sábado, 28 de fevereiro de 2015

As Sagas do Trail - Trail Território Circuito Centro Vila Velha de Rodão



No mapa, Vila de Rodão é descrita por velha, mas já à saída da autoestrada a melhor descrição seria “estranhamento cheirosa”!

Conseguimos entender, logo na entrada da vila, que tal estranho cheiro (mal cheiroso, diria eu), vinha do complexo industrial que existe lado a lado com a vila. Empresa de celulose que deve dar muito emprego na vila, mas também deve dar muita dor de cabeça, com aquele cheiro impossível de se não dar conta.

Era uma manhã de Sábado, de um fim de semana frio. Logo à chegada a temperatura encontrava-se abaixo de zero, três graus muito frios. Felizmente não chovia.

Eu e o Eduardo decidimos participar nesta segunda prova da competição Território Circuito Centro. A opção foi na distância mais curta (27 Kms). Para os mais entusiastas havia ainda uma distância mais longa (47 Kms).

O ponto de encontro seria na tenda da organização, mesmo no recinto do mercado, mesmo no centro da vila, logo ao pé do rio. Ali levantámos os dorsais e ali ouvimos o briefing. E ali também nos aquecemos. O P Luzio tinha vindo ter connosco. Partíamos todos juntos mas ele iria fazer a volta dos 47 Kms.

Para variar havia todo o tipo de corredores: Grandes, pequenos, gordos e magros, barbudos e carecas, com uma singela garrafa de água na mão e outros com a “casa as costas”.

E foi as 9 horas em ponto, que partimos para o “passeio”. O local de partida seria também o final. O frio era cortante, por isso foi com contentamento que comecei a correr e passei o portal que indicava o início da corrida………






Era sempre a mesma coisa!
Quando saímos do portal traildimensional era o começo do formigueiro nas pernas.
E aquela missão deixava-me nervoso!

Rondum, A terra celulósica!
Conhecida pelos poços de fumo, Vila do Rei Vamba!

“Torr, Edur, …..atenção aos buracos do chão! Encontramo-nos no final, depois do portal! Boa sorte!” – Luzinix, o Raider da volta maior, acenava-nos e galgava caminho, como tivesse molas nos pés.

Pertencíamos ao Grupo dos Regulares. A nossa distância era metade da dos Raiders. Isto porque eles teriam que “varrer” a parte de fora da Vila, mas ambos acabaríamos por atacar o Castelo do Rei Vamba. Em alturas diferentes, claro, mas com o mesmo objectivo, a tomada do castelo.

Reparei que varias casas compunham o pelotão dos Regulares e mesmo assim ainda haviam vários que vinham por conta própria.

Em pensamento agradeci os conselhos dos meus mestres.
Levava o emblema da Grande Casa Geral da Caixa, que depositavam grandes esperanças na nossa perícia e vontade.

Todos levávamos as vestes mais florescentes, serviam pra confundir o inimigo e identificar  os aliados. Contornámos as “bocas de fumo” e metemo-nos pela vereda verde.

Meteo* deveria ter adormecido, pois apenas estava frio. Felizmente esquecera-se de soprar naquela zona.

Algum tempo depois vislumbramos o Druida Cincoquilometrix.
Apenas acenámos e prosseguimos caminho. Aquele apoio era apenas para os Raiders.
Passámos paralelamente à grande estrada que ligava o mar às Terras Altas. Aquela hora ninguém a utilizava.

No briefing, antes da partida, tinham-nos avisado para aquilo que seria a primeira prova de ferro e fogo, a subida à Casa de Eletricidade. 300 metros perigosos!
Por Kronos**, era tão íngreme como perigoso. Qualquer desequilíbrio poderia ser fatal!

Fiquei atónito. Pareceu-me ouvir o Mestre Geral a gritar “as vossas pernas são as vossas armas……………por isso ………..toca a lutar!”
Não, era mesmo dentro da minha cabeça!

