quinta-feira, 31 de julho de 2014

Em Junho e Julho foi assim...


Em tempo de férias, também a parte desportiva esteve mais recolhida nestes dois meses. Depois o Triatlo de Oeiras - 8 de Junho - fiz aquilo que tantas vezes tenho necessidade de fazer. Abrandei. O corpo estava a pedir e a cabeça também, pois já estava a chegar a um ponto de saturação da tanta rigidez e disciplina, tanto nos treinos, como fora deles. Esse "abrandar" durou foi um pouco mais do que pensava. Cerca de mês e meio... Para isso ajudou também ter tido três semanas de férias efectivas, sendo que em duas delas não fiz nem um quilómetro para a contabilidade. Ao todo foram apenas 22 treinos em dois meses, quando andava a fazer entre os 15/20 por mês. Um redução significativa.
E com isto eis que a balança acusou logo essa paragem. Cinco quilos a mais (dois já se foram entretanto), o que revela que não me posso descuidar nem um pouquinho com o peso. Incrível como isto acontece. Relaxo nos treinos, estico-me um pouco à mesa e está aí o resultado. Passei dos 77 quilos, antes do Triatlo de Oeiras, para os 82 quilos, quando regressei de férias.
Claro que regressar à batalha dos treinos foi penoso. Peso a mais, calor a mais, pernas sem ritmo... foi uma vergonha. Mas aos poucos isto vai ao sítio. Já lhe dei com um treino longo, de 24 quilómetros, rumo à Maratona, e acabei bem, sinal que podia ter ido ainda mais longe.

Em Agosto há que retornar à forma ideal. As pernas já estão melhor, estou a abater o peso extra, pelo que penso que até ao final do mês estarei no ponto ideal novamente. Até porque a Maratona de Lisboa está a chegar.

Vamos a isso.

terça-feira, 22 de julho de 2014

O REGRESSO DA BESTA NEGRA


 
Já eram 18 horas e o Sol finalmente estendia o seu cobertor de calor por cima do verão.


Entupi-me em anti-histamínicos e antialérgicos, pus spray contra mosquitos, lavei a cara com água benta e lá fui eu... rumo ao estádio do Zbording e à CUF Alvalade para uma consulta de Medicina Desportiva.


O Dr. mandou-me despir… totalmente… e testou quais eram os movimentos que me causavam dor, viu que não existia nenhuma hérnia inguinal, pôs de lado a hipótese de desequilíbrio na zona da anca e desenrolou o seu diagnóstico...

 


 QUADRO DE PUBALGIA

 (foi a jogar futebol que eu senti os adutores)

Ora ter uma pubalgia para quem adora correr em montanha é o mesmo que encontrar o amor da nossa vida e descobrir que somos impotentes.

Sem me fazer perguntas e pelo meu corpo concluiu facilmente que eu tinha perdido muito peso a correr (o que é verdade). Que para correr há 1 ano e meio e já fazer meias maratonas, queria dizer que tenho excelente capacidade cardiorrespiratória e motivação. Mas que a parte muscular não responde ao exercício.


Explicou-me também que as nossas ancas suportam em andamento, onde o corpo tem normalmente dois apoios (os pés) no chão, cerca de 0,7x o peso do nosso corpo. Já em corrida a força suportada pode atingir as 1,2x o nosso peso. Ora esse quadro de excesso de peso, foi sobrecarregado com uma intensidade de exercício para o qual não estava preparado resultando na lesão.


Para já vou fazer 15 sessões de fisioterapia e até lá o exercício extra fisioterapia irá ficar limitado a Bicicleta fixa e exercícios de braços que mantenham a anca apoiada 

 Mas pelo menos posso andar ou marchar,

Ora andar para quem adora correr em montanha é o mesmo que descobrir que o amor da nossa vida nos adora e só poder andar de mão dada... às escondidas.

Episódio Zé&MI


Zé: Também posso fazer water running e water bike.

Mi: Correr na água e andar de bicicleta na água? isso não é para velhos?

Zé: Se disser em inglês tiro pelo menos 30 anos.

Mi: Mas olha que aquilo cansa... a minha avó sai de lá sempre estafada.
Tempo esperado de recuperação: 1 Época!  Os únicos trails que vou fazer é por cima das ervas daninhas do Estádio de Alvalade.

Sendo assim, sinto que este é o último episódio do TV Rural... Vou-me meter na minha conchinha debaixo da areia e se voltar a correr, voltarei a publicar. Até lá... saudades


Vou-me enfiar na minha conchinha e desaparecer durante uns tempos

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Dia Internacional Nélson Mandela




Hoje, 18 de Julho, assinala-se o Dia Internacional Nélson Mandela.
Parece-me que uma boa forma de honrarmos o seu legado é lembrarmo-nos e colocarmos em prática pelo menos algumas das suas ideias.
“A nossa maior glória não está em nunca cair, mas em levantarmo-nos sempre que caímos.”
“O que realmente conta na vida não é apenas o facto de termos vivido. É a diferença que fizemos nas vidas dos outros que determina a importância da nossa própria vida.
“Ser livre não é apenas tirar as correntes de alguém, mas viver de forma a respeitar e ampliar a liberdade dos outros.
“A educação é a arma mais poderosa que temos para mudar o mundo.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Já só faltam 5 meses e 15 dias!!!

