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terça-feira, 7 de abril de 2015

TRAIL DE MONSARAZ - UMA EXPERIENCIA


 
Resumo da prova


A última coisa a fazer no sábado à noite foi, evidentemente, preparar tudo para a prova. Colocar dorsais, preparar a mochila para que no dia seguinte fosse tomar o pequeno-almoço e partir para a corrida.

Era finalmente o meu regresso aos trails. Admito que possa não ser bom neste desporto, mas adoro a sensação de correr na montanha, por trilhos mínimos, por sítios onde normalmente os humanos não vão. É uma aventura e faz-me sentir vivo. E a ansiedade que me consumia por dentro, me dava medo de não aguentar os 25 kms vivo (nunca tinha feito esta distancia) e ainda assim a ir para a frente o projecto.

Tínhamos pedido para abrirem o pequeno-almoço às 8h e fomos os primeiros a abrir a sala. Mas pouco depois foram entrando pessoas trajadas para correr e reparamos que afinal o hotel estava cheio de trailers.
Pequeno-almoço com pãozinho alentejano quentinho, fiambre, queijo, sumo natural de laranja e chá de frutos silvestres... Ah e doce de abobora. Doce de abobora espalhado por cima do pão... hmmm... só antes das corridas por causa da dieta.

Ultima passagem pelo quarto, apanhar as mochilas, esvaziar a tripa e irmos para o Convento da Orada.

No ar um drone branco voava sobre as nossas cabeças. Nunca tinha visto um drone ao vivo. Não gosto (ver o final).
Nem fizemos aquecimento, simplesmente mandamos umas piadas para o ar, cumprimentamos o Marcolino e toca a partir. Inicialmente surpreendido por ver quase 500 pessoas na partida, reparei que muitos traziam ténis de estrada e pouco a pouco percebi que iam à prova dos 12,5 kms.
 
 Passamos no cromeleque do Xerez a correr, e confesso que sempre me apeteceu correr por ali, mesmo quando passei uma fase em que ia ao Alentejo como quem vai caçar monumentos megalíticos. Ver nascer o sol dentro de um deles é algo de memorável.
Passados uns kms de aquecimento começamos a subir até uma ermida nos arredores de Monsaraz. Uma série de rampas sucessivas que se fazem bem, se calhar por ser no início da prova.
Sempre atrás do Pedro, passamos primeiro por um planalto onde o cheiro a estevas era Rei. Depois primeiro lentamente começamos a descer e de repente o mato cerrado de estevas cede e dá lugar a uma visão que me tirou literalmente o folego. Lá em baixo o Grande Lago abria-se à nossa frente num espelho de água serpenteando entre ilhas e ilhotas.
 
Pasmado com tamanha beleza durante uma descida abrupta, torço o tornozelo. Recupero rapidamente mas fico a rezar para que a entorse não me estrague o resto da corrida.
(não resisti a tirar esta foto enquanto corria, tão ternurenta, não tem outra razão para estar aqui)

Junto ao imenso espelho de água, o perfume das estevas transforma-se em cheiro a poejos. Só me vem à cabeça um arroz de bacalhau com poejos que comi há uns anos. Tenho fome e ainda me falta correr cerca de 20 kms.
Passamos cerca de 10 kms a circundar o Grande Lago, sem grandes subidas nem descidas. O silencio à nossa volta era algo de sacral, espalhava-se pelo espelho de água como um Altar telúrico à vida. Por fim um abastecimento (vulgo picnic) pelo caminho, para festejar a Sua Beleza.
 
Depois desse passeio à beira Rio ergue-se uma parede/rampa monumental. Nunca tinha subido uma coisa assim. Pese embora já não fosse a correr, tinha de parar a meio para ganhar força nas pernas. Até o Marcolino, que ficou em 3º da geral me disse que fez a rampa "quase, quase a andar".

Mas no fim a terra brindou-nos com uma vista fantástica.
Novo abastecimento e recomeçamos a descer. Para subir mais tarde.
 

