quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2015, o ano das conquistas

Já está. Este ano não treino mais. E se treinei nestes 365 dias que passaram. Mais que nunca. Foram 196 treinos, mais de 175 horas a dar ao corpinho, a suar em fio e a sofrer... E foi tão bom...


Este foi talvez o ano mais consistente do meu historial. O mês em que menos treinei foi o de Junho - 10 - e fiz 23 (!) em Novembro. Nos anos anteriores, por uma ou outra razão, havia sempre um mês abaixo dos 10 treinos e, em abono da verdade, não houve a mesma dedicação da minha parte que agora, em 2015. A razão dessa dedicação? Os objectivos!



Até Maio a "cenoura" foi o Lisboa Triathlon, a minha primeira incursão pela distância "Half-Ironman", pelo que nos meses anteriores não podia relaxar. Dia 2 de Maio aconteceu a prova - fantástica  por sinal - e a seguir houve o natural período de relaxamento. Meteram-se as férias, mas em Julho já estava a apontar baterias para outro triatlo, o Cascais Triathlon, a 27 de setembro. E aí, há que dizê-lo, a coisa não correu tão bem. A preparação física não era a ideal e sofri mais que a conta. De tal forma que saí da prova motivado a intensificar os treinos de forma a nunca mais sofrer assim. E é isso que tenho feito nestes últimos meses do ano. Treinar mais e melhor, perder algum peso extra que fui ganhando, fazer mais musculação, algo que raramente fazia, apesar de ter o material necessário em casa. 

No final de 2014 tinha traçado apenas um objectivo para este ano. "Fazer melhor" E creio que fiz. Creio não... tenho a certeza. Foquei-me nesses dois triatlos longos e cheguei ao fim em ambos. Foram duas belas conquistas. Só fiz essas duas provas ao longo deste ano e não posso queixar-me. Corri bastante, nadei bastante e pedalei bastante. Fiz mais de 1200 kms em cima da bicicleta e melhorei a minha capacidade nessa vertente do triatlo. A correr já estive melhor, mas no final de 2014 estava bem pior do que estou agora.

Em 2016 quero melhorar, claro. E quero voltar a locais onde já fui feliz.

Bom 2016, malta!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Eu a correr Underground


Já tinha acontecido em Espanha e chegou agora a Portugal. Correr nos túneis do Metro. 10 quilómetros entre as estações de São Sebastião e Aeroporto. Ora aí está algo diferente e eu, que já nem tenho por hábito meter-me em grandes logísticas para eventos de 10 kms, tratei logo de ver como participar.
E lá consegui a minha vaga. Na madrugada de 12 para 13 de dezembro lá me apresentei, à 1h da manhã, no ponto de partida, juntamente com mais uma centenas de sortudos ansiosos por aquela aventura.

A primeira parte da coisa foi logística, mesmo. Tshirts obrigatórias, capacete obrigatório, nada de telemóveis, câmaras, chaves ou simples moedas. Nada disso podia entrar no túnel. Tudo ficou no bengaleiro e levei apenas um corta-vento de manga comprida, pois a noite estava frio. Arrepender-me-ia disso...

Partimos em grupos de 10 atletas, separados por 90 segundos, alinhados conforme o tempo previsto por cada um para percorrer os 10 quilómetros. O objectivo era evitar aglomerados, pois os túneis estavam recheados de obstáculos e armadilhas. Uma entorse ou uma queda pode estar à distância de uma simples distracção. No briefing entregue estava uma lista de perigos e também uma lista de coisas a NÃO MEXER!!! Havia também o aviso que podíamos pisar coisas inesperadas...

Correr seria difícil, avisaram-nos. Não havia muito espaço... Mentira. Assim que Nelson Évora deu o sinal foi vê-los desaparecer pelo túnel. E lá fui eu... a correr. E correu-se bem. Muito bem até. A coisa era simples. Entre as estações corríamos de lado, junto às paredes, onde se estende um passadiço ao longo de toda a linha. Bastava termos cuidado com alguns espaços entre as lajes e alguma placa na parede e a coisa fazia-se bem. Quando chegávamos à estação essa plataforma acabava e tínhamos de passar para o meio, para correr entre os carris. Aí sim, havia que transpor obstáculos, saltar um pouco de um lado para o outro. Mas de resto, tudo tranquilo. Fora o calor... Que calor estava lá por baixo. A correr com a tshirt obrigatória e o tal casaco fino, já me sentia a derreter. Em Chelas tive mesmo de parar, tirar capacete e despir-me, para levar o casaco à cintura.

