quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Correr com a Greve... parte 2!

Em mais um dia de greve do metro de Lisboa, decidi repetir parte de uma experiência que já tínhamos feito em Junho (VER AQUI) por alturas de uma greve geral. Não tive oportunidade de ir para a Lisboa a correr, mas à tarde não fui em "trânsitos" e calcei mesmo os ténis para vir do Marquês e Odivelas a correr.



O percurso efectuado foi praticamente o mesmo de Junho, apenas com uma ligeira alteração à chegada. em vez de 10,9 kms, fiz apenas 9, mas tive um ritmo melhor, de 5:30, quando há uns meses tinha feito em 5:55. E podia ter feito ainda melhor. O facto de ter carregado uma mochila de quatro quilos às costas - com a minha roupa do dia - não ajudou, mas o que atrapalhou mesmo foram as inúmeras pessoas nos passeios de Lisboa. Parece que toda a gente que normalmente anda de Metro, andou a pé hoje.E assim foi um autêntico slalom entre o Marquês e o Lumiar, altura em que a coisa acalmou.
A meu lado, na estrada, iam os carros. Iam é uma forma de dizer. É mais... estavam! O trânsito era caótico e não duvido que, pelo menos até ao Campo Grande, fui mais rápido a correr do que muitas viaturas que viessem do mesmo sítio que eu.

Venham de lá mais greves...

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Treino de 10 kms em Odivelas


Quando digo treino de 10kms, quero dizer treino de aproximadamente 10kms (pode ter tido 200 ou 300 metros a mais ou a menos), pois a medida foi fazer 2 voltas ao percurso da légua de Odivelas de 2011 (que na altura não teve partida e chegada exatamente no mesmo local). Este percurso tem subidas e descidas, típicas de Odivelas, mas evita a maior subida da cidade (Av. Abreu Lopes). Basicamente, é um percurso com partida nas Colinas do Cruzeiro, passagem pela rotunda da Galp, pelo Centro Comercial Oceano, Quartel dos Bombeiros, Av. Dom Dinis, Parque Maria Lamas, Biblioteca Municipal, “nova” rotunda e novamente Colinas de Cruzeiro, perto do Multiusos.

Fiz os 10kms em 55m45s. Considero o tempo razoável face às dificuldades do percurso e da própria envolvente. Desde correr em passeios e junto aos carros, parar para atravessar a estrada ou abrandar quando algum cão passava por perto. Ainda me cruzei com um cão nervoso que resolveu ladrar a valer mas lá passei e ele lá ficou com a sua “neura”.

Efectuei a 1ªvolta em aproximadamente 28m e a 2ªvolta em aproximadamente 27m45s. Considero um facto positivo ter feito a 2ªvolta mais rápida que a 1ª, embora reconheça ter-me resguardado um pouco na 1ªparte pois um dos objectivos era assegurar que mantinha um ritmo algo constante ao longo dos 10kms.

Facto mais relevante de todos: 4ªsemana consecutiva a correr. Seja em prova ou em treino, corri pelo menos uma vez na semana J!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Corrida do Montepio - KEFI (porque corro?)


 (Sim, é verdade sou um bocado tótó das coisas gregas... eh cuidado com os boatos)

Depois de várias provas menos conseguidas...

Depois da corrida do aeroporto com a célebre rampa da Quinta das Conchas...

Depois de duas excelentes semanas de treinos, com rampas, com séries e um recorde oficioso dos 10 kms...

Depois de uma excursão matinal em grupo repleta de humor mundano até ao local da prova...

Depois de... bom, digamos que acontecesse o que acontecesse, sabia que nada me iria estragar o dia... Mesmo sabendo que seria perfeitamente possível bater o meu recorde dos 10 kms, se tal não acontecesse… Não faz mal, era preciso desfrutar.

No portal de partida reparava que havia muita gente na prova...  uma multidão enorme. Não sabia ainda das implicações de tanta gente na corrida. Após umas breves palavras da Musa nacional da corrida – Rosa Mota – dá-se o tiro de partida.

Ora com tanta gente inscrita para apenas duas faixas de rodagem em cada sentido, os dois primeiros quilómetros são passados numa grande frustração, ora em sprints loucos, ora praticamente parado com tanta gente à minha frente. E aqui fica uma critica à organização, é preciso adaptar os limites das inscrições às condições naturais do traçado. Estive por várias vezes para desistir de fazer a corrida a um ritmo elevado e iniciar em ritmo de passeio.

Ainda assim, algures por ali visualizo à distância o Ricardo, que tinha vindo com a família inteira fazer a caminhada, e cumprimento-o com uma palmada que, por virmos em sentidos opostos, foi com excesso de força e lhe ia deslocando o ombro.

Já liberto dos grilhões da multidão de passeantes, alargo a passada de forma continuada. Ao 3º km junta-se me uma espécie de sombra silenciosa, que se planta ao meu lado, não me ultrapassa, nem fica para trás, e que, na ausência de sons, faz ecoar palavras na minha cabeça a cada passada, relembrando os treinos que fiz e os ritmos que já consigo fazer. Estava lixado, tinha a coach ao meu lado, não podia abrandar.

Quilometro a quilometro o ritmo ia sempre aumentando. Perto dos 7 kms vejo o Veríssimo a passar por nós como uma seta, ou seria o Paulo Bailão? ou será que o Paulo Bailão era o Veríssimo? Ai, não sei… Bom, de qualquer forma era o primeiro da equipa CGD e gritei o nome do Veríssimo. E passados uns minutos cumprimento outro colega, o Fernando Lima.

No final novo recorde pessoal 50’40 com 26’00 na primeira metade e 24’40 na última, podia ter baixado os 50’? Podia se houvesse menos gente na partida, mas fica para a próxima. No final, ainda tive a felicidade de ter lá a mulher e o sogro a tirar umas fotos ao grupo.

(Pago um pastel de nata por cada asneira que nos apanharem a fazer nesta foto)

Era suposto ficar satisfeito com o recorde e ser esse o corolário da crónica, mas não, a satisfação veio da amizade, da entreajuda e do divertimento antes, durante e depois da corrida – sim, porque o regresso a casa, já com a MAXIM debaixo do braço (ver crónica da corrida do Aeroporto), foi outra festa… 


domingo, 27 de outubro de 2013

Airborne!

Dizem que uma imagem vale por mil palavras. Deixo-vos esta, tirada hoje na estreia da minha filha nesta coisa das corridas:


Ela fez os 3 Km da Caminhada do Montepio, mas como não podia deixar de ser, fartou-se de correr!

Para mim, esta foto espelha na perfeição tudo o que a corrida é para mim: puro divertimento.

Parabéns filhota!!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Corrida do Aeroporto – “Voar” no asfalto e no todo-terreno também


Foto: Gustavo Figueiredo | HMS SPORTS
 
Após uns dias nublados e chuvosos avistava-se uma “corrida molhada”. Sinceramente não gosto de correr com muita chuva e deixei para o dia da prova a decisão de alinhar à partida ou não. De qualquer modo, se for apenas uns “borrifos” (expressão utilizada por colegas aqui do Team) tudo bem. Mas o tempo ajudou e estava um belo dia para umas corridas! Por acaso no dia da corrida acordei mesmo com vontade de correr. Acho que mesmo com chuva iria lá estar J.