 
Mas a Montanha clamava por mim num desejo de carne contra carne, e num trilho mínimo o meu pé direito prende-se numa raiz. Ainda tenha resistido vários passos em desequilíbrio, mas a gravidade vence a vontade de correr e acabei por sentir a dor deste amor impossível que me sulcava no corpo. Grande tralho! Mas felizmente sem consequências de maior para além de uns arranhões de amor. É levantar e seguir.
Até ao abastecimento do km 20 apanhei os meus companheiros de viagem e fizemos um pequeno picnic no topo de outro monte, onde pela 4ª vez uma senhora nórdica ou eslava, que alcunhámos de Viking nos passava.
Passo a explicar, cada vez que parávamos num abastecimento reparávamos que uma senhora nórdica passava por nós sem parar para beber ou comer. Passávamos metade da etapa seguinte a tentar apanha-la para depois ela nos passar no abastecimento.
 
A cada subida ela evocava “Ai minha nossa senhora” e nós pensávamos, “ela está cansada já a vamos passar…” nada de mais errado. Ela não parava!
(foto à Pro)
 
E assim, depois do último abastecimento, fomos atrás dela, ou melhor foram eles, o Pedro e o Eduardo, que eu já estava a quebrar. Fui deixando-os ir até que quase à entrada de Monsaraz já não os via, mas via a Viking e dei-me uma nova missão: Ficar à frente da Sra!
Segui-a e corri determinado atrás dela. “Ah que ermida tão bonita! Vou parar para tirar mais uma foto.” E lá se foi a viking. Tenho de ir outra vez atras dela.
 
A subida a Monsaraz, contornando o castelo, subindo as ameias fez-se com uma leveza que não estava à espera. Deve ter sido o efeito psicológico de saber que já tinha feito 21 kms e que faltaria pouco. A meio ouço “Minha Nossa Senhora!” a ficar para trás, afinal ultrapassei-a.
Saí da vila, e a descer notava alguma falta de força nas pernas para travar. Mas tinha que subir à Ermida de São Bento, a última subida, o último esforço, o último sofrimento pensava eu. Mas a verdade é que quando comecei a descer por entre os sobreiros doía-me tudo.
 
Não tinha pernas para travar, e estava a ver que me esbardalhava todo. Outra vez. Às tantas ouço uma “Minha Nossa Senhora” a passar por mim. Os dedos do pé, melhor todos os dedos dos pés, a cada passo que tinha a descer e travar, batiam na parte da frente dos ténis e doía-me como se me tivessem a espetar agulhas.
Quando chegamos à civilização, no último km, já quase não conseguia levantar os pés para correr, a estrada em vez de ser de alcatrão era de xisto, o que travava o passo e proporcionava novas sensações dor nos pés.
(quero um relógio da CARMIM)
No final, contra tudo e contra todos, sprintei para ver se apanhava a nossa amiga Viking, mas na recta tive um amigo que 5 metros antes da meta se mete minha frente para me entregar uma mini de cerveja preta.
 
Tempo final: 2 horas e 52 minutos de prova.


P.S. Mensagem da Organização depois de terminada a corrida (dia seguinte)
"COMUNICADO
Foi encontrado um Drone branco caido em Reguengos de Monsaraz, pedimos a quem lhe pertencer que entre em contato com ... "

:)

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Trail de Monsaraz - Uma crónica que não é de corrida



 
O almoço de sábado lançava o mote para o fim de semana perfeito - pennes de azeitona com tomate cherry fiambre salteados, salsichas de peru e queijo. Já tinha saudades de a dieta me deixar cozinhar massas.  De sobremesa, um  episódio da guerra dos tronos.

O Eduardo e o Pedro foram-me buscar às 14:30 e os três estarolas seguiram viagem até Monsaraz num silencio alimentado pelo calor e pela digestão. Pouco a pouco, as palavras e as frases iam-se formando e a galhofa instalando-se. Dado que há muito tempo que não faço trails, fizemos o resto da viagem a discutir as últimas experiencias de Trails na região centro, Sicó e Vila Velha de Rodão.
 