Quando comecei a subir já o Edur ia a meio.
Apelei ao Deus Bélico*** e comecei a subir.
Lá em cima, alguém marcava o ritmo com a buzina de motivação. Às tantas tornou-se irritante.
Ao fim, já me apetecia tirar o barrete e as minhas vestes protectoras. Mas depois lembrei-me de outra frase emblemática: “ Destapa-te sem cuidado e pelo frio de Meteo és apanhado!”

Passei a minha atenção para as vistas. Soberbas! As montanhas limítrofes aconchegavam Rondum. Aproveitei para beber agua.

De seguida, olhámos em frente, antecipando o que viria a seguir.

Logo ali à frente, a Casa de Eletricidade era tocada por uma estrada de asfalto que nos levava próximo das Vilas Ruivas, misteriosamente amaldiçoada pelo Rei Vamba. Um ponto critico na nossa aventura.

A descida era rápida e com o asfalto a tocar-me as botas, tudo era ainda mais fluido. Parecia um escorrega negro.
Novamente terra batida mas antes ainda passámos pelo Druida Onzequilometrix. Trazia apenas água, mas calhava mesmo bem. Já tinha o meu cantil vazio.

Estávamos perto das Vilas Ruivas. Conta-se que o Rei Vamba, sabendo que os guerreiros das Terras Altas desceriam para atacar o seu território, transformou as mulheres deste sitio em belas damas ruivas, direccionando o interesse inimigo para outra zona que não o seu castelo. O plano foi tão certeiro que ele decidiu que o feitiço deveria perdurar até à eternidade, ficando a salvo de futuras investidas  dos povos vizinhos.

Sabíamos desta historia e por isso, quando entrámos na aldeia, pusemos as nossas lunetas antifeitiço com lentes negras e anti UV e raios solares. Assim conseguimos passar pelas belezas da vila, sem “perder o norte  e o trote!”.

No meio da aldeia encontrámos o ultimo druida da nossa viagem. Dezasseisquilometrix chamava-nos, mas algo fez-nos redobrar a atenção.
Oh não ……..o druida tinha sido corrompido, pois na mesa estavam uma panóplia de caldos e elixires. Demasiados. A tentação de comer e beber todas aquelas “relíquias” era grande. Ao meio um pote de um tentador doce de chocolate deixava-me nervoso!
Não……….não….., isto é mais esquema para nos fazer parar.
Moderação, moderação e muita atenção!
“Edur, come o mínimo, enche o cantil e vamos embora!”
Os salgados hipnotizavam o pobre do Edur!
E o banco ali ao lado, parecia convidar a repousar………..para sempre!

Foi com grande  esforço e concentração que saímos (fugimos) de Vilas Ruivas.

Voltámos a descer agora em direcção ao adormecido Velho Tagus.
Adormecido, mas não esquecido.
Diz a lenda que para não esquecer quem o visita, o Velho Tagus deslumbra de tal maneira os seus visitantes, que são estes que o não conseguem esquecer.
Por isso voltámos a pôr as nossas lunetas antifeitiços.

Passámos pela Fonte das Virtudes, local onde as mulheres da Vilas Ruivas se tornaram esbeltas, sob o olhar do Rei Vamba, lá no alto do seu castelo.
Foi para lá que olhei. Estava ali, o nosso objectivo. Bem perto, mas com muito para subir.
E a subida estava mesmo ali, mas antes vislumbramos as Portas de Rondum, talhada, diz a lenda, pela própria Terrana**** às escondidas de Kreator***, de forma a proteger os povos gloriosos de outrora.
Já estávamos cansados mas os cerca de 6 Kms, que ainda faltavam até ao portal de chegada, seriam duros.

E a subida até ao castelo do Rei Vamba, começava já ali.
Era uma subida perigosa, teimosa que nem uma cabra prenha!
Subida após subida, trilho após trilho, começávamos a ver o Velho Tagus de cima.
Mas cada vez era mais difícil.
As pernas fraquejavam de cansaço e as árvores eram apoios preciosos para descansar e para ganhar equilíbrio.
A meio um rio de pedras rolantes empatava os nossos passos e conquistavam os mais fracos.
A maldade do inimigo fez-nos duvidar do caminho que trilhávamos, pois os sinais orientadores postos na véspera pelos nossos olheiros, rareavam nesta zona.

