) lares da nossa sociedade), é nossa culpa.

Enquanto pusermos o crescimento à frente do desenvolvimento, estaremos a criar entidades humanas (chamados racionais), sem hipótese de viver (de existir como parte integrante de uma sociedade mundial).

Atos de cobardia como este, deixam-nos incrédulos e vingativos, mas punir quem efetuou (e/ou quem planeou), não resolve, no futuro, o que temos no presente. Teremos que ser inteligentes no combate à raiz do problema, sob pena de termos de viver numa sociedade onde “se mata ou se morre”.

Deixemo-nos de ser indivíduos, sejamos cidadãos!

Walk on Rock – Trail de Sesimbra 2013

Um dos objectivos para este ano era a participação num trail, de forma a perceber como seria este tipo de prova.

A prova do Ultra Trail de Sesimbra, seria uma boa oportunidade para avaliar este tipo de competição.

Em parceria com o Ricardo e o Joel, decidimos escolher a distancia de 20 km. Assim, jogávamos pelo seguro, e não “embarcávamos” em distancias demasiado longas.


Em pleno centro de Sesimbra, às 9H em ponto, iniciámos a corrida. Com uma mochila, de trail emprestada, nas costas, levava para além da minha garrafa de isotónica, uma barra energética e uma quantidade “simpática” de passas. Também levava a garrafa de agua do Joel, no pressuposto de irmos juntos. Nada mais errado!

À saída de Sesimbra, primeira grande subida, primeiro grande obstáculo, os primeiros calhaus. Da gravilha passou-se para as pedras mais irregulares.

Contra o combinado, deixei o meu grupo de companheiros e por causa disso, privei o Joel da sua garrafa de agua. E em toda a corrida, para além do peso da mala nas costas, levei o peso na consciência por tal situação.

Depois da grande subida, uma vista espetacular para a costa recortada, um vislumbre fantástico para a baía/praia do Forte do Cavalo (penso que seja o nome correto).
 

Segui o caminho de pedra. E mais pedra. E mais……

Aqui já ia com o meu stock liquido no fim. Não percebi a opção de ter um posto de abastecimento aos 3.5 Km e outro aos 9.5 Km. Acho que fazia mais sentido ter esses dois abastecimentos aos 5 Km e aos 10 Km. Portanto foi com grande secura, que cheguei ao abastecimento dos 9.5 Km. Resisti à Coca-cola fresca e escolhi Isótonica, um gomo de laranja e um quarto de banana. A sede era tanta, que aquele ponto parecia (e era de facto) um “oásis no deserto”.

Até esta altura, tinha usufruído um pouco de terreno com relva, o que tinha dado para descansar as plantas dos pés dos vários calhaus aguçados espalhados no chão,
 

Novos caminhos se seguiram e muitos, muitos mais calhaus.

Um novo abastecimento sem copos e de repente uma pedreira. Uma espécie de ambiente “Mad Max” acompanhou-me nos quilómetros seguintes. Nesta altura já tinha bebido a garrafa de agua do Joel (mais peso na consciência), e optava pela estratégia “Correr a descer – Subir a ingerir”. Nos caminhos planos tentava ganhar o tempo perdido.

Engraçado este tipo de prova, a teoria dos “grupos informais” surge com grande frequência. O meu grupo tinha uma “gazela” (que mais tarde seria mordida por um cão), uma lebre que entretanto perdeu o cantil, um peso pesado e um nortenho com uma ligeira torção no tornozelo. Não estivemos sempre juntos, mas estivemos a passar sempre uns pelos outros. Basicamente a nossa velocidade era semelhante, mas cada um tinha o seu próprio ritmo nas zonas de abastecimento, nas subidas e nas descidas.

A ultima grande subida foi feita (finalmente e felizmente) em asfalto e a entrada no castelo de Sesimbra foi feita com grande alivio. Não só porque a restante distancia seria feita a descer, mas também porque ali se localizava uma (a ultima) zona de abastecimento.

Continuei na ingestão da Isotonica, agua e para rematar umas tostas com doce que foram como “lenha seca para lareira incandescente”.

A descida foi a loucura total, tal a velocidade com que corríamos para a meta.