Monsaraz recebeu-nos com um final de tarde que, com a luz e o calor, massajava o corpo de dentro para fora até um estado de langor geral. Instalamo-nos numa Hotel com um quarto (2 camas individuais atenção, nada de bocas) e uma sala com cozinha (uma cama demasiado pequena para mim mas ideal para os outros dois).

A casa e o Hotel Rural eram muito castiços. O hotel compunha-se de várias casinhas em estilo alentejano, com 2 piscinas, uma para miúdos e outra para graúdos. A vista do hotel era deslumbrante, principalmente para o alto do castelo. Isto hoje parece um blog de viagens.
(a luz encandeia)



(o calor amolece)


(reparem no pormenor da cria no ninho)
Muito timidamente pedimos para antecipar o pequeno almoço para as 8:00 (começaria às 8:30), no dia seguinte aprenderiamos que o hotel tinha sido tomado por trilhistas.

(os três estarolas)
 
 Dado que isto dos trails não é só corridas, ou seja, isto dos trails é corrida, isto dos trails é património cultural e paisagistico, isto dos trails é contacto directo com a natureza, isto dos trails é gastronomia, isto dos trails é companheirimo e isto dos trails é auto conhecimento. Por isso esta crónica não é sobre corrida.
(Eduardo o responsável pela maioria destas fotos)

Saímos e fomos dar uma volta (re)conhecer a vila medieval de Monsaraz, vila que se esperguiça no topo de um monte que se ergue por cima do Grande Lago Alentejano. Havia gente, muita gente, principalmente Espanhóis. Ficamos a conhecer todos os recantos e cruzamentos entre aquelas ruelas de xisto e as casas caiadas.
 
Sem querer os nossos olhos iam tomando nota dos diversos restaurantes típicos. Todos com um excelente menu e vista, quer para o grande lago do Alqueva quer para o vale que fica do outro lado do monte. Fomos até ao castelo e à arena de touros que está integrada nas muralhas do castelo. Passamos a este passeio em Monsaraz a tirar fotos.
 
 
O próximo objectivo era levantar os dorsais a reguengos, e lá fomos já com mais palhaçada no caminho. A piada do dia foi termos de comprar uns relógios da CARMIM

 

Fomos jantar num restaurante típico (o Aloendro), decidindo secretos ou lagartos com folhas de couve com alho salteadas (muito muito bom). À sobremesa foi um bolo rançoso (doce de gila e amêndoa) acompanhado de umas fatias de laranja. A duas coisas juntas ficavam excelentes com o a laranja a cortar o excesso de doce.
(Excelente)
 
No Alentejo come-se tão bem, é a zona de Portugal onde se come melhor! Mas tão bem, tão bem.  
 
 
(Monsaraz by night)
 
 
(Quem é quem?)
 

 Mas tão bem, que tivemos de ir rapar frio a Monsaraz outra vez para ajudar à digestão e dormir melhor, porque no dia seguinte Monsaraz ia pedir mais de nós do que aquilo que estaria disposto a dar. Mas isso são outros quinhentos.


 
(O Fim do 1º capitulo)

 

 

 

 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

As Sagas do Trail - Trail Território Circuito Centro Vila Velha de Rodão



No mapa, Vila de Rodão é descrita por velha, mas já à saída da autoestrada a melhor descrição seria “estranhamento cheirosa”!

Conseguimos entender, logo na entrada da vila, que tal estranho cheiro (mal cheiroso, diria eu), vinha do complexo industrial que existe lado a lado com a vila. Empresa de celulose que deve dar muito emprego na vila, mas também deve dar muita dor de cabeça, com aquele cheiro impossível de se não dar conta.

Era uma manhã de Sábado, de um fim de semana frio. Logo à chegada a temperatura encontrava-se abaixo de zero, três graus muito frios. Felizmente não chovia.