Preparei o equipamento, tomei um bom pequeno-almoço e lá fui a caminho do Terminal de Carga do Aeroporto.

Para mim o local e percurso da prova foram belas surpresas. Não conhecia aquela parte da cidade de Lisboa e não fazia ideia que a Quinta das Conchas estava tão perto do aeroporto. Além disso desconhecia completamente qual seria o percurso. Foi para mim uma agradável surpresa fazer quase 3 kms da prova em pleno parque da Quinta das Conchas (como já sabem, o meu local preferido de treinos).

Encontrei-me com o Pedro, com o Zé, com a Sofia e com o Eduardo junto à partida. O “Team JRR e Amigos” em força nesta corrida!

Depois de um ligeiro aquecimento (o Zé até estava com vontade de fazer uns “sprints à Obikwelu”, mas logo acalmou J) lá nos juntámos ao “maranhal” de gente na partida. De forma unanime dissemos à Sofia que ela devia ir lá para a frente, para poder alcançar lugares de pódio e não ter de ziguezaguear por entre multidões.

No 1ºkm foi a “confusão do costume”, com muita gente e a “falha” deste percurso, uma curva em cotovelo uns 100 metros depois da partida. Outro facto que destaco pela negativa é o facto de haver pessoas que partem na parte da frente do pelotão e vão “caminhar” em vez de correr. Não há problema nenhum em ir caminhar (também o faço às vezes), é muito saudável e é de valorizar a prática de actividade física, mas por favor não partam à frente de um imenso pelotão que vai correr pois assim torna-se complicado para toda a gente. De qualquer modo, as dificuldades foram ultrapassadas.

Ainda tentei “apanhar boleia” do Pedro, mas fui “barrado” e ele lá fugiu. De qualquer modo se não fosse aos 300 metros seria aos 1000m que ele se iria embora J. Aquele rapaz, sempre em excesso de velocidade! Já a Sofia, nem se fala, mais rápida que a própria sombra! Qual Lucky Luke qual quê!

O início da corrida foi rápido tendo passado os 2 kms em 10m10s. Ia em bom ritmo e a sentir-me bem. Encontrei o Eduardo e fizemos os 2 kms seguintes juntos. Ainda me lembro da 1ªcorrida deste jovem J. Grande evolução, Eduardo! Passei o 3km em 15m. O 3ºkm deve ter sido o km mais rápido para mim. Digo deve, pois ainda não tenho as “maquinetas” (relógios e afins) fantásticas que medem tudo e mais alguma coisa J.

Mantive mais ou menos o ritmo e passei o 4km em 20m10s. Tempo fantástico (para mim, claro) para 4kms.

Depois “quebrei” um pouco e passei os 5kms com 25m40s e os 6kms com 31m20s. Noto que me faltam treinos para conseguir manter um ritmo de 5m/km durante mais tempo.

A seguir apareceu a Quinta das Conchas, foi um ânimo extra correr ali. Depois de “dar a volta” pelo parque, o pelotão foi para a “parte de mata florestal” (parte onde não costumo treinar) e foi muito giro. Serviu também para recordar os “velhos tempos” em que participava em corta-matos escolares. Esta parte foi dura e um grande “sobe e desce”, em piso irregular. Uma aventura portanto! Pelo meio apareceram os 8kms e registava 43m. Ainda encontrei o Ricardo que estava por lá como espectador e a tirar fotos/ filmar o pessoal. Mais tarde vimos o mini-filme em que observamos o pessoal “a arfar” ao mesmo tempo que saudavam o apoiante e em que ficaram registadas “gargalhadas à Mutley” do Ricardo. Muahahahah!!! Grande Ricardo! Muahahahah!!!

À saída do Parque apareceu logo a placa dos 9kms (não me lembro do tempo) e a sensação foi “já só falta 1km”. Estava relativamente bem mas não estava com grande força para sprintar até à meta, pelo que o ritmo foi razoável. O sprint aconteceu apenas nos últimos 100metros, depois da última curva J, em pleno território do Aeroporto.

O tempo final foi de 53m42s. Boa marca pessoal (a melhor do ano), mas antes do meio da prova ainda pensei que seria possível fazer menos de 52m. Possível é, desde que mantenha a regularidade dos treinos para ter ritmo próximo de 5m/km durante 10 kms J.

Com esta corrida penso que bati o meu record de semanas consecutivas em que corri pelo menos uma vez J. E quantas são? 3! Vamos com calma, “step by step” J!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A melhor parte...

... de todo este esforço, de um gajo andar para aqui a correr, a treinar quatro ou cinco vezes por semana, a correr maratonas, etc e tal, é quando vou às análises e o colesterol total está neste valor:

152

E depois lembro-me que já o tive nos 210...

Afinal de contas tudo isto começou para isso mesmo, melhorar a saúde.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Qual escolho? HELP!!!

Garmin Forerunner 220

ou

TOM TOM Runner


Um deles vai ser o meu companheiro / treinador / suporte / etc. em 2014. 

Podem ajudar-me a escolher?


PS: São mais caros, mas ainda não pus de parte o Garmin Forerunner 620 e o Tom Tom Multisport. Mas neste momento, a minha escolha está mais virada para o 220 e o Runner...

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Corrida do Aeroporto 2013 - Voar de reencontro à paixão



Aqui estou eu de volta, depois de ter tomado a decisão irrevogável de passar uns meses sem escrever, após as minhas últimas corridas mal digeridas, a corrida do Tejo e a Meia Maratona Roque e Rolly. Enfim, amuei,  fiquei zangado com as corridas para aí durante... 36 minutos... e meio.

Bom, para esta prova, tinha como único objectivo apreciar a corrida, independentemente do tempo, da velocidade ou do trajecto. Queria desfrutar da companhia, da experiência, da sensação.

Assim, depois de apanhar boleia do Eduardo e do Pedro, lá fomos nós 2ª circular fora até ao terminal de carga do Aeroporto de Lisboa, demos facilmente com a partida e já no terminal, levantámos os dorsais junto do pessoal da CGD e surpresa das surpresas, a organização em vez de nos oferecer uma revista de corrida como é habitual, oferece-nos a MAXIM... A MAXIM!!! Marisa Cruz estás aqui (bate 2 vezes com o punho fechado no peito)

Outra surpresa boa, foi ter encontrado o Calheiros (não o árbitro) colega do Secundário que me viu fazer algumas figuras tristes tipicas da adolescencia. Temos de combinar uns treinos em Oeiras.

E de repente partida… mantive um bom ritmo até ao 4º km, sempre nos 5'e picos. O percurso pela Alta de Lisboa não era dos mais fáceis mas as avenidas amplas tornavam o trajecto agradável mas...

Primeiras rampas primeiras vitimas... é estranho ver pessoas a andar logo no inicio de uma corrida. Obrigam a travagens, a slaloms, ultrapassagens de última hora, enfim, não se prepararam?

Depois entrámos na pista Prof. Moniz Pereira, a minha primeira experiência numa pista de tartan, agradável o piso, e o ambiente. Encontrei o André e consegui-o acompanhar durante uns quilómetros. A passagem pelo parque também foi muito aprazível, o jardim... os lagos... os patinhos... ah idílico.

À saída do parque uma cena surreal, a pista estreitava para uma ciclovia e um membro da organização pedia aos corredores para irem "mais devagar"... mais devagar? MAIS DEVAGAR? NUMA CORRIDA!?!?!

