sábado, 26 de março de 2016

Maratona de Barcelona



Enquadramento
A preparação para a maratona do Porto, uma sopa cozinhada todos os ingredientes a que teve direito, toda a insegurança que acarreta misturada com o excesso de entusiasmo e de entrega e algumas lesões, temperadas com muitas questões emocionais que se desenrolaram paralelamente resultou que o ouriço caixeiro que há em mim se enrolasse numa bola de espinhos algures numa floresta nos arredores de Lisboa, e recolhesse em contemplação.
 
Mas no fervilhar do levantamento de dorsais no Porto, fermentou um sonho comum a três estarolas quando nos entregaram panfletos de uma maratona na cidade à qual sempre me senti apaixonado, melhor uma cidade que sempre amei, pela sua história, pelas montanhas, pelo Mediterrâneo, pelas suas lendas, pelas suas arquiteturas, pelo orgulho das suas gentes tão diferentes entre si mas iguais na forma como vivem a sua cultura e nomeadamente pela sua língua – sim, adoro ouvir catalão e adoraria falar (não é, Kilian?) – por Barcelona.  

Sábado: dia -1

Naquela alvorada de sábado, nasci para um mundo frio e escuro, sabendo que nada, naquele mundo amoral, me faria parar de correr enquanto tivesse Daniel Sempere, Bea no coração, Fermin na cabeça a fazê-lo rir, e a sagrada família e o Palau da cultura Catalá diante dos olhos.
As malas que tinham sido deixado prontas de véspera, gritavam, na sua desarrumação, as marcas da minha inquietude interior. Ainda assim, deixaram-se levar para o aeroporto sem protestar com medo da reação do dono. Com o check-in feito de véspera e a mala de porão despachada, dirigi-me para o controlo de acessos.


O olhar curioso e focado dos seguranças para o monitor, enquanto a mala de mão é escrutinada pelo scanner, fazem-me rir para dentro, depois de ter passado no detetor de metais. Cada vez mais seguranças atrás do monitor... Seriam os sacos de pó do produto de recuperação? embrulhados tal e qual como se fossem pacotes de droga que levantariam dúvidas? Um segurança tira a mala do tapete e pergunta-lhe se pode abrir, ao que anui. Esventrada a mala onde estava depositado “tudo para correr”, saca de uma bolsinha de couro e nesse momento tenho uma epifania… o canivete da associação gaita-de-foles que me acompanha desde sempre…

O segurança fita-me com um olhar reprovador, abrindo e fechando a faca e, enquanto calça as luvas de latex, vem-me à mente uma expressão: Pesquisa de Orifícios Corporais… segue-se a desilusão...

Ao longe, num canto distante, os seus companheiros de aventura riem-se a bandeiras despregadas. Há distancia já sei que não se vão calar durante a viagem toda.



O resto da viagem decorreu normalmente, a aterragem, o aerobus, o check in no hotel, levantar dorsais e a pasta party. Nas conversas na fila para a “festa” começa-se a notar, na fonética das conversas à nossa volta, a dimensão da participação portuguesa. O resto do dia foi passado entre cavaqueira, reconhecimento do terreno e caça a mais pasta.

Ao entardecer, enquanto passeava à frente da catedral, uma multidão caótica circunda uma pequena orquestra que toca numa afinação perfeita. Será um concerto clássico? Não, à sinfonia dos metais segue-se a resposta de gralhas, tarotas e o tambori, instrumentos tradicionais catalães… é uma cobla.

A simplicidade da música indica-me que é tradicional. Pouco a pouco, a multidão parece dividir-se em pequenos aglomerados. E um movimento qualquer chama-me a atenção para o pés das pessoas à minha volta, que timidamente vão dando uns passos ao ritmo da musica, depois lado a lado, as pessoas vão se formando parelhas de todas as classes e idades, até que as várias parelhas unem as mãos, formando um circulo que dança a Sardana.

A praça, inicialmente apinhada de gente, está agora povoada por vários círculos dançantes e eu fiquei sozinho no meio. De repente, à minha volta celebrava-se improvisadamente a cultura catalã! Este país é fabuloso.