Eu e o Eduardo decidimos participar nesta segunda prova da competição Território Circuito Centro. A opção foi na distância mais curta (27 Kms). Para os mais entusiastas havia ainda uma distância mais longa (47 Kms).

O ponto de encontro seria na tenda da organização, mesmo no recinto do mercado, mesmo no centro da vila, logo ao pé do rio. Ali levantámos os dorsais e ali ouvimos o briefing. E ali também nos aquecemos. O P Luzio tinha vindo ter connosco. Partíamos todos juntos mas ele iria fazer a volta dos 47 Kms.

Para variar havia todo o tipo de corredores: Grandes, pequenos, gordos e magros, barbudos e carecas, com uma singela garrafa de água na mão e outros com a “casa as costas”.

E foi as 9 horas em ponto, que partimos para o “passeio”. O local de partida seria também o final. O frio era cortante, por isso foi com contentamento que comecei a correr e passei o portal que indicava o início da corrida………






Era sempre a mesma coisa!
Quando saímos do portal traildimensional era o começo do formigueiro nas pernas.
E aquela missão deixava-me nervoso!

Rondum, A terra celulósica!
Conhecida pelos poços de fumo, Vila do Rei Vamba!

“Torr, Edur, …..atenção aos buracos do chão! Encontramo-nos no final, depois do portal! Boa sorte!” – Luzinix, o Raider da volta maior, acenava-nos e galgava caminho, como tivesse molas nos pés.

Pertencíamos ao Grupo dos Regulares. A nossa distância era metade da dos Raiders. Isto porque eles teriam que “varrer” a parte de fora da Vila, mas ambos acabaríamos por atacar o Castelo do Rei Vamba. Em alturas diferentes, claro, mas com o mesmo objectivo, a tomada do castelo.

Reparei que varias casas compunham o pelotão dos Regulares e mesmo assim ainda haviam vários que vinham por conta própria.

Em pensamento agradeci os conselhos dos meus mestres.
Levava o emblema da Grande Casa Geral da Caixa, que depositavam grandes esperanças na nossa perícia e vontade.

Todos levávamos as vestes mais florescentes, serviam pra confundir o inimigo e identificar  os aliados. Contornámos as “bocas de fumo” e metemo-nos pela vereda verde.

Meteo* deveria ter adormecido, pois apenas estava frio. Felizmente esquecera-se de soprar naquela zona.

Algum tempo depois vislumbramos o Druida Cincoquilometrix.
Apenas acenámos e prosseguimos caminho. Aquele apoio era apenas para os Raiders.
Passámos paralelamente à grande estrada que ligava o mar às Terras Altas. Aquela hora ninguém a utilizava.

No briefing, antes da partida, tinham-nos avisado para aquilo que seria a primeira prova de ferro e fogo, a subida à Casa de Eletricidade. 300 metros perigosos!
Por Kronos**, era tão íngreme como perigoso. Qualquer desequilíbrio poderia ser fatal!

Fiquei atónito. Pareceu-me ouvir o Mestre Geral a gritar “as vossas pernas são as vossas armas……………por isso ………..toca a lutar!”
Não, era mesmo dentro da minha cabeça!

Quando comecei a subir já o Edur ia a meio.
Apelei ao Deus Bélico*** e comecei a subir.
Lá em cima, alguém marcava o ritmo com a buzina de motivação. Às tantas tornou-se irritante.
Ao fim, já me apetecia tirar o barrete e as minhas vestes protectoras. Mas depois lembrei-me de outra frase emblemática: “ Destapa-te sem cuidado e pelo frio de Meteo és apanhado!”

Passei a minha atenção para as vistas. Soberbas! As montanhas limítrofes aconchegavam Rondum. Aproveitei para beber agua.

De seguida, olhámos em frente, antecipando o que viria a seguir.

Logo ali à frente, a Casa de Eletricidade era tocada por uma estrada de asfalto que nos levava próximo das Vilas Ruivas, misteriosamente amaldiçoada pelo Rei Vamba. Um ponto critico na nossa aventura.