O ambiente era fantástico. Muitos espanhóis, a maioria portugueses - claro -, mas com grande companheirismo. Não havia competição, não havia tempo, não havia recordes a bater, estávamos ali todos pela experiência. Porém, confesso que depois do Oriente já só queria acabar aquilo. Estava um calor que não se podia e a partir dali era a subir. Praticamente 3 kms de subida contínua que moía as pernas..

Finalmente a luz ao fundo do túnel. Estava ali a estação do Aeroporto.  Terminei esta aventura e está feita. Dificilmente voltarei a repeti-la. Muito boa.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Grande Prémio de Natal - Um novo record dos 10 kms

Caríssimos

Resolvi voltar aqui para contar algumas aventuras.

(sempre agarrado à bebida nesta época)

Depois de muitas aulas de natação com um pull buoy entalado na virilha, para não forçar as pernas, depois de mais uma semana sem poder correr, depois de várias sessões de massagem e ultrasons, a Fisioterapeuta mandou-me correr muito devagarinho num fim de semana e voltar lá para contar as mazelas.

Assim sendo, depois de uma primeira tentativa de 3 kms (uma autentica maratona) resolvi fazer uma loucura, enfiar o barrete de pai natal pela cabeça abaixo e ir ao Grande Prémio de Natal. Mesmo receoso por fazer 10 kms com o gémeo meio preso mas atirei-me às Avenidas da Capital.

Apetecia-me ir correr por ir correr, sem pressões de tempo a fazer, sem olhar para o relógio para controlar o ritmo, apetecia-me correr para passear pela cidade, correr pelo prazer de ir correr, pela liberdade que isso representa. Estava imbuído da alegria típica desta estação (Metro: entrecampos, piada seca estação - entrecampos perceberam?) natalícia.

Por acaso, na partida, arranjei um parceiro de corrida que recuperava exactamente com a mesma lesão do que eu, uma ruptura no gémeo. Depois da partida tive que conter o ritmo mas brevemente apercebi-me das vantagens de correr acima dos 6 minutos ao km e entrei no espírito.

A verdade é que é muito mais fácil de falar aquele ritmo, o que, se associarmos  à injecção continua de endorfinas e à personalidade imatura... imatura não, infantil do duo em causa, facilmente se conclui que foram 10 kms de galhofa. Outra questão é que a panorâmica é muito mais bonita de quem corre abaixo dos 55 mins aos 10... a paisagem humana é diferente.

Desde entrecampos até ao Saldanha, depois subir de entrecampos até à churrasqueira de Alvalade, voltar a descer pelo Campo Grande, Entrecampos, Saldanha... No Saldanha, a trote, aproveito para me meter atrás de uma chinesa que tirava uma selfie e que se desmanchou a rir quando voltou o telemóvel, olhou para o monitor e viu o emplastro.

Até que pelo meio da Avenida Fontes Pereira de Melo, vergonha das vergonhas, somos ultrapassados...

Somos ultrapassados por pessoas a andar a pé, vá a marchar, atletas de marcha. Seguem-se as bocas do costume: "Não acredito, estou a ser ultrapassado por pessoas a pé! É desta que vou desistir de correr!" e as respostas "Isto tem muito treino em cima" e a verdade é que eles iam abaixo dos 5 ao km.

Já quentes, e depois de tentar acalmar algum inconformismo e inquietitude interior do meu comparsa, resolvemos acelerar no último km, fazendo juz ao nome da Avenida da Liberdade abaixo, como que para relembrar o corpo do que é capaz.

Resultado final 10 kms em 1:05:08 Novo record pessoal, nunca tinha corrido 10 kms em tanto tempo.

Dois dias depois tinha um torcicolo, mais uma semana sem correr.

 Note to self: ir à Bruxa!



quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

2016

2015 ainda não acabou, mas fica aqui já escrito uma promessa para 2016:

Caso 2016 venha a revelar-se a continuação dos anos anteriores, deixo simplesmente de correr.
Caso 2016 seja um ano saudável para mim, coisa que 2014 e 2015 não foram, então este será o primeiro (que na realidade é o segundo porque a Maratona de Lisboa é em Outubro) desafio de 2016:


O objetivo é apenas reviver a experiência de correr a maratona, como em 2013.
Nada mais.
Não interessa o tempo, não interessa mais nada que não seja participar e acabar bem. Vamos ver o que o futuro reserva.

Para todos um FELIZ NATAL e um BOM ANO DE 2016!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Novidades da Ruptura Muscular

Andava cabisbaixo o nosso herói, aos caídos por aqui e por ali, quando teve uma ideia, afinal uma micro ruptura é uma lesão superficial...