Bom, à entrada na quinta das conchas, e como já tinha um pré aviso de subida difícil, resolvo abrandar o passo para controlar a respiração, dou meia volta ao parque e começo uma longa ligeira rampa, um homem rosnava à minha frente e eu sempre a correr. No final da rampa virámos à direita para um trilho mais íngreme que penetrava no bosque, o ar mudou, tornou-se húmido e com um perfume a eucalipto, um sr. rosnava à minha frente e eu sempre a correr, o trilho ia mudando de direcção, mas sempre, sempre a subir, ultrapassei uns corredores, um homem rosnava agora atrás de mim e eu sempre a correr, a subida terminou num pequeno planalto, um homem atrás de mim rosnava e eu corria mais depressa.

O trilho desaguou numa longa e libertadora descida em terra batida, resolvo alargar a passada e literalmente correr por ali abaixo. Vejo o Ricardo a tirar fotos, soltei a franga, grito o nome dele e corro de braços abertos como um maluco como se lhe fosse dar um grande abraço... afinal ele estava a filmar... que figuras...

Saio da quinta subo a pequena rampa à saída e está lá um muito recente Ironman a apoiar o pessoal da Caixa: "Vá Martins, a subida já está lá para trás", estávamos no 9º km e eu sabia que dali para a frente era sempre a descer... Pernas para que te quero, eufórico depois daquela subida fiz um longo sprint de 1 quilometro em 4 mins e 7 segundos  até à meta...

...e finalmente voltei a sentir aquela sensação híbrida de exaustão e satisfação a envolver-me do final de uma corrida. Tinha tantas saudades tuas :)

Ah é verdade, o temp,o isso agora não interessa para nada mas fiz 54'15.

No after party perdi a minha tshirt técnica em estilo de pijama e o meu prémio de consolação: A revista MAXIM!!! Marisa Cruz por onde andas tus?

Corrida do Aeroporto 2013 – Corrida com Asas

A passagem para 10 km´s, na distancia a percorrer, as nuvens negras no céu e a t-shirt “cor de pijama” não desmotivaram o pelotão que às 10 horas saíram em grande velocidade da partida.

E é sempre um perigo, ter logo a 20 metros da partida, uma curva tipo “gancho”. Felizmente o piso não estava molhado, portanto nada de escorregadelas, apenas uma cotoveladas e empurrões. Tudo normal portanto!

Mais normal ainda, é perder a Sofia “Mota” logo nos primeiros km´s.
O Joel, o Eduardo e o Zemi andavam na galhofada, lá mais atrás.

O que tem de bom esta corrida?
O tartan novinho no parque desportivo da Alta de Lisboa, a passagem no parque urbano e por fim o Jardim das Conchas.

Foi lá, com surpresa, encontrámos o Ricardo, que tinha ido fazer o seu treino domingueiro.

Fomos “brindados” com uma gargalhada “sádico-gozona” intermediada com um aviso sobre a subida que lá mais à frente desacelerava os atletas que por lá passavam.
Um autentico inferno no luxuoso arvoredo verde.

Ultimo km, o speaker da corrida anuncia a nossa chegada e ……………….descanso merecido!
48 minutos que passaram num instante!

Felizmente a organização ofereceu uma maçã para “enganar” a fome e o cansaço!

No fim, alguém roubou a MAXIM (mais um mimo da organização) do Zemi. Isto não se faz a um homem. Sobretudo a um homem que faz 10 km. Alguém ficou com duas Marisa´s Cruz´es em forma encadernada!



Não fui eu ……

domingo, 20 de outubro de 2013

Notas soltas!



Hoje foi dia de Corrida do Aeroporto. Não fui. Nem sequer considerei a hipótese por me ter desleixado um pouco com o pós-maratona, e por me querer concentrar em treinos. Apesar disso, arrependi-me quando hoje vi que a "minha" malta estava toda lá, excepto o Rui que foi matar saudades do BTT.

O dia começou pouco antes das 10h, hora do tiro de partida da Corrida, quando cheguei ao meu parque preferido - a Quinta das Conchas. Sabia que parte do percurso da Corrida do Aeroporto seria feita lá por isso conjuguei +/- o meu treino com a possibilidade de ver (by appearence order, como nos filmes) a Sofia "Mota", o Pedro, o Joel, o Eduardo, o Zémi e o meu cunhado (acho que não me enganei na ordem). Não tirei fotos, mas filmei (pessimamente) as suas passagens... :)

Quando fui treinar, fui com o objetivo específico de treinar velocidade. Fazer séries. Sabia que não ia treinar durante muito tempo, até porque ia fazer uso pela primeira vez de uma "ferramenta" que comprei já há algum tempo. Mas já lá vamos.

Cheguei lá e deparei-me logo com as fitas a indicar o caminho que os corredores iam fazer pela Quinta. Imediatamente decidi fazê-lo, independentemente do treino que tinha planeado. Fiz o trajecto todo e no final decidi que se visse alguém conhecido imediatamente iria dizer: "Nem sabes o que te espera... MUAHAHAHAH". E assim fiz! lol
Não vale a pena relatar essa parte da corrida. Eles que o façam...

Quanto ao meu treino, após ter "aquecido" (em demasia, com todas aquelas subidas e descidas) fiz um treino de 25 mins, baseado num treino pré-definido da Audiofuel:

Stacks Image 12495

Não é segredo que adoro correr. Mas se há outro "hobby" que adoro ainda mais, é música. Juntando os dois então é perfeito. Se a isso juntar uma espécie de treinador pessoal, então é como o pretérito - mais que perfeito! :)
Piada seca, eu sei. Não resisto a essas...

Voltando ao treino, estava a pensar correr os 25 mins do mp3, que consistem em:
- Aquecimento
- Intervalo de 2 mins a 175 bpm
- Recuperação de 30 segs.
- Intervalo de 3 mins a 180 bpm
- Recuperação de 60 segs.
- Intervalo de 3 mins a 175 bpm
- Recuperação de 90 segs.
- Intervalo de 4 mins a 175 bpm
- Recuperação de 60 segs.
- Sprint de 60 segs
- Recuperação de 30 segs.
- Sprint de 60 segs
- Recuperação

Se bem me lembro foi qualquer coisa assim.

Posso dizer que no final do treino a conclusão foi clara: Há MUUUUUUITO, MUITO, MUITO trabalho a fazer aqui. Sinto que passei de caracol a tartaruga... Claramente o treino foi mau, mas serviu para me abrir os olhos. É aqui que tenho que melhorar. É aqui que tenho de apostar no resto de 2013 para preparar o cumprimento dos objetivos traçados para 2014.

Foi mau. Só consegui acabar o primeiro intervalo de 2 mins a 175 bpm. Os outros foram sempre interrompidos a meio...  Enfim, é "arregaçar as mangas" e CORRER MAIS RÁPIDO!

No que diz respeito ao MP3, já sabia que o sucesso era garantido. Até porque a preparação para a maratona foi feita também com isto:

Run Free 2 hours - AudioFuel Running Music

Next stop: Caminhada do Montepio. Sim, leram bem CAMINHADA do Montepio. Caminhada de 3 Km de um banco da concorrência. Mas esperem. Há um motivo bem válido. Estou DOIDO por ver a minha filha de 4 anos com um dorsal na camisola... :)









sábado, 19 de outubro de 2013

A estreia dos novos ténis


No passado domingo realizei um treino de 10 kms e foi dia de estreia dos novos ténis. Chegaram 3 dias antes da Meia Maratona mas obviamente não corri com eles nessa prova. Os ténis que comprei foram uns Nike Lunarglide.
 