A descida era rápida e com o asfalto a tocar-me as botas, tudo era ainda mais fluido. Parecia um escorrega negro.
Novamente terra batida mas antes ainda passámos pelo Druida Onzequilometrix. Trazia apenas água, mas calhava mesmo bem. Já tinha o meu cantil vazio.

Estávamos perto das Vilas Ruivas. Conta-se que o Rei Vamba, sabendo que os guerreiros das Terras Altas desceriam para atacar o seu território, transformou as mulheres deste sitio em belas damas ruivas, direccionando o interesse inimigo para outra zona que não o seu castelo. O plano foi tão certeiro que ele decidiu que o feitiço deveria perdurar até à eternidade, ficando a salvo de futuras investidas  dos povos vizinhos.

Sabíamos desta historia e por isso, quando entrámos na aldeia, pusemos as nossas lunetas antifeitiço com lentes negras e anti UV e raios solares. Assim conseguimos passar pelas belezas da vila, sem “perder o norte  e o trote!”.

No meio da aldeia encontrámos o ultimo druida da nossa viagem. Dezasseisquilometrix chamava-nos, mas algo fez-nos redobrar a atenção.
Oh não ……..o druida tinha sido corrompido, pois na mesa estavam uma panóplia de caldos e elixires. Demasiados. A tentação de comer e beber todas aquelas “relíquias” era grande. Ao meio um pote de um tentador doce de chocolate deixava-me nervoso!
Não……….não….., isto é mais esquema para nos fazer parar.
Moderação, moderação e muita atenção!
“Edur, come o mínimo, enche o cantil e vamos embora!”
Os salgados hipnotizavam o pobre do Edur!
E o banco ali ao lado, parecia convidar a repousar………..para sempre!

Foi com grande  esforço e concentração que saímos (fugimos) de Vilas Ruivas.

Voltámos a descer agora em direcção ao adormecido Velho Tagus.
Adormecido, mas não esquecido.
Diz a lenda que para não esquecer quem o visita, o Velho Tagus deslumbra de tal maneira os seus visitantes, que são estes que o não conseguem esquecer.
Por isso voltámos a pôr as nossas lunetas antifeitiços.

Passámos pela Fonte das Virtudes, local onde as mulheres da Vilas Ruivas se tornaram esbeltas, sob o olhar do Rei Vamba, lá no alto do seu castelo.
Foi para lá que olhei. Estava ali, o nosso objectivo. Bem perto, mas com muito para subir.
E a subida estava mesmo ali, mas antes vislumbramos as Portas de Rondum, talhada, diz a lenda, pela própria Terrana**** às escondidas de Kreator***, de forma a proteger os povos gloriosos de outrora.
Já estávamos cansados mas os cerca de 6 Kms, que ainda faltavam até ao portal de chegada, seriam duros.

E a subida até ao castelo do Rei Vamba, começava já ali.
Era uma subida perigosa, teimosa que nem uma cabra prenha!
Subida após subida, trilho após trilho, começávamos a ver o Velho Tagus de cima.
Mas cada vez era mais difícil.
As pernas fraquejavam de cansaço e as árvores eram apoios preciosos para descansar e para ganhar equilíbrio.
A meio um rio de pedras rolantes empatava os nossos passos e conquistavam os mais fracos.
A maldade do inimigo fez-nos duvidar do caminho que trilhávamos, pois os sinais orientadores postos na véspera pelos nossos olheiros, rareavam nesta zona.

Mas passada após passada, lá conseguimos tocar nos muros do castelo.
A conquista já tinha sido feita pelos Regulares mais rápidos, o nosso papel seria confirmá-la.

A vista, essa era deslumbrante. Um quadro perfeito.

Mas esta viagem era feita de pressa e portanto toca a fazer a descida até à vila.
Foi altura de perder o Edur de vista.
Descidas como aquelas eram sobremesas açucaradas para ele.
Já sabia que o ia encontrar lá em baixo a tirar pedras das botas.