A “gazela” do grupo ia com uma velocidade tal que assustou um cão que por lá passeava. Em defesa, o cão mordeu-lhe a coxa. Fiz uma análise à bem dita coxa, e descrevi o quadro clínico, 2 arranhões feitos pelos caninos, mas pouco profundos. Nada que preocupasse.

Achei o final um pouco agridoce. O ultimo quilometro foi feito no passeio principal de Sesimbra. Nenhum corredor estava delineado para os atletas. Portanto era “slalom” entre as famílias que por ali passeavam ou arriscar pela estrada com carros.

A meta tinha um locutor que em “viva voz” anunciava a nossa chegada (soube bem), mas informação do tempo de chegada não era apresentada. Tive que ir perguntar o tempo de prova.

Por fim, o abastecimento na meta era bastante satisfatório.

Ainda não percebi porque é que passado mais de 48 horas não existe a classificação on-line da prova (e respectivos tempos), para já não falar da prometida foto de chegada à meta.

Conclusão

Em relação a esta prova: Acho que existem algumas coisas a melhorar pela organização.

Em relação ao tipo de prova: É engraçado, apesar de achar que as provas mais verdes (com mais arvoredo), sejam mais apelativas.

Mas continuarei a optar pelas corridas de estrada. Fica a intenção de fazer um trail por ano. Para já chega.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Corrida do Benfica 2013, by José M.



Antes de correr a minimaratona da ponte em finais de Março, tinha que decidir a minha prova para o mês de Abril e não podia haver grande espaço para dúvidas, tinha a corrida do BES, tinha uns trailzitos por escolher, mas, por fundamentalismo religioso, e longe de mim estar a julgar a falta de princípios de alguém, tinha que ser a Grande corrida do glorioso Benfica.

Todavia, assaltava-me uma dúvida, seria eu já capaz de ir aos 10km? ou o melhor era ficar pelos 5km e ganhar mais alguma experiência de estrada? Afinal estamos a falar de um tipo que, até há uns 11 meses, não corria mais do que 10 minutos numa passadeira e na altura da decisão ainda não tinha feito a prova da ponte.

Falei com amigos e todos me aconselharam os 10km porque seria uma evolução natural, por outro lado, consultei o percurso e nos 3km iniciais, vi que na avenida Lusíada ia apanhar duas rampas bem inclinadas, e uma delas quase com um km. Estou habituado a correr em terreno plano e não a fazer rampas, torci o nariz e decidi ponderadamente, contra tudo e contra todos: Vou aos 5 kms!

Quando anunciei a decisão as reacções não se fizeram esperar, quais sábios de um conselho de mestres de Jedi, variaram desde o brando “Zé, no final com a sensação de que conseguias fazer mais uns quilómetros vais ficar”, passando pelo “Bom, por este andar para o ano vais fazer o passeio avós e netos.” Até ao extremo de me chamarem de “meia légua”. Assim após um mês inteiro de tiradas jocosas e adjectivações só enunciáveis em balneários masculinos, tinha o ego foi tão esmifrado, como um dente de alho prestes a entrar na frigideira.

Dois dias antes da prova recebo o dorsal, o chip e, principalmente a camisa preta com o símbolo do glorioso ao peito, linda. Espera, isto é uma tshirt técnica dos 10km, certamente que se enganaram, pensei. Dirigi-me à secção de atletismo para devolver a dita e receber uma de algodão, tendo ficado a saber que lá em cima no Olimpo os Deuses se moveram, e reteceram o meu destino. A secção “enganou-se” na inscrição e pôs-me na prova mais longa. Aceitei a decisão Deles, o meu orgulho já não me deixava voltar atrás, vou fazer os 10 custasse o que custasse.

E custou! Custou-me logo duas noites mal dormidas a anteceder o dia da prova. Na manhã da prova poupei-me ao sol que finalmente emergiu victorioso, rasgando as trevas do Inverno, e só à última da hora me juntei aos restantes corredores. Não havia ninguém da organização a fazer a filtragem e dado que me quedei um pouco atrás, misturado entre convivas das provas dos 5 e dos 10km, parti na prova dos 5km, largos minutos depois da prova para que fui inscrito.