É isso mesmo, já só faltam 5 meses e 15 dias para este ano de m**** acabar!
Desculpem o desabafo tão direto, mas é o que sinto. 2014 está a ser um ano para esquecer em termos desportivos e pelos piores motivos: problemas de saúde.

O ano começou com a minha inscrição no Fim da Europa a ir para o galheiro. Dessa vez, até nem foi comigo, mas como o puto estava doente, tomei a única decisão possível/admissível/lógica e desisti de ir. Menos uma. E logo aí pus por escrito uma decisão que tomei na altura: "a partir de hoje não volto a planear mais a ponta de um corno!"

Mal sabia eu o que se seguiria...

Veio fevereiro, e com ele... uma pancreatite! Internamento e baixa médica por um mês, ao que se seguiu um lento e receoso regresso à corrida. Foram 4 meses até conseguir voltar a correr 15 Kms com algum conforto. Ora tendo em conta que tinha programado o inicio do plano de treinos de preparação para a Maratona de Lisboa 2014 para o início de julho, diria que estava algo entusiasmado. Foi então que, aos 30 segundos de um jogo de futebol na última semana de junho (seria o último antes do plano de treinos), aconteceu isto:


Pois é, nem toquei na redondinha, no esférico, na chicha, na bola!!! Num movimento de rotação lá dei cabo de um ligamento qualquer da tibio-társica. Resultado: mês e meio de muletas, seguido de fisioterapia.

"Adeus Maratona de Lisboa".

E por muito que me custe admitir, acho que tenho que me mentalizar que é também "Adeus Maratona do Porto". Num ano em que tinha planeado fazer duas maratonas, acho que vou fazer: ZERO.

Infelizmente não será tão cedo que voltarei a escrever qualquer coisa aqui. Enfim...
Raios partam! Nunca mais acaba este ano! <CENSORED>!...

domingo, 13 de julho de 2014

CARTA DE AMOR À MONTANHA




 

Vi-te pela primeira vez de dentro do autocarro, quando deslizavas por mim com o teu vestido verde, cujas alças permitiam descobrir a tua pele calcária. Estavas com a cabeça acima das nuvens. Ignoraste-me, nem sequer olhaste para mim, mantiveste o teu porte altivo e o olhar pétreo preso no infinito.
 
Estavas linda... ÉS linda. Havia qualquer coisa em ti que me prendia. Queria chegar até ti, queria falar contigo, conhecer-te mas sentia-me intimidado esmagado debaixo da força que emanava da tua personalidade. Sentia medo, tinha muito medo, mas afinal tremia tanto de quê? Ah, claro tremia da tua rejeição! O que significava que eras mais importante para mim do que pensava.

Tinha que chegar ao teu coração, mas o meu já explodia dentro do peito quando comecei a correr. Não podia ser em linha reta, não és um ser simples, és de feitio torto, cheia de camadas e cambiantes, tinha de ultrapassar a terra batida, passar por rios, por veredas cobertas de silvas que me rasgam as pernas, por  trilhos em pedra quebrada que me partem as plantas dos pés, de subidas por entre olivais e sobreiros que me dão chapadas arbóreas. E estás tão cheia de rampas intermináveis que me moem os joelhos, e me quebram a vontade de correr para começar a andar...


Mas de tão difíceis que sejam suportar, adoro todas essas facetas de menina mimada, ou insegura que criou essa capa dura para se proteger.  E pouco a pouco, metro a metro tu vais te entregando. Primeiro dás-te naquele teu perfume a terra molhada que me deixa ensandecido e depois quando me deixas chegar ao cume... desvendas o teu corpo nu perante mim, repleto de curvas, em paisagens de montes, vales e florestas que me sugam o ar do peito.
 
 
E então, já não és uma montanha-menina. És uma montanha-mulher que caminha lado a lado comigo, que me dá a mão, quando as tuas raízes se entrelaçam nos meus dedos, que me apoia nas subidas.

Quando pensava que seria uma relação espiritual de contemplação da tua beleza paisagística, depois de atingido o cume, eis que se revela uma relação extremamente física, carnal mesmo. Rebolamos ladeira abaixo, envolvidos um no outro, num crescendo de ritmo, num sprint descontrolado penetro uma e outra vez nas florestas húmidas que te ladeiam até eu descer à tua base.

E é, como sempre, contigo por cima que acabo as corridas,  a respiração ofegante, os joelhos a latejar e os tendões de Aquiles doridos, sem conseguir correr nem deixar de correr, que saio devagar de dentro de ti. Com o corpo exausto mas em êxtase. Meio morto meio vivo mas muito feliz.