Mas passada após passada, lá conseguimos tocar nos muros do castelo.
A conquista já tinha sido feita pelos Regulares mais rápidos, o nosso papel seria confirmá-la.

A vista, essa era deslumbrante. Um quadro perfeito.

Mas esta viagem era feita de pressa e portanto toca a fazer a descida até à vila.
Foi altura de perder o Edur de vista.
Descidas como aquelas eram sobremesas açucaradas para ele.
Já sabia que o ia encontrar lá em baixo a tirar pedras das botas.

A seguir mais uma extensão de 2 Kms de chão rochoso.
Era o princípio do fim.

O verde começava a rarear.
Começamos a passar por hortas, casarios e de repente estradas e caminhos.
Estávamos perto, estávamos quase.
Já me via a chegar ao acampamento final, logo após a passagem do portal traildimensional.

Mais umas voltas, que dispensávamos e a recta final apresentou-se à nossa frente.

Seria visão ou conseguia ver, no outro lado, copos cheios de hidrocevada prontos para ser bebidos??!!

“Saiam da frente, deixem passar esses copos são todos para m………………….”




Um abraço à Sra das medalhas, era mesmo isso que eu precisava!
Isso e um sítio ameno para esticar as pernas e descansar o corpo.
E ali estava mesmo ao lado a tenda da organização, com uma mesa cheia de comida e bebida. E logo a seguir chegaram uns doces tradicionais chamados “pantufas”!

E foi de pantufas que enchi as mãos de comida e fui para o chão de descansar.
Merecido para quem Merece!

Pena foi que o duche disponível era afinal de água fria. Isso não foi nada merecido. Foi um dos duches mais rápidos que tomei.

Retornámos à chegada para esperar pelo P Luzio.
Bom e enquanto esperávamos, mais comida foi chegando e nós fomos reforçando a nossa saciedade alimentar.

Ainda bem que não choveu e ainda bem que a corrida tinha sido num Sábado.
Estava a ser um fim de semana bem passado e ainda faltava Domingo.

Ah………..adoro fins de semanas que passam devagar!


* Senhor do clima e do vento
** Senhor do tempo
*** Um dos três deuses, construtores do universo
**** Senhora da fertilidade, Mãe de todas as coisas vivas na terra

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Corrida do Atlantico - Record agridoce

