sábado, 31 de outubro de 2015

Trilhos de Halloween

Hoje acordei, levantei-me e fui... eu sei, era dia das bruxas, noutros tempos seria o inicio do ano novo no calendário celta... mas pese embora me tenha enfiado em modo de reconhecimento por trilhos desconhecidos em Monsanto, não vi fantasmas, nem cavaleiros sem cabeças, nem bruxas... mas que as há... há.




A luz "bruxuleava" por entre as copas...






(obrigado mais uma vez aos BTTistas pela criação destes trilhos maravilhosos)














Hmmm colhiam-se medronhos em Monsanto, passeavam-se cães e pais brincavam com filhos. Quando se tem as prioridades certas a vida é fácil.







No final foram só 11 kms, mas foram bons.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Nadar como uma menina - Efeitos dos treinos da maratona I


Não consigo deixar de partilhar esta situação pela diversão e pelo interesse pedagógico. Pode parecer ridículo, mas é interessante o ponto de exaustão a que o meu corpo chegou no decorrer dos planos para a maratona.
Terça feira ao final da tarde fiz um treininho de 14 kms, fiquei no limite das dores nos adutores, mas o treininho foi bom.

Quarta feira imergi-me  todo confiante na piscina e em vez das 8 piscinas de aquecimento fiz 12 de crawl sem perder o controlo da respiração. Depois mais umas piscinas de braços e outras de pernas até que tive uma caimbra no gémeo esquerdo. Nada de novo, é habitual e costuma passar. Retomei as braçadas... Todavia desta vez a caimbra teimava em ficar.

O musculo não desprendia, a caimbra continuava e por isso o professor pediu que saisse da piscina. E foi com a única perna que ainda funcionava que tentei saltar da piscina cá para fora. Todavia mal fiz força senti o gémeo direito a ficar preso... numa caimbra.
FABULOSO, TINHA AS DUAS PERNAS PARALISADAS E A DOER COM CAIMBRAS!!!

Arrastaram-me de costas para fora da piscina e o professor passou a 2ª metade da aula a fazer-me alongamentos e massagens (cuidado com as bocas e os boatos) nas pernas.

O pessoal do triatlo a olhar para mim, as raparigas da aula a olharem-me de lado...
A vergonha...

Já sei, falta de magnésio...

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Maratona do Porto - Treino Crepuscular

Estava eu parado uma encruzilhada na minha cabeça ir à maratona ou não ir? Batiam as 18h de uma sexta feira, tinha gravado os ficheiros de excel, desligado o portátil e saí do emprego para "O treino". Monsanto esperava-me, enquanto a cidade a cidade estava mergulhada num crespuculo outonal numa tarde que já não era dia nem era noite, num Outono que já não era Verão, mas também não era Inverno.


Nesta antecâmara que tem sido a preparação Maratona, tinha corrido da forma anacrónica. Até ao primeiro treino de 25 kms, no inicio de Setembro, tinha corrido tudo bem, perfeito, o próprio treino correu de forma excelente, excepto aquela queda que me fez uma contusão nas costelas e me obrigou a ficar duas semanas no estaleiro... a perder a forma. Depois o regresso das dores da pubalgia no treino longo de 30 kms, dos quais só consegui fazer 27 kms, e acabei totalmente agachado por causa das dores.


Foi assim que sai da cidade e submergi em Monsanto, o cheiro a terra molhada lentamente lavou a fuligem da dúvida dos meus pulmões. Comecei primeiro pelos caminhos conhecidos de alcatrão para aquecer e depois fui para os estradões já conhecidos. O meu objectivo deste treino, não era nada de especial, era ver se em 10 kms as dores da pubalgia regressavam... e tomar a decisão sobre se iria à Maratona.



Depois de sair do Jardim do Calhau e entrar na Mata de São Domingos de Benfica, voltei aos estradões de terra batida até que, depois de uma curva, ergue-se à minha frente uma velha muito velha com uma ruga no nariz que me apontava o dedo para um trilho escuro, castanho para  BTT que desaparecia na folhagem verde, pelo menos foi uma velha que me pareceu à primeira vista, depois percebi que era um tronco de árvore tão retorcido, tão retorcido que parecia uma velha muito velha.