 
O local escolhido para este treino foi o meu local preferido para treinos: A Quintas das Conchas. Belas “pistas”, um circuito delineado de 2 kms à maneira (obrigado Ricardo) e a Natureza como companhia J.

O treino correu muito bem, fiz 10 kms em 54m28s e senti-me confortável com os novos ténis.

Realço que depois do treino os tornozelos não me doiam, facto que acontecia bastantes vezes depois de correr.

Realmente quando se corre é importante ter um calçado apropriado ao tipo de passada. No dia anterior à Corrida do Tejo fiz o teste da passada, tive oportunidade de experimentar este modelo de ténis e notei a diferença.

Vamos ver se com estes ténis chego perto dos 50m em 10 kms J. Claro que para isso são necessários alguns treinos regulares também J. Um pormenor J.

Boas corridas J!

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Benvidos a Monsanto – Corrida da Agua 2013

Ora, cerca de 6 meses depois da Corrida da Árvore, novamente uma corrida neste espaço verde, espaço extraordinário para a prática desportiva ou para o (sempre benvindo) passeio de fim de semana.

O pelotão não era extenso, mas a boa disposição reinava, numa proporção bem superior.
Talvez fosse o bom tempo, talvez fosse o grande número de famílias que acompanhavam os atletas, talvez fosse o facto de ser Domingo de manhã. Talvez fosse tudo junto.

Depois do já costumeiro “figo de partida”, deixei para trás os colegas de equipa. Todos excepto a “sofia mota”, que com as pressas do costume, já tinha desaparecido do alcance logo no 2º Km.

Os primeiros quilómetros foram uma montanha russa. Subidas e descidas. Afinal estávamos em Monsanto.

Entrámos na ciclovia, paralela à radial de Benfica, paralela ao monóxido de carbono e com uma vista pouco estimulante.
Coincidência ou não, foi a parte mais rápida da corrida.

Seguimos pela Horta do Zé Pinto.

Estava curioso em relação à passagem pelo aqueduto. Mas antes ainda teríamos que passar por Campolide e uma subida nada fácil!

O aqueduto em si, não correspondeu as minhas expectativas. É mais bonito visto de fora do que dentro. Um muro demasiado alto não facilita a vista pela cidade. O percurso central do aqueduto (por onde passa(va) a agua) não está à vista dos transeuntes.
Portanto, não foi com surpresa que o pelotão aumentasse a velocidade.

A saída do aqueduto foi ao mesmo tempo a entrada na meta.

Final tranquilo.
Depois uma experiência nova: esperar pelos resultados para ver se a Sofia ia ao degrau das medalhas. Foi por pouco!

Acho que a malta do JRR vai ter que se habituar a esta situação. É que para o ano, com a mudança de escalão e a persistir os mesmos resultados, vamos ter que começar a levar maquina fotografia.

Não achei uma corrida deslumbrante, no entanto o verde de Monsanto e a passagem no aqueduto dão alguma “cor” à corrida.


Como o final da corrida é feita em pleno parque, para o ano, aproveito para fazer uma merenda em plena relva com a família. E assim será uma manhã de domingo como se quer:  Corrida, Comida e Família.

domingo, 13 de outubro de 2013

E agora?


Passou uma semana desde a Maratona de Lisboa e é altura de deixar de olhar para trás. Sim, foi bom, foi espectacular. Para mim foi um objectivo concretizado muito antes de tempo, mas não foi o último dos objectivos na lista.
 
Agora é altura de voltar a olhar em frente. O ano de 2014 está a chegar e com ele - pelo menos assim espero - a minha entrada no mundo do triatlo. Nos próximos meses, entre uma ou duas provas que ainda poderei fazer, o meu foco será esse, conseguir condição física para, em Maio, no Triatlo Internacional de Lisboa, suportar já a distância olímpica, no mínimo, embora esteja a apontar para um pouco mais acima, o Half-IronMan. Lá para Fevereiro ou Março farei uma avaliação das minhas condições e decidirei o que fazer.
 
A semana que passou foi praticamente de férias. A Maratona não deixou só marcas positivas. Se fisicamente - entenda-se "pernas" - estava já apto para voltar aos treinos na 3ª feira, os meus pés não o deixaram. Ou melhor, uma bolha num pé não deixou. Quem me visse andar na 2ª e 3ª feira pensaria que tinha algum problema ou que teria levado uma sova. Nada disso. Tinha uma bolha apenas, a mesma que me fez sofrer por volta dos 32 quilómetros. Assim, aproveitei para folgar durante sete dias. Nem à piscina fui. Libertei-me também um pouco a nível alimentar, ainda que sem excessos, mas dei-me a alguns luxos dos quais andava alheado. Mas as férias acabaram. Amanhã retomo a rotina. Piscina e corrida durante a semana e treinos longos na bicicleta ao fim-de-semana, mas também os cuidados alimentares.
 
Ainda há um longo caminho por percorrer. Tenho muito trabalho pela frente. E força de vontade também.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Meia Maratona 2013 - 21 kms e mais qualquer coisa



Depois de alguns desencontros, encontrei-me com o pessoal no tabuleiro da Ponte Vasco da Gama. Do “clube” fui eu, a Sofia e o Zé e fomos acompanhados de mais alguns amigos.

Entretanto alguns ainda tiveram de satisfazer necessidades fisiológicas em plena ponte (acontece a qualquer um) e depois fomos para a partida.

Ainda tínhamos de andar bastante. Passámos os participantes da mini-maratona e logo a seguir deu-se a partida. Um “mar de gente” começa a correr uns metros atrás de nós. Literalmente começámos a correr 1 km antes de chegar à partida da meia-maratona.

A dada altura, por minha opção, para não me cansar demasiado (íamos a subir) fui numa passada mais lenta até ao ponto de partida e fiquei para trás dos colegas. Ou seja, na partida, no km 0 estava "sozinho" e por minha conta. E lá se iniciava a aventura de fazer 21kms "sozinho". Não fiquei a lamentar o facto, primeiro porque foram as circunstâncias que assim o determinaram e depois foi minha opção ir mais devagar até à partida (ou ia sozinho ou desgastava-me e ia acompanhado).

Há uns meses atrás não me imaginava a correr 21 kms sozinho. Ou precisava de me sentir “amparado” por alguém ou precisava de sentir que estava a “amparar” alguém. Mais de 20 kms sozinho era coisa que não me passava pela cabeça fazer. Estava perante um novo desafio J.

Passei o km 0 mais de 5 minutos depois do “tiro de partida” (uns 30 segundos depois da malta) mas o que contava mesmo era o tempo real a partir dali.

Passei o km 2 em menos de 11minutos o que indiciava um início relativamente rápido, o que é normal dado que vamos “uns atrás dos outros” e vai tudo “fresquinho” J. Mantive o ritmo até aos 5kms pois passei com 27m30s. Passou pela minha cabeça que poderia fazer um tempo perto das 2h05m no final.

Os 10kms apareceram depois de 59 minutos e sentia-me relativamente bem. Nesta fase achava que poderia fazer menos de 2h10m.

