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domingo, 28 de junho de 2015

Viagem à Macaronesia - Cuidado com as Fotos

Cuidado com as fotos obscenas

WHERE dips the rocky highland
Of Sleuth Wood in the lake,
There lies a leafy island
Where flapping herons wake
The drowsy water rats;
There we've hid our faery vats,
Full of berrys
And of reddest stolen cherries.
Come away, O human child!
To the waters and the wild
With a faery, hand in hand,
For the world's more full of weeping than you can understand.

Where the wave of moonlight glosses
The dim gray sands with light,
Far off by furthest Rosses
We foot it all the night,
Weaving olden dances
Mingling hands and mingling glances
Till the moon has taken flight;
To and fro we leap
And chase the frothy bubbles,
While the world is full of troubles
And anxious in its sleep.
Come away, O human child!
To the waters and the wild
With a faery, hand in hand,
For the world's more full of weeping than you can understand.
...
(Stolen Child de W.B. Yeats)
 
(banda sonora para a posta)
 
Fui passar uns dias à Macaronésia Portuguesa, e não, não é o local onde inventaram o macarrão e onde a sobremesa preferida são os macarones, a Macaronésia são as ilhas abençoadas a oeste de Gibraltar e incluem os Açores, a Madeira, as Canárias e Cabo Verde. Neste caso fui à Madeira.
 
Já os Celtas falam nas suas lendas da existência de ilhas a Oeste da Irlanda onde habitaria a Tribo de Dana, que habitavam a ilha antes da chegada dos filhos de Breogan (da Galiza).

No que toca a corrida, e depois de um treino de 10 kms na Baia do Funchal sem grande história a não ser o excesso de humidade no ar que me dificultava a respiração, sentia um desconforto cá dentro, como um voz surda que me moía, e sentia que este treino não me bastava, não me deixava satisfeito.

A viajar no interior da ilha, quando me aproximei das levadas de nível mais acessível, essa voz feminina se tornou mais audível,  e me chamava cantando num crescendo de força que passo a passo me tomava conta dos sentidos e me puxava para dentro, para dentro para o coração da ilha para o ventre da montanha até que tive a sensação que corria num silencio cúmplice ao meu lado.

 
Pouco a pouco, camada a camada ia deixando as preocupações mundanas para trás e tinha a sensação que deixava este mundo para entrar noutro que existiu deste sempre dentro de mim. Sentia-me uma criança, com uma alegria estupida a descobrir trilhos no meio da floresta e a perder-me no labirinto da montanha que de mágica se ia revelando em paisagens.

Eu era Oisín tinha viajado até Tir na n'Óg e tinha-me apaixonado por Niamh.

Durante toda a viagem nunca deixei de pensar num dos meus poemas preferidos de Yeats. E nestas imagens...
 



 


 



Campo minado
 
 

 


















 
Notas finais
 
1. Será que tenho direito a entrada no concurso nacional de Fotos Mete Nojo?
2. Podem-me chamar nomes 
 

domingo, 24 de maio de 2015

São Mamede... o Ultra... Trail Curto


Amanhece assim em São Mamede

Será que me custou mais a escrever esta crónica, com tantas experiencias por contar ou os 27 kms tórridos e a dores no corpo e musculares? Já se passou mais de uma semana e nunca mais consigo publicar o texto. Será que o calor promove essa alergia que se chama procrastinação? Bom, depois dos festejos do Benfica, vamos ver se é desta.
Desde a primeira visita ao Marvão, há muitos anos atrás, que a Serra de São Mamede ficou marcada a ferros no meu interior. Desde as cumeadas onde cinzento granito que parecem rasgar as costas esverdeadas da montanha, até vales encantados onde os castanheiros e os carvalhos andam de mão dada com os sobreiros e azinheiras, paisagens magníficas rasgadas por rios e ribeiros que passam por baixo de pontes romanas em sítios onde o tempo parece repousar há milénios.
 
Quando me inscrevi para esta prova, e atenção eu inscrevi-me para o Trail Curto, nada de corridas de 42 kms muito menos de 100 kms, sabia que seria o maior desafio que já tinha encontrado. Uma prova de 25 kms (26 e qualquer coisa no final), 700 metros de desnível acumulados, 30º de temperatura máxima e uma montanha que sempre me meteu respeito.
 