A luz solar teimava por rasgar por entre as persianas dos meus olhos, estraçalhando os sonhos que passivamente decorriam no meu interior, como que a dizer para sair para o mundo e torna-los realidade (já é a segunda vez que faço introduções com o acordar).
Mi: Bom dia Zé, são 8:15 da manhã e temos corrida daqui a pouco. Queres levantar esse rabo preguiçoso da cama?
Zé: (bocejo) Bom dia para ti também Mi. (espreguiça) Dormiste bem?
Mi: Dormi pois. Afinal não é todos os dias que se vem passar a noite num hotel na localidade onde se vai efetuar uma prova, para evitar toda aquele stress logístico de acordar cedo, preparar o pequeno almoço e enfrentar para o frio gelado do mundo de calções e tshirt.
Zé: Na mesa do pequeno almoço, vejo 4 variedades de pão, bolos caseiros, croissants, folhados recheados de doce, fiambres de porco e aves, queijos, manteiga, doces, uma variedade de fruta, sumo de maçã, sumo tropical (?), sumo de laranja, leite, chá e café. Esqueci-me de referir alguma coisa? ah bolas de Berlim! :) e o que é que eu vou comer? nham nham... e o que é que eu posso comer? hmmm...
Mi: Isto é um blog de culinária? Vês pessoas com chapéu de chef no cabeçalho da página?
Zé: (Glup) Se calhar fico-me por dois pãezitos com fiambre de aves e um sumo de laranja tenho uma prova a seguir (suspiro)...
Mi: Zé larga essa bola com creme! Volta a pôr no tabuleiro! Isso... Larga! LARGA! Muito bem. Menino bonito.
Zé: Mas apetece-me... Chegado ao largo onde fica o Núcleo Zbordinguista (desculpem não consigo evitar) da Costa da Caparica, onde por acaso encontro o Rodrigo e a Rita dos Surf Runners. Corrida puxa corrida, conversa puxa conversa,  e rapidamente desagua em galhofa. Pouco depois o Fernando Carvalhão com quem tinha combinado fazer a prova.
Depois de aquecer os abdominais a rir, resolvi que era tempo de aquecer as pernas e depois de um curto aquecimento deu-se a partida.
Mi: Muita gente empacotada numa rua muito estreita...
Zé: Sim, no inicio da prova gera-se a confusão, os slaloms iniciais, passo após passo, ruela após ruela consigo fazer o 1º km em 4:57. O objetivo era fazer até ao 9º km abaixo dos 5 min/km e a partir daí logo se via.
Mi: Mas os 2ºs e 3ºs kms foram a 4:49 e 4:48... alguém anda a treinar e a perder peso. Sim senhor.
Zé: o problema foi o 5º km, correr no paredão, a pisar a areia como se fossem cascas de ovos, a lutar contra o vento torna-se um pesadelo...
Mi: Vá lá para de resmungar, até eu já vou à tua frente. Olha ali aquela rapariga à frente com umas calças de licra em padrão tigresa, adoro estas modas. Vamos apanhá-la?
Zé: Está bem, anda lá.
Pouco depois...
Zé: Já a apanhámos. Espera... ela não está a usar roupa interior, ou está? Deve estar, não acredito que... bom.
Mi: Olha, há ali outra à frente. Vamos apanha-la.
Zé: E com isto fiz o km mais difícil em 4:59, abaixo dos 5 mins/kms. Mais um objetivo cumprido. Ganho confiança e vou até ao km 9º sempre abaixo 
dos 5.
Zé: Cheio de confiança de que iria ficar abaixo dos 49 minutos aos 10 kms, quando vejo a  marca do 9º km acelero a passada até aos 4:20 por km.
Mi: e aos 48:21 o teu relógio começa a apitar por todos os lados, a declamar ao mundo que acabaste de bater o record dos 10 kms, qual Fernando Mamede, mas a verdade é que CONTINUAS A CORRER COMO UM LOUCO E NÃO VÊS A META EM LADO NENHUM.
Zé: Desesperado começo a sprintar que para ver se o tempo final ainda é um record, e 250 metros à frente finalmente corto a meta 49:16 segundos depois de ter começado e 10 segundos abaixo do record anterior.
Sabor amargo e doce no final. De qualquer forma, grandes treinos dão nisto: missão cumprida.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Teste de Forma #2

Passaram apenas duas semanas desde o primeiro, mas este domingo fui de novo ver como estava a forma física. Na verdade, foi mais fruto das circunstâncias. Com pouco tempo de manhã, não queria chegar a casa tarde, pelo que optei por um treino mais curto e praticamente igual ao que tinha feito duas semanas antes. 50 kms de bicicleta, seguidos de 6/7/8 kms a correr, conforme o desempenho físico.
O percurso de bicicleta foi exactamente o mesmo, um trajecto praticamente plano e que é um bom treino para a cadência e com algumas subidas pelo meio, não muito acentuadas, mas suficientes para obrigar a intensidades diferentes ao longo dos 50 kms. E de seguida a corrida. Há duas semanas as sensações não tinham sido as melhores, com muitas dores nos tornozelos a partir dos 3/4 kms, o que me fez encurtar o treino. Desta vez a prestação física foi muito melhor e até deu para correr um pouco (muito pouco) mais.


O resultado foi animador, até porque estas suas semanas não foram óptimas no que tocou a treinos, devido a umas dorezitas que para aqui tive, não relacionadas com actividade desportivas, mas que me tiraram toda a vontade de fazer o que fosse.
Assim, no treino de bicicleta não houve grandes diferenças, mas mais uma vez o intuito não era testar os limites nem fazer um contra-relógio. E na corrida a coisa esteve bem melhor. Parei aos 6 kms por uma questão horária e não por necessidade física. Se tivesse mais tempo, teria ido aos 10 kms, sem problemas.