Mas depois houve uma quebra física que fez com que diminuísse o ritmo e passar a fazer cada km acima dos 6 minutos. Parece-me que o calor também ajudou a que o cansaço aparecesse mais em força. De qualquer modo continuei a correr, mas mais devagar e com a ideia de acelerar mais para o fim da corrida.

Os kms foram passando, em ritmo relativamente estável, mas sempre acima dos 6 minutos por km.



Entretanto os primeiros classificados da maratona passaram (um a um) a grande velocidade. Ainda tentei “apanhar boleia” (talvez durante 2 segundos ou menos) mas não foi possível. Se houvesse radar ali por perto talvez levassem uma multa!

Cheguei à meta com o tempo de 2h12m20s. Tempo que classifico de razoável, face aos poucos treinos realizados. Melhorei o tempo do ano passado em… 9 segundos. Pode ser que para o ano consiga fazer a meia-maratona em menos de 2 horas J. Sem ser uma prioridade, com treinos regulares semanais é possível.



Mas como digo várias vezes, mais importante do que o resultado é aquilo que se retira da experiência. Mais importante do que a meta é o caminho. Gostei do caminho percorrido (não estou a falar da paisagem). Gostei da minha atitude durante os 21kms (em 2horas e tal de prova). Acho que estive bem J

Quanto à organização da prova, parece-me que estiveram bem, bastantes abastecimentos e tudo bem organizado.

Em relação aos colegas da meia, uma palavra de incentivo para o Zé, para utilizar a experiência adquirida nesta prova para fazer melhor e disfrutar mais na próxima meia-maratona e também deixo um incentivo para a Sofia, que fez esta prova quase em ritmo de treino (para ela) e que acredito que no próximo ano vai fazer um grande resultado numa meia-maratona.

Para o Ricardo, para o Rui e para o Pedro: caros amigos, enfrentaram e propuseram-se a uma grande aventura, treinaram e trabalharam muito para conseguir percorrer uma maratona (42kms!!! Só de pensar nisso fico cansado) e disfrutar do momento. Prova superada! Os meus parabéns!!!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A minha primeira Maratona!


Ora bem, como devem calcular este post é especial para mim. Daí a sua extensão, e por isso ficou desde já o aviso feito...

No dia 6 de fevereiro de 2013 escrevi aqui no blog acerca do meu principal objetivo desportivo. No passado domingo cumpri esse objetivo! Quem diria que em 2 anos e meio eu passaria de alguém a dar os primeiros passos na corrida a:

 M-A-R-A-T-O-N-I-S-T-A!

Mas começando do início...

A DEDICATÓRIA

Na véspera da prova desvendei, também aqui no blog, algo que já tinha preparado há algum tempo. Como faço parte da secção de atletismo dos Serviços Sociais da Caixa Geral de Depósitos, normalmente é a camisola do "clube" que uso nas corridas. Na semana que antecedeu a maratona, surgiu a questão dentro do nosso grupo do blog sobre que camisola levar no dia da estreia nesta distância mítica. Eu, já com tudo planeado e com a t-shirt personalizada já bem guardada em casa, tentei sempre desviar o assunto e quando tal não foi possível disse apenas que tinha uma t-shirt que tinha preparado para a ocasião.

Ora, para uma prova especial, uma dedicatória especial. E para a concretização do meu principal objetivo, a quem mais poderia dedicar esta prova senão a alguém de quem sinto falta todos os dias desde há 11 anos atrás...

Mãe, esta foi inteiramente para ti!







DIA 06 DE OUTUBRO DE 2013





06:20 - Toca o despertador
06:40 - Pequeno-almoço: Esparguete com clara de ovo cozido. Mnham-Mnham! :)
07:00 - Camisola vestida, calções vestidos, fita colada nos pés, meias calçadas, ténis calçados (a despedida em provas dos meus Nike Lunarglide 4+), vaselina no peito, pensos também, homemade gel pronto, telemóvel e headphones preparados, ... All set!
07:10 - Desculpem lá, mas tenho que partilhar o SMS que recebi. À conta dos problemas....hum... intestinais de um dos membros deste blog que ia participar na 1/2 maratona, recebi a seguinte mensagem no meu telemóvel:
"Pessoal, eu sei que estão preocupados mas... Já "fiz""
Sem comentários...
07:15 - Chegou o Rui à porta de minha casa para me dar boleia até ao Parque das Nações.
07:40 - À hora combinada encontrámo-nos com o Pedro em frente à agência CGD (onde mais poderia ser...)
07:57 - Apanhámos o autocarro 728 da Carris rumo ao Cais do Sodré. Nesta altura ainda andava tudo sorridente. Mal sabiam no que se iam meter...
08:40 - Apanhámos o comboio na estação do Cais do Sodré até Cascais. Aqui aconteceu a única falha que eu aponto à organização (terão havido outras, mas a mim a que me afetou foi apenas esta). Mas quem foi o iluminado que resolveu dizer que, mediante a apresentação do dorsal, seria GRATUITO viajar nos transportes públicos em Lisboa?? Foram 50 cêntimos para a CP, só pela emissão de uma porcaria de um cartãozito para que se pudesse passar os torniquetes para apanhar o comboio... Borraram a pintura desnecessariamente, e obrigaram vários atletas a chegar em cima da hora porque não conseguiram apanhar o comboio que queriam até Cascais. Enfim...
09:00 - O facto que, na minha opinião, marcou decisivamente o dia. Comi uma das duas coisas que tinha levado para comer entre o pequeno-almoço e o início da prova: uma barra energética. Já lá vamos às consequências.
09:30 - Chegada a Cascais.
09:50 - WC. Sim membro-não-identificado-deste-blog-que-mandou-o-SMS-esta-manhã, eu também "fiz" antes da corrida!

A PROVA

Antes de começar a prova, o pequeno grupo que se juntou (eu, o Rui, o Pedro e mais 2 amigos dele) decidiu tirar umas fotos para a posteridade. Esta foi tirada a 5 minutos do tiro de partida. Estava tudo bem disposto e sem dores... ainda.


Um minuto antes da partida, o Rui tirou esta:


Às 10:05 soou o tiro de partida, e lá longe (pois ficámos na cauda do pelotão) vimos os quenianos a desaparecer rapidamente em direção à Av. Marginal... Foi a última vez que os vi! :)

Os primeiros quilómetros foram bastante fáceis. Fomos todos juntos durante algum tempo, com um ritmo bastante estável. Mas de repente... comecei a sentir-me mal disposto. Continuei no mesmo ritmo, mas logo a seguir vieram os vómitos. Abrandei um pouco o ritmo, mas não parei, e fui ficando um pouco mais para trás em relação ao grupo inicial. Vi o Rui e o Filipe na frente, logo seguidos pelo Pedro e o amigo dele, e consegui manter sempre o contacto visual com eles durante bastante tempo. Em Oeiras, à passagem do jardim, tinha um atraso de menos de 1 minuto em relação a eles (cronometrei quando os vi a dar a volta de regresso à Av. Marginal), mas o ritmo ia abrandando na mesma proporção em que o incómodo que o estômago me dava aumentava.