De carro, saímos de Lisboa na 6ª feira à tarde, o Pedro e o Miguel iam nos lugares da frente e Eu e o Eduardo partilhávamos os lugares de trás. A viagem decorreu sem incidentes, a paisagem ia passando à medida que íamos deitando palavras fora, de forma agradável mesmo pese embora as nossas tentativas de irritar o portismo do Miguel com cânticos benfiquistas este demonstrou ser impassível e não responder a provocações.
 
Será que ia correr bem, pensava eu mergulhado nas trevas da noite
Já no hotel, a Carla, a Luna e a Tara receberam-nos com uma alegria e uma doçura contagiantes. Nunca tive uma recepção tão hospitaleira. Fomos apresentados aos quartos e depois de jantarmos umas plumas que se desfaziam na boca, voltamos ao nosso covil para pernoitar. Ajudei o Eduardo a fazer a cama, para garantir que passava uma noite pré corrida o mais confortável possível.
 
Equipamento pronto
 
Às 6:30 de uma noite branca em que o vento não parou de assobiar, e onde só o Pedro conseguiu dormir, levantamo-nos e fizemos o que tínhamos de fazer para tomar um pequeno-almoço digno de Reis pela qualidade dos ingredientes.
 
No Autocarro
Eram 8:00 e estávamos sentados nos autocarros que nos iam levar a Castelo de Vide, onde seria dada a partida do Trail Curto. Às 8:30 todos os corredores estavam prontos, e a organização aqui podia ter sido proactiva e com o calor que se previa, podíamos todos ter partido às 9:00, mas só às 10:00 é que se deu a...
 
A equipa pronta
Partida com uma volta em Castelo de Vide saímos descendo em direcção à montanha até que logo no 1º km encontramos um caminho romano que prometia levar-nos ao céu e que nos obriga a andar a passo. Depois de rapidamente subirmos 150 metros em altitude num caminho romano e de passo após passo vencermos o cume, começamos a rolar.
 
 
De repente a serra dá-se-nos em todos os seus segredos, um vale encantado de prados pintados de todas as cores, com manadas de gado Mirandês (sim, escrevi bem Mirandês) e alentejano, cavalos de pelo reluzente ao Sol, descidas técnicas... Ahhh Era para isto que eu tinha vindo, é isto que me faz correr.
 
 
 

E assim se passaram os primeiros 6 kms em 36:11, o que é muito bom para corridas de montanha, mas… há sempre um mas… o calor começava a fazer mossa e as minhas pernas entraram num processo automático de gelatinização (processo que só terminaria uma semana depois numa aula de natação).
Estás a olhar para mim
Era altura de deixar o Eduardo e o Pedro ir à sua vida a dois pelo meio do mato, e abrandar a velocidade. Faltavam 21 kms para acabar e sabia que agora seria uma aventura individual de introversão.
3 kms a rolar em estradão e floresta e cheguei ao primeiro abastecimento, onde mal cheguei me despedi do duo maravilha (Pedro e Eduardo). Como não trouxe copo entrei em pânico, só existiam garrafões de água e no abastecimento, ah mas existe uma fonte pública. Tiro o boné, meto a cabeça debaixo de água e bebo a água mais fresca que alguma vez encontrei. Um cubo de marmelada para o caminho e força nas canetas.
 
Entre o 1º e o 2º abastecimento, no 15/16º km a correr sozinho, foi onde mais me diverti mais, ter a possibilidade de correr por bosques carvalhos descidas técnicas por regos, saltar muros, subir por veredas, passar por riachos por lagoas lindas onde só me apetecia tirar a roupa toda e ir lá para dentro. As aventuras sucediam-se umas a seguir às outras e eu sentia-me como uma criança.
Houve uma vez em que visualizo um riacho à minha frente, perpendicular ao trilho, e um sobreiro que se espreguiça longamente por cima do rio. Pé ante pé poiso os ténis por cima das pedras escorregadias para evitar derrapar quando de repente vejo tudo negro e sinto uma dor lancinante na testa... É A DURA VINGANÇA DA CORTIÇA! Pois é, olhas para baixo e não vês o SOBREIRO MAL ENCARADO acima de ti. Tentei disfarçar e recomeçar a correr quando ouço atrás de mim um "FO...-SE", e digo para mim próprio, afinal não fui o único.