Para o fim do dia, tirei um tempo para mim, e caso não saibam “Cresci no meio de livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó cujo cheiro ainda conservo nas mãos”, e deslocando-me a pé até onde a Rambla de Santa Mónica se cruza com a Plaça del Teatre, fui visitar o Cementiri dels Livres Olvidats (cemitério dos livros esquecidos) onde há muitos anos tomei conhecimento do “primeiro livro que realmente abre caminho até ao seu coração.
Aquelas primeiras imagens, o eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás, acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual, mais tarde ou mais cedo - não importa quantos livros leiamos, quantos mundos descubramos, tudo quanto aprendamos ou esqueçamos, vamos regressar. Para mim aquelas páginas enfeitiçadas serão sempre as que encontrei entre os corredores do Cemitério dos livros esquecidos.”


A Noite e o dia 0


O plano de treinos pouco ambicioso, depois das lesões de Dezembro, agravado por solicitações profissionais que o impediam de treinar com a autodisciplina que a prova exigia, fizeram com que moderasse as suas expectativas. O maior treino foi de 30 kms, e o objectivo seria de fazer a prova em 4:30 / 5:00 horas com uma provável paragem para andar aos 30 kms. Assim, sem expectativas, Morfeu deu-me um sonho bom para passar a noite.


Um pequeno-almoço leve mas carregado de líquidos, hidratos, e dois dedos de palavras trocadas com um empregado do hotel, que usava um relógio do Ironman, foi o que me bastou para ir descontraidamente de metro para a partida. Porém, à medida que a minha cabeça emergiu do poço do metro da praça de Espanya e assimilava a grandeza de 20.000 maratonistas em polvorosa, conjuntamente com uma organização à altura da espetacularidade da cidade, fizeram-me ascender de uma realidade imaginada numa atitude de negação interior, para um sonho que se realizava ali e agora.


Encontrados os restantes elementos da excursão, foi tempo de me dirigir para a respectiva vaga de partida, a última, onde fomos entrando e encontrando numerosos portugueses, até encontrarmos o nosso lugar, parados… sem vento… sem som… parados… o mundo parado numa espera infinita…


Os raios de um sol matinal rasgavam obliquamente este aglomerado de prédios de raiz mediterrânica entre longas sombras negras e as paredes pintados de cores claras, enquanto dentro de mim lutavam os temores de um fracasso com a esperança de uma superação. Com o passar dos minutos, a claridade ia ganhando sobre as trevas.


À nossa frente um português e uma portuguesa, nos seus vinte e pouco anos, comentavam cúmplices a excitação da partida de uma primeira maratona para a qual tinham treinado juntos. Eu e o meu companheiro de corrida, ao ver toda aquela cumplicidade, olhamos um para o outro e, imbuídos de uma criatividade romântica, esperávamos a todo o momento a confirmação física da intimidade que se adivinhava. Esperamos vão...


Respondendo à convocatória, marchamos lentamente na direcção do portal de partida ao som da música épica de Freddy Mercury e Monserrat Caballé. O crescendo da dança entre violinos e vozes, ia-me criando um arrepio pelas pernas acima que ia brincando com a minha insegurança até que a força da palavra Barcelona, gritada como uma declaração de amor, "(...) senti que se me apertava a garganta e, à falta de palavras, mordi a voz."


Após explosão de foguetes e sob uma chuva de confettis começamos a correr...


Primeiros 7 quilómetros


Pela monumentalidade da Praça de Espanya, passando pelo Carrer dels Sants até à av. madrid, as passadas sucediam-se com uma calma que nos permitia soltar piadas que disfarçassem o nervosismo que ia cá dentro.


Naqueles primeiros quilómetros as ruas demoravam-se a acordar, olhavam-nos de portadas fechadas e babavam-se em poças de água estagnada que da limpeza da noite anterior, ao mesmo tempo que eram tomadas de assalto por milhares de corredores.