À passagem dos 21 Km o tempo de 02h:09m dizia-me que o objectivo das 4h:30m seria exequível. Mas também me avisava que estava com uns 6 minutos, ou um quilometro, de diferença em relação ao ritmo que tinha treinado nos últimos meses. O problema estava desde há muito identificado e as consequências bem visíveis. O raio do estômago estava a ganhar a luta e eu pouco podia fazer... Entretanto, perdi o rastro aos meus companheiros.

Durante a corrida, foi notório todo o tipo de problemas que podem surgir numa prova desta exigência. Vi corredores com cãibras logo nos primeiros quilómetros, vi corredores a serem assistidos com soro (desidratação é mesmo um perigo sério), vi corredores a sentarem-se e até deitarem-se no chão com o cansaço, vi corredores a vomitarem tudo o que tinham para deitar cá para fora... Enfim. Valeram duas coisas extraordinárias: outros corredores que interrompiam as suas provas para ajudar quem precisava (vi dois casos) e também o facto de andarem sempre motas/moto4/ambulâncias sempre de trás para a frente à procura de pessoas que necessitassem de cuidados médicos. Ponto muito muito positivo para a organização da prova. Só isso já dá para uma pessoa se sentir apoiada no caso de surgir algum imprevisto.

Todas estas situações, e a minha própria condição nesta altura da corrida (difícil, apesar de suportável) deram para eu me aperceber que me tinha preparado convenientemente para a Maratona. E garanto-vos que o facto de ter feito a minha preparação nos treinos longos quase sempre sozinho ajudou-me e MUITO a completar a prova. A nível psicológico é claro. Trinta e tal quilómetros de batalha contra mim próprio só puderam ser superados com esse treino. Esta é a minha convicção, olhando para trás.

Mas voltando à corrida, até à passagem pelos 32 Km a degradação do meu ritmo foi notória, até que finalmente tive que começar a andar... Foi aqui que percebi que o planeamento tinha (quase) todo ido para o galheiro! Agora seria uma corrida de sacrifício, de dor e de resistência. Fui tentando retomar a passada, mas só passado algum tempo é que a má disposição passou. Ainda assim, tratando-se do aparelho digestivo, o que não sai por um lado sai pelo outro... E se antes me queixava do estômago, agora era a barriga que me tramava.

Sempre em esforço, não propriamente das pernas, fui alternando corrida com caminhada. Cheguei a passar pelo Filipe ao Km 36, mas pouco depois não aguentei mais e tive mesmo que me servir de um dos WC's que a organização disponibilizou para estas situações. O Filipe passou-me aí e só o voltei a ver no final.

Após ter resolvido o problema, ou pelo menos aumentado um pouco o meu bem-estar, tentei retomar a corrida a um ritmo que não me envergonhasse, mas só o consegui fazer nos últimos 3 Kms. Só depois de entrar no "perímetro" do Parque das Nações é que Aquele boost de energia bateu bem forte e lá fui eu até receber...

O PRÉMIO!!

Desde o início desta aventura, quando assumi este objetivo, que sempre disse que me imaginava a cortar a meta com os meus filhos. Era um daqueles momentos que eu queria mesmo que acontecesse, independentemente de como a prova se desenrolasse.

Foi perfeito. Foi inesquecível. Foi exactamente o que sempre desejei.

À passagem do Km 39 toca o telemóvel. Fiz a prova com a minha playlist a "bombar" no leitor de MP3 do meu telemóvel, e nesta altura a minha mulher ligava-me:
"Onde estás?"
"Faltam 3 Kms"
"Eu já estou aqui! Vou só procurar um sítio sem grades..."
"Ok!!"
Sorriso de orelha a orelha. Tive nesta altura Aquela injeção de adrenalina que precisava. Já imaginava como seria o final. Pensei na minha Mãe. Agradeci-lhe, dediquei-lhe novamente esta prova e soube que ela se iria orgulhar de mim.

Depois... depois foi correr até aqui:


Só tenho pena de não estar disponível o vídeo da minha chegada no site da organização...

OS AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar, à minha mulher. Mesmo sem perceber o que faz alguém submeter-se a este tipo de sofrimento, mesmo sem compreender o que motiva estas maluqueiras, sempre me apoiou. Sempre me deu espaço, e tempo, para treinar tomando para cima dela o peso de tratar de dois sacaninhas irrequietos que nos fazem dormir mal há 4 anos seguidos. Obrigado AMOR! Obrigado pelo apoio, e MUITO OBRIGADO pelas massagens depois da prova!! ;)

Aos meus filhos, que juntamente com a minha mulher, me proporcionaram um final inesquecível nesta minha estreia. Qualquer dia, se eles se interessarem por isto, espero estar com eles na sua estreia também...

Aos meus companheiros de treino que, semana após semana, estiveram comigo até este dia. Sem vocês isto não teria a mesma piada.

À organização da 1ª Edição da Rock 'n' Roll Lisbon Marathon, que me proporcionou uma estreia muito muito boa! Para o ano que vem, lá estarei outra vez...

Ao pessoal da secção de atletismo dos SSCGD, que dão sempre todo o apoio para estas coisas. Fazem um trabalho excelente!

O FUTURO

Objetivo traçado, objetivo cumprido! E agora?
Agora, sei muito bem o que vou fazer.
Para o ano que vem quero fazer a Maratona de Lisboa em Outubro e a do Porto em Novembro.
Para o ano que vem quero bater as minhas melhores marcas pessoais nos 5 Km, 10 Km, 15 Km, 21 Km e 42 Km. Parece complicado, mas na realidade não é um objetivo assim tão ambicioso. Os meus recordes são modestos e por isso bastante fáceis de bater:
- 5 Kms: 00h 25m 46s
- 10 Kms: 00h 55m 00s
- 15 Kms: 01h 28m 26s
- Meia Maratona (21,1 Kms): 2h 12m 29s
- Maratona (42,2 Kms): 5h 00m 27s 

Se conseguir fazer as duas maratonas que pretendo fazer em 2014, então de 2015 para a frente será a Maratona de Lisboa (será a prova em casa) e uma maratona no estrangeiro todos os anos, e melhorar os tempos sempre que puder. Tudo isto obviamente a desfrutar ao máximo do que a corrida nos dá: amigos, prazer, saúde...

Para finalizar, que isto já vai longo (eu avisei!) deixo aqui um episódio engraçado que presenciei no domingo passado:
Mais ou menos no Km 40 passei por uns "velhotes" que também estavam na sua estreia na maratona:
- "Epá, mas isto não acaba??!"
- "Tá quase!..."
- "Nunca mais me meto numa destas... Chiça!"
Entretanto aparece um rapaz que lhes disse:
- "Isso é o que vocês dizem agora. Amanhã já vão pensar na próxima!"
Ao que os "velhotes" responderam:
- "Já ouvi dizer que isso é assim, não é? Pronto... então está bem... eheheh"
Sorri.
E eu que já dei por mim a pesquisar o calendário das maratonas lá por fora...



Conclusão: a minha mulher é que tem razão: "és um maluquinho da corrida!!"





quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Missão Maratona – Maratona Rock n Roll Lisboa 2013

 - Bom dia!
- Então o que é que vai ser?
- Era uma maratona sff. Bem passada, pode ser?
- Bem passada, já não temos! Passou por aqui uma malta do Quénia e levou tudo!
- Bom, então mal passada.
- Eu vou dar aqui um calor para ficar mais “tenra”. 23 º, penso que já é o bastante!
- Obrigado.
- E para acompanhar?
- Banana, laranja e algum gel.
- Para beber?
- Agua e isotónica sff.
- Aqui está. Boa corrida então ….
- Obrigado!