A evoluir, portanto. Como se quer...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Em Janeiro foi assim...

E Janeiro já foi. O primeiro mês do passou-se de forme intermitente. Isto porque as constipações andam por aí e também eu não fui capaz de as evitar. E assim estive quase duas semanas parado à conta disto. Mas as outras duas semanas foram boas, com a resistência a melhorar, quer na corrida, quer na piscina.
Entro agora naquela contagem decrescente de três meses que faltam para o Triatlo Longo de Lisboa, a 2 de Maio, meses fundamentais para que chegue a Maio num pico de forma ideial para a prova em questão. Vai ser um processo evolutivo. Vamos a ele.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Grande Prémio Zeca Afonso em Grandola

 
Lembro-me vagamente que a minha felicidade tinha um olhar malandro, um sorriso inocente e rebuçados na mão... mas tudo foi estraçalhado uma fração de segundo depois, por um som insistente irritante de um despertador.
Estava tudo negro, era domingo de madrugada e um relógio distraído insistia em emitir um som estridente, pensando que era segunda feira. As minhas pálpebras sentindo o calor da cama e coladas uma à outra pela memória do sonho passado, recusavam-se terminantemente a abrir mão daquele abraço ao globo ocular, à espera de voltar a um mundo cujas portas já se tinham fechado para sempre.
Tenho de me levantar e ir trabalhar pensei, mas não, afinal hoje é domingo e não segunda e são 6:40, dia do Grande Prémio de Grândola - Zeca Afonso. Mas porque é que eu me meto nestas andanças? Viciado em corridas, que amor doentio é este? Lembrei-me dos versos de Camões cantados pelo Zeca:  Aquela cativa /Que me tem cativo, /Porque nela vivo/ Já não quer que viva, ou os amargurados: Que o amor não me engane...
Dentro da minha cabeça, algures no meu hemisfério esquerdo, três velhinhas muito velhas, todas encarquilhadas cobertas com mantas negras que se encontram à volta de uma fogueira avisam-me: Nunca se deve voltar onde se foi feliz!
Quis o destino que eu me tentasse inscrever para todas as corridas que não aconteceram: A corrida dos Maristas e a Ex Clássica de São Domingos de Benfica pelo que "não tive" outra hipótese senão ir correr pela 2ª vez a Grândola. O Fado é assim, não se pode alterar.
 
Desta vez consegui convencer o agregado familiar mais próximo, nomeadamente os sogros, a embarcar nesta viagem. E foi na carroça familiar com um escudo de leão rampart que atravessamos o Tejo, mergulhar num mar de sobreiros com o ar a 5ºC.
Depois da minha mente aterrar em Grândola, levantei os dorsais, virei as costas à família e fui aquecer, por sua vez a família virou-me as costas e foi-se debater longamente com umas bolas de Berlim.
A verdade é que, desde a pubalgia que me tem sido difícil fazer grandes distâncias, pelo que optei nos últimos meses por treinar velocidade. Sentia-me capaz de bater o record pessoal dos 10 kms de 50:31, seria algo de rés vés mas com a companhia certa a azucrinar-me a cabeça andava a treinar muito bem e  este era o meu objetivo para o 1º trimestre.
 