Subimos pelo Carrer de Numancia até à Travessera dels Corts, antecipando por visões entre prédios, a chegada ao Camp Nou. Pelo caminho, um grupo de Italianos animava as hostes com cantigas heroicas.


Quando se esperava que as hostes em transe numa avenida multicolor cantassem “Barça, Barça” eis que continuamos pacificamente a falar da vida e de raparigas. Apresentei ao Pedro o estádio do Barcelona B e a antiga academia do Barça.


Pouco depois do quilometro 7º, enquanto percorro a Av. Diagonal, uma pressão no baixo-ventre esquerdo segredava-me ao ouvido de que seria útil parar no abastecimento para… não Papa Kilometros, não és só tu, mando o Pedro que me tinha acompanhado até aí à corrida dele, mas ao chegar ao WC adensa-se o problema com uma fila à porta que me faz perder uns minutos e um quilo.


Do km 7º ao 21º


Sou despejado de volta para uma diagonal pejada de corredores e marchantes com cujos ritmos não me identifico, e não quero dizer com isso que sou muito rápido ou que sou melhor, não! Simplesmente aqueles tempos não me são confortáveis e pouco a pouco dou por mim a ultrapassar corredores, um após o outro, e um a um reparo na quantidade de corredores que levam a bandeira da Catalunha estampada nas costas. Há qualquer coisa a nascer neste pais.


Ao 10º km passamos pelo Carrer de Paris, passando por mais um abastecimento até ao Parc de Joan Miró até à Gran Via des Corts Catalanes, mais uma avenida enorme que me leva até ao km 14. Corro agora isolado de outros corredores, quando reparo numa rapariga adolescente que me fita ao longe com a mãe, ao passar por ela… “Vamos José!” (lê-se Bamos Hosê) algo que se ouve por diversas vezes durante a prova. Em todo o percurso o apoio popular foi extraordinário. Quase tão bom, como a São Silvestre da Amadora.


Faço o Passeig de Gracia até ao Carrer de Rosselló que desemboca na Sagrada Família onde as Susanas me surpreendem pela primeira vez com gritos de incentivo. Estamos no kmº 16… lembro-me de pensar - ainda falta tanto – enquanto vou em ritmo de passeio – tanto para disfrutar, tanto para usufruir.


Estou bem, não me dói particularmente nada, estou bem-disposto, tenho um sorriso nos lábios, estou com a moral em cima, a beber a motivação de cada passada que dava naquela cidade, e em cada recando sujo daquela cidade que adoro desde muito cedo.


O que penso naquelas horas em que me passeei pela cidade? Naquela dança monótona de passada sobre passada? Vêem-me à cabeça tantos pensamentos, tantas memórias, tanta coisa que passei pela vida fora e que alguns de vocês sabem. Estava só, mas estava bem. Estava só mas ia senpre alguém ia sempre comigo, quisesse ou não quisesse… E muita gente foi comigo ao longo daquelas avenidas longas e largas, viajei por muitas memórias largas e longas, muita dor, muitas gargalhadas, muita gente que sorrindo ou chorando durante anos e anos me ajudou a ser quem eu era ali naquele momento, correndo passada após passada, memória após memória.


Passada após passada passei a minha vida toda pela cabeça, todas as opções que tomei, todos os sonhos que segui… Tudo me dava força, e a força com que os segui dava-me força, pelo orgulho de tudo o que fiz, sem arrependimentos… Quem era aquele que se entregava tão apaixonadamente aos seus sonhos? Quem era aquele tinha uma força incrível para acreditar neles mesmo quando não resultavam? Não conhecia aquele Homem na minha adolescência…


E nem de propósito ouço uma banda no caminho, ajudava ao sentimento...


Sé molt bé que des d'aquest bar

jo no puc arribar on ets tu

però dins la meva copa veig

reflexada la teva llum

me la beuré

servil i acabat

boig per tu.


 

Estou agora na Avenida Meridiana – outra longa e larga – no km 20, e vejo-me a aproximar das lebres das 4h30mins. Era onde tinha deixado o Pedro, será que o vou apanhar aqui? Não, ultrapasso as lebres e passo o portal da Meia Maratona com 2h12min de corrida.