O ANTES

Com o carro estacionado na expo, dirigi-me à Gare do Oriente. O dia amanhecia risonho!
Encontrei-me com o Ricardo e com o Rui.

Estávamos neste evento divididos ao meio: eu, o Ricardo e o Rui na maratona, Joel, Zemi e Sofia na Meia Maratona.

Decidimos apanhar o autocarro que passava no Cais do Sodré.
Uma viagem bem disposta!

Chegamos ao Cais do Sodré!
Em vez da prometida viagem grátis até Cascais, tivemos que desembolsar 50 cêntimos para usufruir da mesma.
É nesta “pobreza organizacional” que me envergonho quando vejo turistas a chegar ao meu pais.
Continuo a pensar que nós, portugueses, temos um problema de relacionamento com o dinheiro. Porque não o temos e porque poucos sabem ganhar de forma honrada. Talvez porque não haja honra e princípios de quem o usa para pagar quem trabalha. Adiante!


Estava com saudades de viajar por esta linha (Cais-Sodré/Cascais).
Passei a minha juventude de um lado para o outro: para ir trabalhar, para ir namorar, para ir “amigar”.

Gerou-se logo uma atmosfera olímpica.
O comboio ia cheio de atletas.
O entusiasmo crescia!

Chegada a Cascais.
Encontrámos o Filipe e o Pedro Ribeiro do Clube de Corrida.
A ânsia era visível!


Seguimos directamente para o inicio da prova.
Eu fui mudar de roupa numa escadaria algures, o Ricardo foi mandar um fax para o atlântico.

Fomos pôr os sacos com os nossos “trapos” no autocarro da organização, para estarem disponíveis no final da prova.

A ânsia estava no máximo: o Rui gritava, eu exercitava os músculos, o Ricardo não dava com o telemóvel e com os phones.

Deu para tirar umas fotos e aqui vamos nós…..



O DURANTE

Saímos de Cascais todos juntos, no embalo de 3 lebres com “muita saúde”!

O pelotão era uma massa de excitação em forma de correria.

Dali a nada estávamos no Estoril.
Fizemos a volta ao Casino e encontrámos um corredor de sapato de couro e meias à “Wall Street”. Quando passou por mim pensei que fosse algum “civil cheio de pressa. Afinal era o “atrofiado das corridas”, qual pirata que entra nas corridas a meio e deslumbra o pelotão com as suas proezas atléticas. Uma espécie de “atleta-sombra” do famoso corredor da bandeja e do copo de agua.
Mais tarde ainda iríamos apanha-lo a correr de costas! Um mimo!

São João do Estoril, Parede, Carcavelos, começava a “jogar em casa”. Aqui começava o meu local de treinos.

Veio-me à cabeça a 1º corrida/treino em 2010, 7 km´s que na altura deixou-me sem fôlego! Como as coisas evoluem …..

Entrámos em Oeiras. Estávamos sintonizados nos 6 mnts / km. Era o que se queria!

Entretanto o Ricardo e o Pedro Ribeiro ficaram para trás. Desejei boa sorte e esperei encontra-los no fim da corrida.

Na passagem à frente do edifício da câmara gritámos pelo Isaltino. Serviu para relaxar da tensão da corrida.

Paço de Arcos, Caxias e surpresa das surpresas, a corrida fio direccionada para o passeio paralelo ao mar, em vez da subida para o farol da Gibata. Penso que a subida terá ultrapassado a altimetria máxima para uma maratona.
De qualquer forma calhou bem!

Nesta altura, a ingestão era feita sobretudo com agua para a hidratação e alguma bebida isotónica que aparecia nos abastecimentos.
Erro foi não ter levado gel ou barra energética. Estava com uma fome medonha!

Antes de Algés passámos a barreira da meia maratona.
Metade já estava feita!

Em Algés apareceu o abastecimento de sólidos.
Devorei bananas e laranjas enquanto o Rui segurava-me a minha garrafa de agua.
À frente o Filipe chamava por nós!

Uma recta cansativa levou-nos a Belém, Alcântara e Santos.

Por fim, mais um abastecimento e entravamos nos 30 km´s.

Os pés começavam a “encarquilhar” por baixo e a linha de dor nos joelhos surgia como um aviso a ter em conta!
Até aqui, cansaço mas boa disposição e (fiquei espantado) sempre pessoas na rua a puxar e sempre companhia de outros atletas.
O meu receio de encontrar fases do percurso desertos de publico e atletas foi felizmente, um puro engano!
E havia sempre uma moto quatro da cruz vermelha disponível para dar apoio. Neste critério, a organização estava de parabéns.

Entrámos no Terreiro do Paço e o cansaço começava a atacar.
Fomos ajudados por uma massa humana que batia palmas e gritava connosco.
A volta à baixa de Lisboa foi feita num instante.

Entrámos para a ultima parte da corrida.

Quando passámos por Santa Apolónia perdemos o Filipe.
No abastecimento da zona voltei “a dar” na laranja e no gel, que a organização disponibilizava.
Erro fatal.
A laranja “acidificou” o processo digestivo. Duas hipóteses sugiram:

a)      Continuo a correr e vomito-me todo;
b)      Para e combato a acidez.

 
Decidi parar!
O Rui passou por mim, não sem antes me dizer para não parar!
Dentro do azar tive a sorte de encontrar um abastecimento próximo.
Enchi-me de agua e consegui diluir a acidez.
Voltei novamente à corrida!

Parecia que tinha passado um furacão por nós.
Uns corriam de lado, outros gemiam, vi corredores deitados no passeio. Enfim, era a “parede dos 30” a fazer miséria!

Tentava, com esperança, apanhar o Rui, mas t-shirt azul, nem vê-la!

De repente, vejo a rotunda da “Prorunner”. Estava quase!

Subo até à avenida principal do Parque das Nações e, espantado, vejo colegas da meia-maratona a puxar por nós.
Fantástico! – Pensei eu, eles ficaram cá para apoiar-nos na chegada.
Lá ao fundo, vejo o Eduardo, que tinha ido correr com o trio do JRR.

Fiquei super-motivado.

As pessoas iam dizendo, literalmente, quantos metros faltavam até à meta.

Reparei na volta do quarteirão, que surgia à minha frente.
Já está……já está!
Recebi o piso empedrado, como algodão se tratasse.

Olhei lá ao fundo a meta, as pessoas a aplaudir, fotógrafos. Um relógio mostrava 4H29m.

Então é assim que os maratonistas se sentem quando chegam à meta!

Sensação do caaaraaaaçaaaasssssssssss…………….



O DEPOIS

O cansaço era tanto, que pouco me lembro do que aconteceu nos minutos seguintes:

- Lembro-me de ter passado por alguém da organização e de lhe ter, literalmente, tirado o gelado-oferta da mão.

- Fui encostado por uma amazonas a um biombo e lá, foi tirada uma foto.


- Lembro-me de passar pela saída do recinto de chegada dos atletas, ver dezenas de caras a procurar os “seus” atletas e de repente aparecer o Eduardo a perguntar-me como estava.