 
O trilho descia rapidamente e subia por veredas entaladas entre silvas e muros. Numa dessas veredas o trilho para e temos de saltar um muro de pedras só para andar dois passos e saltar o muro de volta. Tudo por causa de umas silvas casmurras que não saem do caminho.
No segundo abastecimento, era tão rico com tostas, marmelada, mel, alcagoitas, batatas fritas, água, bebida isotónica e coca-cola, que quando dois amigos me disseram que havia arroz de marisco acreditei durante 5 segundos.
Pouco depois saio a correr por um prado verde que desaguava a sua torrente de flores num rio onde um pau de virar tripas em forma de homem vestido de corredor mal se mantinha em pé, enfiava repetidamente o boné dentro de água e despejava-a pela cabeça abaixo. Passei por ele, puxei por ele, olhei para o dorsal... faltavam-lhe 13 kms para acabar os 100 kms. Fez-me muita impressão.
Cerca dos 20 kms as pernas começaram-me a falhar e o corpo sentia-se cansado. Ao atravessar uma área relativamente descoberta começa-se a instalar uma dor de burro que me obriga a correr mais devagar.
Trilho Romano?
A uns 8 kms da meta, entro numa quinta e encontro um corredor extremamente musculado e com as pernas extremamente "secas", sem sinais de qualquer gordura. Acompanho-o durante 100 metros até que saímos por um portão para a estrada. A reacção dele ao sentir a dureza do alcatrão foi um grito exclamativo... "Porra alcatrão!"... admirado com a reacção de excessiva raiva dele olhei para o dorsal ... outro para os 100 kms, é impressionante o que a exaustão faz à cabeça das pessoas.
Seguiu-se uma grande subida, a terceira, difícil, grande e final subida. Vou ultrapassando alguns corredores que já vão quebrando devido ao cansaço. Desta feita na maior floresta de Medronheiros que alguma vez vi. Mas sem o fruto...ohhhh que desilusão.
Deixem-me ir mergulhar ali
Segue-se a maior descida que tinha apanhado na prova. As pernas começam a perder a força e a não responder totalmente mas é tão divertido fazer as descidas técnicas que não me importo, e vou assim no limite de rebolar até à Ermida da Senhora da Penha.
Eram quase 13 horas, o pico do Sol, quando cheguei ao último abastecimento. O calor rasgava-me as entranhas, e depois da senhora da organização quase me prender por não se ver o meu dorsal, abri a mochila, esvaziei violentamente toda a água (quente) que ainda trazia no saco, reenchi e bebi um litro de água de um trago.
Esperei algum tempo para não começar a correr com o estomago inchado e aí fui eu escadas abaixo a galopar até à tabuleta que anunciava os 5 kms finais. Aí entrei numa zona agrícola sem arvores, sem sombras, de caminhos em pó de estradão.
E ainda por cima gozam :)
O pó e o calor entranhavam-se em mim e com eles se esvaia a minha capacidade de correr. Andava 100 metros e corria outros 100, numa eterna repetição de um ciclo de cansaço, autocomiseração, desistência, insistência, perseverança, cansaço, autocomiseração...
Até que apanhei o Luís, outro corredor que apresentava os mesmos sintomas mas em vez de ter a minha cara de zangado com o mundo, ia sempre com um sorriso fleumático na cara. Já o tinha ultrapassado N vezes durante a prova e sido ultrapassado outras tantas. Resolvi colar-me a ele, para ver se me ajudava, e durante os últimos kms fomos lado a lado sempre a correr, muito devagarinho mas sem parar.