Do km 22º ao 30º


O calor começava a ser o elemento dominante na lenta descida que se iniciava no km 20, em direcção ao mar. Chegamos à Av. Valenciana e começo a ver um casal que corre "aos 4 ao km" de camisolas amarelas. Era o Victor e a Isa, aos quais passei perto da Pont Calatrava fiquei com esperanças de também ver o João Lima mas não o apanhei. Aos 24 kms estava na Gran Via e começava a decair com o calor... Deixei de usar o boné e a despejar água pela careca, perdão cabeça abaixo.


Do início da Av. Diagonal, um monumento fálico em vidro espelhado penetra o horizonte urbano da cidade, a Torre Agbar é uma visão indescritivel, ainda assim dei por mim a procurar a sombra a cada passada. Até que vejo pela segunda vez as duas Susanas aos gritos de Zé. As feições cansadas dão lugar a um sorriso em esforço.


Do km 30º ao 36º


Finalmente cheguei ao lençol azul que banha a cidade, o mediterraneo, e passando num aspersor de água sinto pela primeira vez, no refrescar corporal o quão cansado o meu corpo está. Para o castigar ainda mais, ultrapasso um casal que se irá casar em breve... Ela tem o pedido dele escrito na camisola.


Nunca tinha corrido mais de 30 kms, sabia que a partir daqui era território desconhecido para o meu corpo, para a minha cabeça. Como é que iria reagir ao cansaço? Aos quilómetros acumulados? Ao cansaço mental?


Estava agora na marina olímpica e na marginal por onde as minhas pernas me iam carregando, uns corredores começam a ficar para trás, outros começam a andar, outros ainda de cabeça baixa vão lutando contra o que, sendo invisivel para quem vê, se sente cá dentro, vão lutando contra si próprios. Junto dos pinheiros que ladeiam a estrada, homens e mulheres quebrados por espasmos musculares, param alongam os músculos. Sinto influencia exterior de tantos corredores a parar, a desistir à minha volta. Este espetáculo faz-me engolir em seco, faz-me tremer por dentro, faz me temer pelo que me espera.


Subo Carrer del Marina com começo a sentir o cansaço a acumular-se nos abdominais, na cintura mas ergo a cabeça e ao ver a Sagrada Familia ao fundo, encho-me de brio e continuo a correr. Mais à frente, no Parc dela Ciutadella, os sons de "No hay nadie como ella" apimentam uma aula de salsa ao ar livre, dão me vontade de parar e dançar, sorrio e continuo até entrar no Passeig de Lluis Companys, onde milhares de pessoas aplaudem e levam-me nos seus gritos até ao Arc de Triomf e à ronda de Sant Pére. Estou tão cansado, estou tão só e estou tão feliz

Ergui a cabeça e gritei mudo contra o mundo: Venha daí o muro! Não vou parar de correr.


O muro - 37º km ao 42º

Não vou parar de correr, que venha o muro, cerrei os dentes, não vou parar de correr, estava de peito feito, que venha o muro. Estávamos no km 37 e sentia-me cansado mas confiante, quando entrei na Plaça de Catalunya e desço para o Bairro Gótic. Não vou parar de correr, sinto um pico de energia, que venha o muro, acelero, não vou parar de correr, eu pertenço a este bairro, que venha o muro.

Ao longo de 37 kms Já tinha gasto todas as minhas memórias para me motivar, não vou parar de correr, já me tinha deslumbrado com as maravilhas da cidade, que venha o muro, já me tinha lembrado das pessoas, tão importantes para mim, de amigos que fiz e que perdi, não vou parar de correr, ao km 37 já tinha gasto todo o açúcar do meu sangue, que venha o muro.