A seguir mais uma extensão de 2 Kms de chão rochoso.
Era o princípio do fim.

O verde começava a rarear.
Começamos a passar por hortas, casarios e de repente estradas e caminhos.
Estávamos perto, estávamos quase.
Já me via a chegar ao acampamento final, logo após a passagem do portal traildimensional.

Mais umas voltas, que dispensávamos e a recta final apresentou-se à nossa frente.

Seria visão ou conseguia ver, no outro lado, copos cheios de hidrocevada prontos para ser bebidos??!!

“Saiam da frente, deixem passar esses copos são todos para m………………….”




Um abraço à Sra das medalhas, era mesmo isso que eu precisava!
Isso e um sítio ameno para esticar as pernas e descansar o corpo.
E ali estava mesmo ao lado a tenda da organização, com uma mesa cheia de comida e bebida. E logo a seguir chegaram uns doces tradicionais chamados “pantufas”!

E foi de pantufas que enchi as mãos de comida e fui para o chão de descansar.
Merecido para quem Merece!

Pena foi que o duche disponível era afinal de água fria. Isso não foi nada merecido. Foi um dos duches mais rápidos que tomei.

Retornámos à chegada para esperar pelo P Luzio.
Bom e enquanto esperávamos, mais comida foi chegando e nós fomos reforçando a nossa saciedade alimentar.

Ainda bem que não choveu e ainda bem que a corrida tinha sido num Sábado.
Estava a ser um fim de semana bem passado e ainda faltava Domingo.

Ah………..adoro fins de semanas que passam devagar!


* Senhor do clima e do vento
** Senhor do tempo
*** Um dos três deuses, construtores do universo
**** Senhora da fertilidade, Mãe de todas as coisas vivas na terra

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Nas Curvas da Dª Bucelas – III Trail de Bucelas

Bucelas é uma senhora, sentada onde antes era uma floresta, verde por causa do arvoredo e cinzenta por causa da sua serra.

Conhecia neste Domingo, fria e calma. Calma……….nem por isso. Tinha acabado de ser invadida por um exército  de corredores de montanha, dissimulados com cores berrantes e loucos por a calcar de fio a pavio. Eu também lá estava e embora não seja o meu melhor prazer, andar a correr nas montanhas (por causa disso mesmo, por ser a correr), decidi, neste início de ano (que coincide com o início da preparação para a maratona de Liverpool) “abraçar” estas “correrias”, em nome de uma melhor e maior preparação física.

A Srª Dª Bucelas, tem um centro pequeno, onde se situa uma rotunda, com uma pipa no meio, para anunciar, a quem ela visita, que se produz e bebe vinho regional nas tardes de verão e no inverno ao serão.

Na verdade vim acompanhar o Eduardo nas subidas ingremes e nas descidas a pique.
Bem, acompanhar é uma noção simpática de companheirismo. Apartir do 15º Km, era ele que fazia a festa toda: Subia, descia, parava à minha espera e voltava a desparecer lá a frente.

Comecei a conhecer as curvas da Dª Bucelas às 9h00. Ia vestido a rigor, como um corredor de montanha, pronto para conhecer o melhor que ela tinha para oferecer e até ao 15º Km foi amor correspondido. Eu corria, subia e descia nos seus caminhos, uns recondidos outros à vista de toda a gente.

Mas bucelas, a senhora dona de tantas curvas de amor e desníveis de humor, decidiu pôr-me nervoso, “barrando-se” de lama, tornando-se mais perigosa esta “corrida a dois”.

Quando subi ao seu cimo (o único, pensava eu), estava cansado mas contente. No ponto de abastecimento (lá em cima), brindei com ela, o nosso encontro. O abastecimento era suficiente para se assim chamar. Os tempos não estão para exageros e afinal estávamos ali para correr.