Sprint final no Tartan
À vista do Estádio dos Assentos e nomeadamente do tartan, não sei porquê... :) o meu corpo começou a esquecer-se do cansaço, da desidratação e das dores nas pernas, e começou a rolar mais rápido. Ao entrar no tartan, não sei o que lhe deu ao meu corpo, mas começa-me a sprintar, parecia que estava doida a ultrapassar outros corredores até à meta, onde disse para mim próprio... 3 horas e 23 minutos depois são horas de ir almoçar.
Bom, são horas de almoçar
Pouco depois de beber cerca de dois litros de líquidos variados, o Luís vem ter comigo para me dar um abraço e dizer um grande "Obrigado" que eu retorqui, e fiquei a cismar, e eu que pensava que tinha sido ele que me tinha ajudado. Afinal o companheirismo é uma estrada/trilho com dois sentidos.
Descansado e reunido com a equipa, dirigimo-nos para o hotel para tomar banho e, nos despedirmos com beijinhos e fortes abraços da Carla, da Luna e da Tara, e depois de nos ladrarem a despedida, fomos almoçar às 16h. De novo no estádio apanhamos o Miguel e um conviva de topo, o Marcolino Veríssimo, 9º da geral com cerca de 11horas e meia aos 100 kms.
E foi já ao por do Sol, quando arrancámos de Portalegre em direcção a Lisboa, que vejo alguns atletas cabisbaixos marchando penosamente por aqueles caminhos agrícolas onde me fui abaixo, como eu os compreendi e como eu os admirei.
Por muitas dificuldades e dores que me reservem, fui reconquistado por São Mamede, para o ano prolongo a relação para os 42 kms.

P.S. Quero agradecer ao André Noronha e à Cláudia Lourenço por algumas fotos dispensadas porque a minha camara avariou ao km 3. 

terça-feira, 7 de abril de 2015

TRAIL DE MONSARAZ - UMA EXPERIENCIA


 
Resumo da prova


A última coisa a fazer no sábado à noite foi, evidentemente, preparar tudo para a prova. Colocar dorsais, preparar a mochila para que no dia seguinte fosse tomar o pequeno-almoço e partir para a corrida.

Era finalmente o meu regresso aos trails. Admito que possa não ser bom neste desporto, mas adoro a sensação de correr na montanha, por trilhos mínimos, por sítios onde normalmente os humanos não vão. É uma aventura e faz-me sentir vivo. E a ansiedade que me consumia por dentro, me dava medo de não aguentar os 25 kms vivo (nunca tinha feito esta distancia) e ainda assim a ir para a frente o projecto.

Tínhamos pedido para abrirem o pequeno-almoço às 8h e fomos os primeiros a abrir a sala. Mas pouco depois foram entrando pessoas trajadas para correr e reparamos que afinal o hotel estava cheio de trailers.
Pequeno-almoço com pãozinho alentejano quentinho, fiambre, queijo, sumo natural de laranja e chá de frutos silvestres... Ah e doce de abobora. Doce de abobora espalhado por cima do pão... hmmm... só antes das corridas por causa da dieta.

Ultima passagem pelo quarto, apanhar as mochilas, esvaziar a tripa e irmos para o Convento da Orada.

No ar um drone branco voava sobre as nossas cabeças. Nunca tinha visto um drone ao vivo. Não gosto (ver o final).
Nem fizemos aquecimento, simplesmente mandamos umas piadas para o ar, cumprimentamos o Marcolino e toca a partir. Inicialmente surpreendido por ver quase 500 pessoas na partida, reparei que muitos traziam ténis de estrada e pouco a pouco percebi que iam à prova dos 12,5 kms.
 
 Passamos no cromeleque do Xerez a correr, e confesso que sempre me apeteceu correr por ali, mesmo quando passei uma fase em que ia ao Alentejo como quem vai caçar monumentos megalíticos. Ver nascer o sol dentro de um deles é algo de memorável.
Passados uns kms de aquecimento começamos a subir até uma ermida nos arredores de Monsaraz. Uma série de rampas sucessivas que se fazem bem, se calhar por ser no início da prova.
Sempre atrás do Pedro, passamos primeiro por um planalto onde o cheiro a estevas era Rei. Depois primeiro lentamente começamos a descer e de repente o mato cerrado de estevas cede e dá lugar a uma visão que me tirou literalmente o folego. Lá em baixo o Grande Lago abria-se à nossa frente num espelho de água serpenteando entre ilhas e ilhotas.
 
Pasmado com tamanha beleza durante uma descida abrupta, torço o tornozelo. Recupero rapidamente mas fico a rezar para que a entorse não me estrague o resto da corrida.
(não resisti a tirar esta foto enquanto corria, tão ternurenta, não tem outra razão para estar aqui)

Junto ao imenso espelho de água, o perfume das estevas transforma-se em cheiro a poejos. Só me vem à cabeça um arroz de bacalhau com poejos que comi há uns anos. Tenho fome e ainda me falta correr cerca de 20 kms.
Passamos cerca de 10 kms a circundar o Grande Lago, sem grandes subidas nem descidas. O silencio à nossa volta era algo de sacral, espalhava-se pelo espelho de água como um Altar telúrico à vida. Por fim um abastecimento (vulgo picnic) pelo caminho, para festejar a Sua Beleza.
 
Depois desse passeio à beira Rio ergue-se uma parede/rampa monumental. Nunca tinha subido uma coisa assim. Pese embora já não fosse a correr, tinha de parar a meio para ganhar força nas pernas. Até o Marcolino, que ficou em 3º da geral me disse que fez a rampa "quase, quase a andar".

Mas no fim a terra brindou-nos com uma vista fantástica.
Novo abastecimento e recomeçamos a descer. Para subir mais tarde.
 

 
Mas a Montanha clamava por mim num desejo de carne contra carne, e num trilho mínimo o meu pé direito prende-se numa raiz. Ainda tenha resistido vários passos em desequilíbrio, mas a gravidade vence a vontade de correr e acabei por sentir a dor deste amor impossível que me sulcava no corpo. Grande tralho! Mas felizmente sem consequências de maior para além de uns arranhões de amor. É levantar e seguir.
Até ao abastecimento do km 20 apanhei os meus companheiros de viagem e fizemos um pequeno picnic no topo de outro monte, onde pela 4ª vez uma senhora nórdica ou eslava, que alcunhámos de Viking nos passava.
Passo a explicar, cada vez que parávamos num abastecimento reparávamos que uma senhora nórdica passava por nós sem parar para beber ou comer. Passávamos metade da etapa seguinte a tentar apanha-la para depois ela nos passar no abastecimento.
 
A cada subida ela evocava “Ai minha nossa senhora” e nós pensávamos, “ela está cansada já a vamos passar…” nada de mais errado. Ela não parava!
(foto à Pro)
 
E assim, depois do último abastecimento, fomos atrás dela, ou melhor foram eles, o Pedro e o Eduardo, que eu já estava a quebrar. Fui deixando-os ir até que quase à entrada de Monsaraz já não os via, mas via a Viking e dei-me uma nova missão: Ficar à frente da Sra!
Segui-a e corri determinado atrás dela. “Ah que ermida tão bonita! Vou parar para tirar mais uma foto.” E lá se foi a viking. Tenho de ir outra vez atras dela.
 
A subida a Monsaraz, contornando o castelo, subindo as ameias fez-se com uma leveza que não estava à espera. Deve ter sido o efeito psicológico de saber que já tinha feito 21 kms e que faltaria pouco. A meio ouço “Minha Nossa Senhora!” a ficar para trás, afinal ultrapassei-a.
Saí da vila, e a descer notava alguma falta de força nas pernas para travar. Mas tinha que subir à Ermida de São Bento, a última subida, o último esforço, o último sofrimento pensava eu. Mas a verdade é que quando comecei a descer por entre os sobreiros doía-me tudo.
 
Não tinha pernas para travar, e estava a ver que me esbardalhava todo. Outra vez. Às tantas ouço uma “Minha Nossa Senhora” a passar por mim. Os dedos do pé, melhor todos os dedos dos pés, a cada passo que tinha a descer e travar, batiam na parte da frente dos ténis e doía-me como se me tivessem a espetar agulhas.
Quando chegamos à civilização, no último km, já quase não conseguia levantar os pés para correr, a estrada em vez de ser de alcatrão era de xisto, o que travava o passo e proporcionava novas sensações dor nos pés.
(quero um relógio da CARMIM)
No final, contra tudo e contra todos, sprintei para ver se apanhava a nossa amiga Viking, mas na recta tive um amigo que 5 metros antes da meta se mete minha frente para me entregar uma mini de cerveja preta.
 
Tempo final: 2 horas e 52 minutos de prova.


P.S. Mensagem da Organização depois de terminada a corrida (dia seguinte)
"COMUNICADO
Foi encontrado um Drone branco caido em Reguengos de Monsaraz, pedimos a quem lhe pertencer que entre em contato com ... "

:)