Não vou parar de correr, desci a Av. Laietana até ao mar, até ao Passeig de Colom, que venha o muro que eu posso com ele, Praça exposta aos elementos, ao Sol, não vou parar de correr, praça exposta ao calor, que venha o muro...


e o muro chegou...
Não vou parar de correr, mas a partir do km 38 lembrava-me do meu joelho, a partir do km 38 lembrava-me dos meus gémeos, não vou parar de correr, a partir do km 38 esperava que gritassem o meu nome e respondia-me o silêncio, não vou parar de correr, a partir do km 38 estava só, só a lutar comigo mesmo, não vou parar, a ver os outros parar, não vou parar, a sentir os adutores tensos e doridos, não vou parar, a sentir as costas quebradas e doridas a partir do km 38 o corpo suplicava-me para parar, não vou parar, cerro os dentes.


Não vou parar de correr, obrigo-me a ir buscar as memórias boas que trago comigo para me darem força, só até aqueles duches, não vou parar, encho-me de raiva, só até à estátua de Colom, não irei parar, na Plaça des Drassanes viro para o inicio da Av. del Parallel...
 
MAS QUEM É QUE SE LEMBRA DE FAZER OS ÚLTIMOS DOIS KMS DE UMA MARATONA A SUBIR??!?!?!?!?

NÃO VOU PARAR!!!
No deixaré de córrer, subo a Parallel com a pernas feitas em pedras, jo només soc, tan sols mas não vou parar, sinto a cintura a rebentar, mai em vaig sentir tan sol, não vou parar, uma velhinha atravessa a rua, não consigo acelerar, não consigo travar ou mudar de direcção tal estão as minhas pernas, passo de raspão, não vou parar, estou tão cansado de me ouvir a mim próprio queixar, não vou parar. Acelero ligeiramente para soltar as pernas, não vou parar...


A meio da subida, já com a certeza de ter a maratona na mão, pergunto-me quem era aquele que perseguia os seus sonhos com tanta preserverança, com tanta garra que se entrega a esta maratona como um sonho impossivel, que era suposto ter parado de correr aos 30 kms e no entanto encheu a cabeça que iria até ao fim... onde é que eu fui buscar esta força que me desconhecia? Até que finalmente me reconheci em alguém que esteve sempre comigo, apesar de tudo, reconheci-me na minha mãe. A minha mãe sempre foi assim!
Chego à praça de Espanya e viro para cima, só faltam 195 metros, acelero e...

Não parei de correr... 42.195 metros... Sinto um nó na garganta e um nó nos joelhos. Sinto o queixo a tremer e a coxa a tremer... levo os dedos aos olhos... alongo, tento-me controlar.
Saio da zona de arrefecimento, recebo a medalha, treme-me o queixo, vejo uma loura prostrada na relva a chorar, tenho um nó na garganta, subo as escadas que dão acesso ao fontanário, fungo, controlo-me, com um nó na garganta, vejo as Susanas a dirigirem-se para mim com um sorriso na cara, fungo, treme-me o queixo com um nó na garganta, por entre elas a ultrapassar tudo e todos sai o Eduardo de braços abertos, sinto um nó na garganta muito apertado, abraço-o, sinto um ardor nos olhos, abraço-as, a respiração ofegante, as lágrimas escorrem-me, a cada respiração é uma cascata pelas bochechas abaixo, sento-me na escadaria, respiro fundo, controlo as emoções, respiro fundo, olho para o céu catalão e para todas as alegrias que me deu, enfio a cabeça nas mãos, sinto um nó que me aperta o pescoço, o queixo a tremer, os olhos a arder, abro as comportas, começo a soluçar ininterruptamente durante uns minutos...




Não posso explicar porque o fiz, não sei.
Mas sei que umas horas mais tarde nos vingamos todos num festa de tapas algures nas Ramblas.



Epílogo
Critérios para a escolha de um sitio para correr uma maratona:

    1- Um grupo de amigos fabuloso
    2- Cidade monumental
    3 - Boas tradições gastronómicas
 
Ontem, dia 24 de Março contei a uma amiga minha, licenciada em psicologia, o que foram aqueles 7 kilometros finais, e a luta de força interior, acabei outra vez a chorar.

Peço-vos que, que se estiverem comigo pessoalmente, não me perguntem como é que foi o muro.

Et estrany, Barcelona.