Antes da partida começo a sentir uma grande pressão abdominal... gases (sim, escreve-se sobre estas questões neste blog). E como sabem, os gases são a antecâmara da morte do corredor, não só dificultam a respiração como... bom, se os gases são a antecâmara, a camara propriamente dita conseguem imaginar o que é? Se não conseguem, pesquisem fotos da Paula Radcliff  na Maratona de Londres 2005.
Depois da partida, arranquei com os outros corredores num ritmo caótico, como se fosse uma sopa de atletas que se despeja pelo cano abaixo. Ainda perdi uns 7 segundos pelo menos... a atar os atacadores, mais uma vez.
Tinha pensado correr na defensiva os primeiros kms, mas tal não foi possível. A dinâmica inicial levou-me de uns planeados 5:20 para os 4:59 e o segundo km a 4:53 - Este ritmo leva-me a uma dor de burro antes do km 6ª de certeza, pensei.
Nos kms seguintes consigo conter-me para um ritmo ligeiramente acima dos 5:00 por km, quando saímos da cidade, passámos por cima do viaduto sobre o IC1, entrámos pelo montado de sobro adentro durante 1,5 kms para voltar à cidade.
Ao 9º km sei que ou é agora ou não é. Acelero gradualmente a passada conjuntamente com um companheiro ocasional que mais à frente rebenta.
A cada passo sinto que posso ficar abaixo dos 50 minutos, e lembro-me que o homem que me levou a correr, o Ricardo está de baixa mais uma vez, lembro-me da personal trainer que andou a chatear a molécula para perder peso e para correr mais depressa, penso na dor de burro que me está a aparecer. Na praça principal o resto da família observa à frente do café as últimas centenas de metros.
Viro à direita para a reta da meta e vejo o cronómetro oficial nos 49:20 tento acelerar, mas pela primeira vez numa corrida não tenho forças para sprintar, corto a meta aos 49:20's e qualquer coisa, bato o meu record!
Finalmente! Depois de tanto esforço, de tantas lesões... e de repente sinto um vazio, a falta de alguém para partilhar a alegria, nenhum amigo para fazer um Hi5, um abraço, ninguém para comentar. Falta-me o Ricardo que é um grande entusiasta, falta-me a Sofia com quem treino, falta-me o Pedro e o Rui, enfim. É tão inócuo o sucesso individual quando não se tem ninguém para partilhar a alegria, não é?
O que vale é que as instalações do Grupo Desportivo de Grandola disponibilizam um banho organzado, quentinho a que se seguiu um repasto de iguarias alentejanas. Foi a segunda vez que lá voltei e foi a segunda vez que lá fui feliz.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Nas Curvas da Dª Bucelas – III Trail de Bucelas

Bucelas é uma senhora, sentada onde antes era uma floresta, verde por causa do arvoredo e cinzenta por causa da sua serra.

Conhecia neste Domingo, fria e calma. Calma……….nem por isso. Tinha acabado de ser invadida por um exército  de corredores de montanha, dissimulados com cores berrantes e loucos por a calcar de fio a pavio. Eu também lá estava e embora não seja o meu melhor prazer, andar a correr nas montanhas (por causa disso mesmo, por ser a correr), decidi, neste início de ano (que coincide com o início da preparação para a maratona de Liverpool) “abraçar” estas “correrias”, em nome de uma melhor e maior preparação física.

A Srª Dª Bucelas, tem um centro pequeno, onde se situa uma rotunda, com uma pipa no meio, para anunciar, a quem ela visita, que se produz e bebe vinho regional nas tardes de verão e no inverno ao serão.

Na verdade vim acompanhar o Eduardo nas subidas ingremes e nas descidas a pique.
Bem, acompanhar é uma noção simpática de companheirismo. Apartir do 15º Km, era ele que fazia a festa toda: Subia, descia, parava à minha espera e voltava a desparecer lá a frente.

Comecei a conhecer as curvas da Dª Bucelas às 9h00. Ia vestido a rigor, como um corredor de montanha, pronto para conhecer o melhor que ela tinha para oferecer e até ao 15º Km foi amor correspondido. Eu corria, subia e descia nos seus caminhos, uns recondidos outros à vista de toda a gente.

Mas bucelas, a senhora dona de tantas curvas de amor e desníveis de humor, decidiu pôr-me nervoso, “barrando-se” de lama, tornando-se mais perigosa esta “corrida a dois”.

Quando subi ao seu cimo (o único, pensava eu), estava cansado mas contente. No ponto de abastecimento (lá em cima), brindei com ela, o nosso encontro. O abastecimento era suficiente para se assim chamar. Os tempos não estão para exageros e afinal estávamos ali para correr.