Mas enfim, o meu objectivo era fazer os 10km nas calmas, independentemente do tempo que levasse e portanto pensei que seria indiferente. Afinal não foi! Foi um erro crasso de iniciante de que me haveria de arrepender mais tarde.

Enfim, com uns 20 minutos de atraso na estorrica do Sol, lá se iniciou a prova com uma distinção rápida entre os que iam para a marcha e os da corrida. Como tática, decidi poupar-me no início, até à subida da Av. Lusíada, recuperar a respiração e depois lá veríamos o que o corpo dava.

Assim, o 1 Km a descer foi feito em 6 min e meio (ritmo da participação na mini da ponte), o segundo km já a subir em 6 min, o 3km incluiu o pico da subida da rampa e a recuperação.

Ao 4º Km, já mais à vontade, decido correr ao ritmo que um mestre me ensinou, e entro no parque de estacionamento do estádio, deixei de olhar para o relógio, ao longe ouve-se um clamor que vem das entranhas do estádio e que nos agita o peito como um chamamento.

A entrada no relvado do estádio da Luz é uma sensação difícil de passar para quem não teve a mesma experiencia; saindo do cimento cinzento do parque de repente, a luz cega-nos os olhos, e os gritos dos familiares dos outros corredores enchem-nos os ouvidos. Uns poucos de passos no relvado, os olhos habituam-se, e o verde e vermelho da relva e das bancadas revelam-se num anfiteatro monumental que nos envolve. Imediatamente um sorriso toma conta do meu rosto. Resolvi alargar a passada para fazer boa figura no estádio. Confesso que senti inveja dos outros concorrentes por não ter lá ninguém especial para me tirar uma foto a correr.

Saído do estádio, insuflado com uma dose de motivação extra, passo pelos tuneis do Colombo e chego ao 5ºkm, olho para o relógio e vejo 30 minutos de corrida. Ainda não parei e começa a germinar o pensamento de que a este ritmo posso ficar abaixo da hora.

Em sentido contrário, vejo o pessoal que apanhou a partida dos 10km e regressa ao estádio, e entre eles o Zé, facilmente identificável pelo lenço fantasia atado à volta da cabeça à karaté kid, um colega do secundário, que saúdo.

A rampa de Carnide é um obstáculo difícil, são praticamente dois km em ligeira subida. De início custou um pouco, depois fui-me habituando, mas árvore após árvore ia ficando com a sensação de que a rampa nunca mais acabava, na ponta final já tinha muita dificuldade mas fiz sem parar. No início da descida, largo os meus braços por forma a relaxar os ombros, respiro fundo e recupero a respiração.

7kms e 42 minutos depois da partida, cresce a sensação de que conseguirei fazer a corrida abaixo da hora. Acelero na 2ª metade descendente da rampa, entro nos tuneis paralelos ao Colombo, recebo a 3ª garrafa de água mas descubro que continuo sem saber beber e manter o controlo da respiração. Sobe-me a motivação, desde a rampa de Carnide que estou sempre a ultrapassar outros corredores.

Perco a indicação do 8º km mas ao 9º ia com 54m 12s, uma média de 6min/km, sei agora que com um esforço suplementar conseguirei ficar abaixo da hora, e atirar à cara dos mestres. O início do 9ºkm é a descer e acelero, até uma curva à esquerda. Coberta por uma esquina de um prédio, esconde-se uma subida em ziguezague que me quebra o ritmo mas não a vontade.

Finalmente chegado à reta final, acelero novamente mas o portal da meta recebe-me com três desilusões:

·         1h16m tempo oficial;
·         1h00m14s tempo no relógio, a 15seg da hora, lembram-se que parti tarde com o pessoal dos 5km;
·         e por fim não havia banana no final.

Balanço:

Grande festa, fiz os 10 kms sem parar e consegui ir trabalhar no dia seguinte, pelo que os objectivos iniciais foram atingidos na totalidade.

Porém, um amargo de boca pela má organização no inicio e fiquei com a sensação que conseguiria um resultado melhor.

Texto escrito por José M., um amigo do Team JRR e uma promessa das corridas.