Depois …………….depois foi a nossa zanga.
Ela mandou chover e fiquei todo molhado. No chão a lama apresentava um sem número de passadas. Não era o único, não era o primeiro e ainda por cima…………….estava encharcada!

Na descida pensei que não haveria mais alterações de humor!
Ingenuidade a minha! Ela levou-me até ao rio e obrigou-me a fazer mais uma mão cheia de quilómetros a subir, como se brincasse comigo! As variações de humor nas senhoras nunca são expectáveis e quando surgem, é a valer!

Perdi o meu humor, perdi a minha boa disposição.

Voltei a subir aos seus ombros e lá em baixo, vi a meta,
A vista era maravilhosa e houve que em plena competição tenha parado e sentado na ravina, só para admirar.

Mas eu não queria parar.
Os pés latejavam, respiração ofegava e lá mais à frente, a descida das descidas, escorregadia até mais não, levava-nos a pensar que depois disto, não haveria mais outro amor.

3 horas e 50 minutos depois, voltei ao centro dela. Novamente à rotunda com a pipa no seu centro.

Foi uma manhã de intenso esforço, o plano para almoçar nas redondezas foi abortado. A chuva voltava a cair e já não havia pernas (nem disposição) para voltar aos balneários.

Dª Bucelas, se me ouve (Lê, melhor dito…..quer dizer escrito), voltarei um dia, mas espero que prescinda da lama. Se assim for…………eu prescindirei da rabugice.

Ate lá

Grande Premio (O) Fim da Europa 2015

É uma das poucas corridas em que normalmente visto uma t-shirt de mangas compridas. E muitas vezes com corta-vento por cima. Porque é Janeiro, e o clima é de inverno (com frio, chuva, vento ou tudo junto) e porque é na montanha, com todas as vicissitudes que advém de tal cenário.

Mas este ano, São Pedro, surpreendeu-nos pela positiva. Clima ameno, sem chuva, sem vento.

Claro que a boa disposição e os desníveis do percurso foram presença assídua.

E é claro, mais um ano com lotação esgotada na participação. É de facto uma prova já perfeitamente implantada no calendário atlético.

Quis o destino que este ano coincidisse com o dia das eleições antecipadas na Grécia. Não sei se lá seria o fim da Europa. O que é certo é que em Sintra, apartir das 10 horas, iria partir para lá.

Devido a necessidades de logística, tive que ir deixar o carro na Azoia (a localidade mais perto do fim da meta). Esperava assim, uma boleia dos companheiros do Clube de Corrida, para o início da prova. E assim, o Eduardo deu-nos boleia (o Pedro R e o Filipe também aproveitaram a boleia), para o que seria o início das hostilidades.

A Sofia também tinha optado pela mesma estratégia. E ainda bem, já que teve direito a ir ao pódio! E assim entre beijinhos e fotos, podia não ir a tempo de apanhar os autocarros da organização.

Mesmo com duas partidas faseadas, não foi fácil subir as primeiras subidas até ao 4º Km. Alguma confusão (mas porque é que não optam pela segunda fase da partida, uma fase mais lenta??!!), para além das próprias subidas a amontoar o pelotão.

De resto, as subidas “deliciosas” e a “fortíssima” descida para Azoia, fizeram companhia na corrida.

O final teve uma variante em empedrado, mas a meta já lá se via ao fundo, portanto qualquer esforço adicional era facilmente aceite.

Como o tempo estava ameno, deu para alongar fora da tenda da organização. O chá e o bolo de chocolate foram um repasto que intermediaram as conversas pós-corrida e ainda deu para a fotografia da praxe.

O retorno aos carros, que estavam a 2 Kms da meta, foi feito em “salutar cavaqueira”. As endomorfinas ainda circulavam portanto o passeio fez-se sem cansaço e já a pensar nos desafios que o mês de Fevereiro iria trazer.

Eu diria “até para o ano serra”, mas atendendo ao facto de que alguns treinos de fim de semana, são feitos na serra (aproveitando uma parte do percurso desta corrida), direi simplesmente “Ate já”!