Depois …………….depois foi a nossa zanga.
Ela mandou chover e fiquei todo molhado. No chão a lama apresentava um sem número de passadas. Não era o único, não era o primeiro e ainda por cima…………….estava encharcada!

Na descida pensei que não haveria mais alterações de humor!
Ingenuidade a minha! Ela levou-me até ao rio e obrigou-me a fazer mais uma mão cheia de quilómetros a subir, como se brincasse comigo! As variações de humor nas senhoras nunca são expectáveis e quando surgem, é a valer!

Perdi o meu humor, perdi a minha boa disposição.

Voltei a subir aos seus ombros e lá em baixo, vi a meta,
A vista era maravilhosa e houve que em plena competição tenha parado e sentado na ravina, só para admirar.

Mas eu não queria parar.
Os pés latejavam, respiração ofegava e lá mais à frente, a descida das descidas, escorregadia até mais não, levava-nos a pensar que depois disto, não haveria mais outro amor.

3 horas e 50 minutos depois, voltei ao centro dela. Novamente à rotunda com a pipa no seu centro.

Foi uma manhã de intenso esforço, o plano para almoçar nas redondezas foi abortado. A chuva voltava a cair e já não havia pernas (nem disposição) para voltar aos balneários.

Dª Bucelas, se me ouve (Lê, melhor dito…..quer dizer escrito), voltarei um dia, mas espero que prescinda da lama. Se assim for…………eu prescindirei da rabugice.

Ate lá

Grande Premio (O) Fim da Europa 2015

É uma das poucas corridas em que normalmente visto uma t-shirt de mangas compridas. E muitas vezes com corta-vento por cima. Porque é Janeiro, e o clima é de inverno (com frio, chuva, vento ou tudo junto) e porque é na montanha, com todas as vicissitudes que advém de tal cenário.

Mas este ano, São Pedro, surpreendeu-nos pela positiva. Clima ameno, sem chuva, sem vento.

Claro que a boa disposição e os desníveis do percurso foram presença assídua.

E é claro, mais um ano com lotação esgotada na participação. É de facto uma prova já perfeitamente implantada no calendário atlético.

Quis o destino que este ano coincidisse com o dia das eleições antecipadas na Grécia. Não sei se lá seria o fim da Europa. O que é certo é que em Sintra, apartir das 10 horas, iria partir para lá.

Devido a necessidades de logística, tive que ir deixar o carro na Azoia (a localidade mais perto do fim da meta). Esperava assim, uma boleia dos companheiros do Clube de Corrida, para o início da prova. E assim, o Eduardo deu-nos boleia (o Pedro R e o Filipe também aproveitaram a boleia), para o que seria o início das hostilidades.

A Sofia também tinha optado pela mesma estratégia. E ainda bem, já que teve direito a ir ao pódio! E assim entre beijinhos e fotos, podia não ir a tempo de apanhar os autocarros da organização.

Mesmo com duas partidas faseadas, não foi fácil subir as primeiras subidas até ao 4º Km. Alguma confusão (mas porque é que não optam pela segunda fase da partida, uma fase mais lenta??!!), para além das próprias subidas a amontoar o pelotão.

De resto, as subidas “deliciosas” e a “fortíssima” descida para Azoia, fizeram companhia na corrida.

O final teve uma variante em empedrado, mas a meta já lá se via ao fundo, portanto qualquer esforço adicional era facilmente aceite.

Como o tempo estava ameno, deu para alongar fora da tenda da organização. O chá e o bolo de chocolate foram um repasto que intermediaram as conversas pós-corrida e ainda deu para a fotografia da praxe.

O retorno aos carros, que estavam a 2 Kms da meta, foi feito em “salutar cavaqueira”. As endomorfinas ainda circulavam portanto o passeio fez-se sem cansaço e já a pensar nos desafios que o mês de Fevereiro iria trazer.

Eu diria “até para o ano serra”, mas atendendo ao facto de que alguns treinos de fim de semana, são feitos na serra (aproveitando uma parte do percurso desta corrida), direi simplesmente “Ate já”!