Mais tarde cheguei à seguinte conclusão:

Quem corre uma maratona (ainda por cima pela 1ª vez), deve ter alguém no final.
Devia ser obrigatório!
Não é só para o caso de acontecer algo de grave ou até mesmo para o levar a casa.
É para uma coisa ainda mais importante e que naquela altura é uma necessidade quase básica: ABRAÇAR!
Deixo o conselho para quem vai correr pela 1ª vez a maratona: levem alguém: Família, o vizinho, o cão, um(a) acompanhante de luxo………..mas levem alguém!
As organizações das provas  deixo uma sugestão:  arranjem uns voluntários e ponham-nos no fim da meta. Podem chamar-lhes: ABRACEIROS!
Ponham-nos a dar abraços aos atletas que chegam. Não há nada que pague um bom abraço na meta!  A sério!

Fiquei contente por ter o Eduardo na chegada. Afinal o homem tinha ficado, desde a sua chegada da meia maratona, à minha espera.
Valorizei bastante os acto. Mas também valorizei o ombro e lá fui eu apoiado até ao “meeting point” da chegada.

A meio apareceu a Sofia e mais um abraço.
Falei com ambos sobre a meia maratona. Tudo tinha corrido bem com eles.

O nosso “meeting point” era um dos “vulcões de agua” existentes perto do Pavilhão Atlântico.

Lá ao fundo já via o Rui a bracejar.

Mais um abraço.
Tinha conseguido chegar até ao fim sem parar!
Grande participação!
Estava eufórico! Estávamos todos!
Aproveitámos para molhar os pés na agua do “vulcão”. E que bem que soube!

Logo depois chegou o Ricardo com o restante agregado. E com eles trouxe um buffet de queques de chocolate.
Tinha feito a chegada à meta com os miúdos “pela mão”. Tal e qual como imaginara. Luxo!

Entretanto fui buscar o Filipe num banco próximo, a recuperar do esforço despendido. Tinha sido extenuante!

O Pedro Ribeiro já estava com a família depois de uma chegada também emocionada.

O pelotão tinha chegado ao destino.
Estava na hora de levantar acampamento.
Estava na hora de pôr as pernas a descansar.

Se me perguntarem se me sinto diferente por ter feito uma maratona, eu direi que sim!
Porquê? Não sei.
No final da prova concluía que 42 km´s é de facto uma extensão complicada de “digerir”. E fazê-lo sozinho não é para todos. Valorizei bastante todos aqueles atletas que começaram a prova sozinhos. É preciso uma enorme força mental. Parabéns a todos eles!

A condição humana tem destas coisas.
O distanciamento das coisas gera outra “luz” nas análises efectuadas.
Acabei a maratona a pensar que esta seria a única maratona que participava.
48 Horas depois, a meia da redacção deste texto, dei-me conta de estar a folhear, na revista cedida pela organização, as paginas contendo as maratonas existentes no próximo ano…….

…………..A PATROA NÃO VAI GOSTAR DISTO…………..   



terça-feira, 8 de outubro de 2013

Meia Maratona Rock & Roll - Manual de como não correr uma meia maratona

Ou qualquer outra prova


A preparação para a esta meia maratona começou ainda em Maio, quando iniciei uma série de treinos longos de 15/16 kms nas manhãs de fim de semana. Foi um namoro de Verão com a minha endurance. Duas semanas antes do dia D tinha feito os 21 quilómetros, a uma passada 5:52 por km , o que me deu a autoconfiança que conseguiria fazer a prova sem parar. O último treino de 16 quilómetros, foi bom para treinar a evolução do ritmo na prova.

Assim, com os resultados dos treinos estava decidido a fazer os primeiros quilómetros da prova a um ritmo lento (6 e picos) e ir acelerando até aos 5:30's por volta dos 10 kms.

Acordei cedo, ou melhor o Sargentão do clube de corrida acordou-me cedo com um SMS agressivo, e preparei-me dos pés à cabeça, passando pelas funções escatológicas e pela colocação de pensos nos mamilos em jeito de soutien BDSM para evitar assaduras. Mas, já la vamos. Sai de casa...

Ah bolas, esqueci-me da garrafa de bebida isotónica que bebo sempre antes da prova, ajuda a hidratar e dá energia para os primeiros quilómetros. Azar... siga em frente.

Trouxe duas barritas de cereais, era para comer só uma meia hora antes da partida, mas dado que eram pequenas comi as duas...

A inexperiência tem destas coisas e, por motivos que não interessam ao menino Jesus, cheguei tarde ao tabuleiro da ponte e ao reparar que a partida para a meia maratona estava iminente desatei a correr até à linha de partida, e ainda acelerei mais quando vi uma horda de corredores da mini maratona, a galgarem o tabuleiro num frenesim desenfreado. Foi um quilometro a subir em 5:15, e ainda não tinha passado a partida. Nada parecido com o planeado pois não?



Segui mais uns quilómetros, todo contente, num ritmo acelerado, a ultrapassar e cumprimentar colegas do trabalho, a meter-me com as meninas da salsa. A vida corria bem e o tabuleiro a descer ajudava.

Ora, eis que noto que os meus atacadores estão desapertados, mando os meus companheiros continuarem a correr, e chego-me à lateral para apertar os sapatos. De seguida, nada melhor que um sprint avenida abaixo para os apanhar.

Os quilómetros vão passando, e por volta do 6º, passo por um colega grande numa passada pesada, e motivo-o "bora lá!" ao que ele me responde: "Ainda faltam muitos quilómetros." - Mal eu sabia.

Ao longo da prova, várias bandas iam tocando: Brian Adams (não me lembro da musica lamechas), Pearl

Porém... todavia... ao nono quilometro começo a sentir uma dorzita abdominal do lado esquerdo, e não, não era intestinal... Dor de burro? porque seria? Aguentei a dor até ao quilometro 11, aí tive que parar e começar a andar. Depois, de beber a água, o meu estômago parecia uma bola que a cada passada parecia prestes a rebentar.

A marcha continuou até ao quilometro 16 e foi aqui que ouço uma voz grossa atrás de mim a motivar: "Vamos lá!" - Era o colega que tinha passado no inicio que me estava a passar ao mesmo ritmo vagaroso mas inexorável. Ainda o tentei acompanhar mas, arrastava-me e depois... como dizer... regurgitei a barra de cereais - peço desde já desculpa os leitores mais sensíveis pelas imagens invocadas na mente




Continuei  neste ritmo até sensivelmente ao quilometro 18, quando recomeço a correr muito lentamente ao principio e de forma entusiástica nos dois últimos quilómetros que fiz em 6:58 - o que implica uma média de 3:29 por quilometro, lembram-se dos 5:50 planeados no inicio da prova?


Se durante a prova várias bandas tocavam exitos do Rock: Brian Adams (Blargh - Summer of 68),  Pearl Jam (Better man), Xutos (Contentores) e uma das minhas preferidas, na versão do Eddy Vedder "You got to hide your love away", no preciso momento em que corto a meta, ouço os Xutos a cantarem:

Nunca dei um passo 
Que fosse correcto 


Ri-me de mim próprio perante a ironia do momento. O verso era uma metáfora da minha prova...

Depois dos alongamentos e de uns minutos deitado, a sangrar dos mamilos porque os pensos caíram durante a corrida e  a afogar-me lentamente numa poça de auto-comiseração, levantei-me, e dirigi-me para casa pensar no que é que tinha corrido mal.



Enfim, considero uma derrota, mas: meia maratona da próxima eu apanho-te.