Há qualquer coisa de subversivo algo de profundamente libertador em correr em trilhos na natureza, quebrar os grilhões da cidade, sair da estrada por onde nós íamos e mergulhar na floresta, na montanha, a chover, com frio, sem ninguém nos dizer onde e quando deveremos correr, andar, tirar fotos ou voltar a correr, virar de repente à direita, ou à esquerda, subir montes, ver paisagens fantásticas ao mesmo tempo que nos sentimos parte dessas paisagens e portanto sentimo-nos fantásticos. A qualquer momento poderemos deslizar na lama, saltar sobre pedras soltas, com sapatos completamente enlameados, com silvas a rasgarem-nos as pernas, a passar por baixo de árvores caídas, com cada passada absorver todo e qualquer pensamento, correr em trilhos é a electricidade a percorrer o nosso corpo e a nossa mente, é como conhecer o nosso primeiro amor, uma e outra vez, é estar sozinho, sozinho, completamente sozinho, mas com melhor companhia possível, a nossa, até que cheguei àquela clareira, sem árvores altas à minha volta, apenas um grupo de rebentos verdes e amarelos que me rodeavam e me começavam a chegar à cintura, aos ombros, ali naquela clareira, sem vista para qualquer coisa nenhuma humana, despido de medos, despido de tudo, vestido de mim, ali naquela clareira estava ofegante, extenuado, suado e gelado, mas ali naquela clareira eu era livre, ali tinha um sorriso rasgado, ali fazia o que gosto e o que queria, era aquela a razão porque corria, ali eu era feliz, ali naquela clareira eu sou eu, mais nada. Se me visse de fora para dentro, o eu que estava naquela clareira, pese embora saber que não tinha o corpo preparado para fazer uma maratona, pese embora saber que nunca poria em causa a possibilidade de correr naquela clareira por causa de uma pubalgia que já o retirou três meses de actividade, aquele eu não irá à Maratona do Porto porque não é um sonho dele, pelo exercício de livre arbítrio, porque não o quer, porque não tem uma motivação intrínseca para o fazer, aquele eu, como os mais próximos dele sabem tão bem, nunca deu importância que outros dão à maratona, nunca sentiu o ouviu o chamamento, o chamamento dele vem da montanha, vem dos rios, vem dos pássaros, vem do resfolgar das folhas, vem da floresta, aquele eu tem 41 anos e já não está para fazer fretes, onde frete quer dizer, fazer o esforço descomunal que uma maratona exige para atingir algo com que neste momento não sonha, este eu não desiste do seu sonho em contrapartida da pseudo-gloria dada por uma maratona.





Subitamente o trilho acaba e numa contracção expulsa-me do ventre do bosque para um estradão, mentalmente grito em protesto contra o fim do trilho, o fim do prazer, o fim do bem bom que se estava lá dentro: Quero voltar!!!




Corro devagar para recuperar a respiração até que um Gaio se planta num ramo de um pinheiro a 3 metros de mim a grasnar ameaçadoramente, paro surpreendido pela situação, penso que deve estar a tentar proteger o ninho da minha presença, mas a verdade é que não estamos na época de nidificação... estamos no outono. Tomo aquilo como um aviso, olho para o relógio, reparo que já fiz 10 kms e sei que já tenho as respostas que queria e volto para trás resoluto e em paz comigo mesmo.



No final...

Ele: O que é que leva gente como tu e eu a adorarem passar 4 a 5 horas dentro da montanha a correr, e não encontram a motivação para passar 4 a 5 horas a correr em estrada?


Resposta: Não sei, mas descubro novas respostas a cada treino que faço...

sábado, 10 de outubro de 2015

A dor é inevitável o sofrimento é opcional

(A verdade é que estes treinos têm vindo sempre a correr com a boa disposição dos amigos)

Desde o final de umas férias onde que não consegui parar de correr, mesmo com grande dificuldade devido ao calor, que iniciei a minha preparação para a minha primeira maratona. Não é que este objectivo seja um grande sonho adormecido em mim, aliás foi mais uma ideia de grupo... algo que entra de fora para dentro...

Ainda assim, a minha semana de divertimentos foi arquitectada da seguinte maneira:

2ª feira - Reforço Muscular de abdominais, glúteos e pernas
3ª feira - Corrida
4ª feira - Descanso (ah que horror)
5ª feira - Corrida
6ª feira - Descanso (ah o drama, o horror)
Sábado - Treino Longo
Domingo - Natação - Excelente como anti inflamatório.

Os dias passavam e os treinos corriam bem, fazia 15 kms com uma perna às costas, fiz treinos de 20 kms, fiz treinos de 21 kms e fiz um treino de 25 kms na zona da Expo. Tudo correu bem... bem? Bom, no treino de 25 kms dei um tralho que pese embora não me tenha aleijado por aí e além mas que à noite, à medida que o meu corpo arrefeceu senti uma forte dor nas costelas que me dificultava cada respiração.

Com receio de ter partido algumas costelas, no dia seguinte, fui a correr ou melhor rapidamente tirar um raio x do torax que revelou... nada. Foi apenas uma contusão, nada que 15 dias de descanso não cure.

Para além destes treinos de corrida, havia algo que não ia tão bem. Frequentes idas ao norte em trabalho coincidiam com os dias de reforço muscular e a época de praia cortava-me a vontade de ir à piscina ao fim de semana.

O Verão passou e o Outono voltou e 15 dias depois, voltar a correr e ao programa de treinos, novos treinos de 8 kms... treinos de 10 kms... vários treinos de 15 kms, um de 20 kms até que fui fazer outro longo, desta vez atirei-me ao objectivo de 30 kms na Expo.


Os primeiros 10 kms correram lindamente e depois de uma pequena paragem para abastecimentos iniciamos uma segunda parte de 15 kms. O cansaço foi-se acumulando e com ele uma dor abdominal e dos adutores a partir dos 24 kms, até que aos 27 obriguei-me a mim próprio a parar por causa da dor.


Os sintomas eram semelhantes aos da pubalgia, pelo que na 2ª feira seguinte tratei de ir directamente para a sala de tortura perdão, aula de abdominais, e depois para uma aula extra de natação na 4ª feira. Vocês podem não acreditar, mas os sintomas passaram...


Neste fim de semana seguem-se dois treinos saber se estou em condições e para tomar a decisão de ir à Maratona ou não.

Porque "a dor é inevitável o sofrimento é opcional"