Afinal...



E fui falar com o Fisiatra e perguntei-lhe - Dr. ainda me dói o gémeo mas já posso começar a correr devagar? Posso? Posso? e Ele disse...


NÃO!!!


Mas pode começar a fazer...




FOOTING!!!


Não é maravilhoso?




Adeus


Isto está bonito, está...




sábado, 5 de dezembro de 2015

Relatório de uma semana sem correr

Dado que não tenho grande coisa a relatar, feitos, velocidades, altimetrias ou distancias aqui vai um relatório detalhado do que uma micro-ruptura faz à cabeça de uma pessoa numa semana.


Ponto um: Já que não posso fazer quaisquer treinos com as pernas meti na semana mais um treino de natação, mas só com braços. Ora treinar natação só com braços é mais ou menos assim:




Outra experiencia extremamente interessante foi ver outras pessoas a correr e eu não poder fazer o mesmo:


A sensação de a Fisioterapeuta nos dizer que vamos precisar de mais algumas sessões de tratamentos:





As dúvidas sobre se iremos àquela prova de 19 de Dezembro que queríamos fazer desde há 12 meses atrás quando lemos certos posts em blogues da concorrência (beber para esquecer):
 

Mas pelo menos já posso fazer alongamentos


Bom pessoal que pode correr e vem a este blog... tropecem e partam... quer dizer, bons treinos e boas corridas.





quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Treininho longo... Quinta da Conchas e Estádio Universitário









Era uma manhã simples de Outono, era uma manhã em que o ar trazia uma névoa fresca que deslizava lentamente como um lençol no alvor da cidade, uma manhã onde a humidade e as fragrâncias de seiva se misturavam dentro de mim e alimentando-me um sorriso, nutrindo em mim um querer correr.






Os pinheiros mansos estremunhados do Estádio Universitário receberam-me no que seria o treininho longo da semana, no inicio calmamente, sabia que as suas cercas dificilmente me susteriam se eu queria fazer cerca de 15 kms. Assim, depois de umas voltas desci pela alameda até ao Campo Grande e outra volta depois virei na direcção do Estádio de Alvalade.











As toneladas de copos de plástico que jaziam moribundos no chão, lembravam-me do lixo que tinha ocorrido naquele estádio na noite anterior, pelo que não me demorei por lá e fui pela Alameda das Linhas de Torres adentro.








A minhas passadas sucediam-se leves e despreocupadas, mas ao mesmo tempo fortes e determinadas, orgulhosas com todo o caminho que já percorreram, todo o músculo que já formaram e todas as lesões que já superaram.











Até que por fim entrei na celebre Quinta das Conchas, será que ia encontrar o Ricardo? Sim, o meu plano secreto era sair do EUL ir até à Quinta das Conchas e voltar. Subi o bosque, à esquerda de quem entra, e dei uma volta por toda a Quinta até que à saída da quinta senti uma raiz a chicotear-me a perna por detrás e uma dor imensa no gémeo. Parei ao 9ºkm!






Eu sabia que as raízes da Quinta das Conchas são traiçoeiras (não é Ricardo), mas quando olhei para traz não vi nenhuma raiz, só terra batida. A dor era interna... resolvi voltar a pé para o carro.






No dia seguinte o médico entregou-me uma sentença: micro-rotura do gémeo. Começo a fisioterapia amanhã. Ainda há quem se queixe que está em má forma...






Podia queixar-me que as lesões me perseguem desde o inicio de Setembro e que devia ir à feiticeira, mas as lesões são uma parte da vida, e a feiticeira está sempre a fugir. Grande parte da vida é aprendermos a levantar-mo-nos e seguir em frente.












Porque o futuro, o futuro é o cada um que o faz!











segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Maratona do Porto - Um cheirinho a...

(O Cromo maior)


No lobby do hotel,
O átrio do hotel recebeu-nos com o seu melhor porte altivo, o lobby do hotel era como uma senhora madura de pele alva e que comunicava a sua indisponibilidade para o compromisso com o seu vestido preto com de longas linhas minimalistas. Neste cenário convergiam apenas duas cores, o preto o branco, divididos por longas linhas do mobiliário de design e onde não ousava pousar sequer o mais pequeno grão de pó, carpetes luxuosas em preto e um mármore imaculadamente branco reluzente.
"Sabe qual é a melhor forma de ir para o Parque da Cidade?"
"Olhe, se calhar é melhor fazer como os outros maratonistas que vão a pé. São só dois kms. