segunda-feira, 8 de junho de 2015

Corrida do Oriente - A velocidades nunca atingidas






As estrelas tinham-lhe iluminado a noite muito para além do aconselhável, e resmungou quando o despertador de domingo o desesperou. Levantou-se e quebrou o jejum com uma série de produtos nada aconselháveis para desportistas num dia de competição.

Estremunhado e a resmungar com a vida, vestiu-se à pressa e rumou à zona da Expo, que o recebeu com um bafo quente dificil de inalar, e uma luz solar que lhe rasgava as pupilas. Eram 9:30 da manhã e uma fina pelicula de suor já cobria o corpo. Aquela zona da cidade não lhe apelava. Havia excesso de construção para poucas árvores, o alcatrão também não lhe apelava, era um caminho linear e morto,  e tinha saudades das arribas que ainda não fez.

Obrigou-se a fazer um aquecimento às articulações, aos musculos e ao coração. Arrastou-se para o portal de partida. Estava resolvido a fazer a prova o mais depressa possivel porque tinha vontade de ir para casa e descansar. Não! Estava decidido a fazer a prova o mais depressa possível porque andou semanas a treinar para baixar o record de 49:16.

Furou, furou, furou mas não conseguiu partir junto ao portal. Porém pouco a pouco sentia-se mais desperto, com o coração a bater mais forte no peito ao ritmo dos grupos de bombos que animava a zona.

 
Depois da partida teve de fazer muitos ziguezagues até conseguir correr à vontade. 1º km foi feito nuns surpreendentes 4:29. De passada larga e a sentir o ar a passar pela cara, seguiram-se kms feitos a  4:43, 4:56 e 5:01. Não é que o nosso jovem estava a apreciar a velocidade com que estava a fazer a prova? e a gostar de dar tudo o que tem?

Mas o calor, o cansaço e os tuneis moiam o nosso pseudo-heroi.  O Abastecimento pouco mais foi do que uma garrafa entornada pela cabeça e pelas pernas abaixo para poupar a pele ao efeito crocante do sol e do calor.

Passados os tuneis, passando pela frente da estação do  oriente e do centro comercial Vasco da Gama,  resolveu manter o ritmo, sempre a passar corredores e fez 4:48, 4:47 e 4:45 até ao 7ºkm.

Depois de voltar para norte junto da torre da Galp, o calor fez-se notar nas zonas protegidas do vento e as pernas tiveram um acesso momentaneo de saudades dos lençois com quem tinham lutado a noite toda querendo fazer as pazes com eles, e o ritmo voltou a quebrar: 5:04 e 5:00 até ao 9º km.

Decidido a reparar o falhanço dos kms anteriores o nosso heroi desata a correr que nem um cavalo a 4:15 até ao final do 10º km e a 3:45/km nos últimos 200 metros.

Com um sorriso no coração e com o objectivo atingido, contudo tinha uma voz no fundo da nuca que lhe dizia que podia ter feito melhor e perguntava-se: Mas que será que nunca me consigo sentir satisfeitos com os meus resultados? Fiz o melhor que podia, dei tudo de mim, sinto-me orgulhoso.

Agora venham as aventuras de férias!

 

10 comentários:

  1. Essa voz ainda dizia que deveria ter feito melhor?!?!? :)

    Um abraço e parabéns!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. :):):) Dizia porque eu parei 3 vezes para apertar os atacadores... schiuuu

      Eliminar
  2. Grande epopeia!

    Gostei do "a correr que nem um cavalo!" eheheh

    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Deu-me essa sensação na altura... deve ter sido das endorfinas.

      Eliminar
  3. Respostas
    1. Muito obrigado Carlos.
      Abraço e continuação (greg) dos teus bons treinos :)
      Abç

      Eliminar
  4. Portantos...és um cavalo de corrida!

    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. :D Ui a passar a meta até relinchei!!!
      Abração

      Eliminar