 

Conquistador ou conquistado não interessa, quero estar contigo, mil vezes mil anos estar contigo, rasga-me as pernas, rasga-me a cara, rasga-me o coração, mas deixa-me estar contigo.

domingo, 6 de julho de 2014

ADEUS Á ESTRADA!!!



Ai que estou tão farto de ti!

Eu sei que o início é sempre engraçado e cheio de entusiasmo, mas cheguei a uma altura em que mal consigo olhar para ti.

 Para ti o ideal são aquelas grandes aglomerações de pessoas, com as cores e marcas da moda, com musica ambiente a bombar, todas animadas, todas felizes aos saltos no aquecimento promovido por uma qualquer cadeia de ginásios. Tens sempre a mania de começar nas zonas comerciais e de passar nos centros urbanos, és altiva e superficial, és uma rapariguinha de shopping center. Com todo o teu medo de ser diferente, acabas por não passar de um lugar-comum.

...E eu estou tão farto de ti!

Tens no teu corpo uma postura de linhas sempre hirtas, impecavelmente limpas, com as margens marcadas. Todavia, debaixo de toda aquela alegria és rígida e fria. Aquele risco ao meio inflexível, que varia entre o contínuo e o descontinuo, como se fosses tu que definisses quando posso ultrapassar ou ser ultrapassado. E em todos os nossos encontros obrigas-me a calcar mil vezes aquele duro alcatrão de um azul-acinzentado pardacento sem graça.

Suspiro de tédio a cada partida e de alívio a cada chegada.

Queres impor o teu carácter domesticado e domesticante. Com os teus muros de separação e bandas sonoras, não me deixas espaço para errar nem improvisar. Parece que me queres meter umas palas nos olhos, juntares-me ao teu séquito de admiradores e dizes-me educadamente que é este o meu caminho. Odeio sentir-me parte duma manada.

Tão farto, farto…

E depois da primeira vez, o que há mais para conhecer? Reservas a tuas poucas glórias para os que querem fazer uma e outra vez exatamente a mesma coisa, mas da próxima tem de ser mais rápido. Treinamos vezes e vezes sem conta a mesma coisa, obcecados com records pessoais, tornamo-nos centrados em nós próprios, incapazes de aproveitar a experiência. Cada corrida, cada treino torna-se uma fotocópia desfocada e a preto e branco do anterior. E eu não sou assim, não quero ser assim. Há mais coisas para viver. Não te quero mais Estrada!

Adeus

P.S. Todavia, dado, por um lado, a facilidade com que tu te entregas, e por outro, as minhas próprias necessidades, posso estar disponível para relações casuais. A ver...
 
P.P.S. Este post é um bocado experimentalista! como há poucas pessoas a ler pode ser que passe.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

2ª Corrida Amorama


É verdade, às vezes faço destas coisas... estava tão descansadinho no interior desta minha muralha de cinismo, mas que se esboroou completamente ao primeiro convite para participar numa corrida de beneficência. Não sei o que me deu para participar... ainda por cima na minha terra adotiva... sou um fraco, é o que é. :)

 
No passado dia 22 de Junho participei na 2ª corrida da Amorama, uma corrida solidária para a qual eu e outros colegas tinhamos sido convidados por um dos organizadores.

Refira-se que a Amorama é a Associação de Pais e Amigos de Deficientes Profundos, é uma Instituição Particular de Solidariedade Social sem fins lucrativos vocacionada para o atendimento a cidadãos deficientes/dependentes, sediada na Amadora.

Voltando à corrida propriamente dita, e ao respetivo percurso, esta inicia-se na urbanização de Vila Chã descendo pelo parque Aventura até ao centro da Amadora, voltando a subir até ao Casal de São Braz e à Vila Chã. O percurso é de 5 kms, pelo que damos duas voltas para completar os 10 kms.

Quem conhece a localidade percebe que este é um percurso difícil, com muitos altos e baixos. Para quem não conhece diga-se que tem uma rampa continua onde subimos 100 metros em altitude. Duas vezes!

Depois de um aquecimento marcado ao ritmo das animadoras da Vivafit, passe a publicidade, um ginásio só para mulheres (sim, ainda por cima andei a brincar à aeróbica no meio de mulheres... e todo animado ainda por cima... não sei o que se passa comigo) deu-se a partida.

 
Dado que o percurso era difícil, resolvi não fazer um ritmo elevado e ir passear de uma forma relaxada com os restantes corredores. E assim fiz, ressaltando apenas o apoio dos habitantes que se sentia na passagem pelo  centro da cidade,

Ao terminar a corrida noto que uma velha conhecida tinha terminado em 2º lugar e foi muito bom vê-la no pódio. Mas melhor, foi apanha-la desprevenida nas massagens quando foi chamada ao pódio pela vitoria nos séniores femininos, e tomei o lugar dela!

 
 
Em resumo, muito bom ambiente antes, durante e depois da prova. Grande experiencia humana. E uma manhã muito bem passada. Uma prova a repetir. Aconselho a todos!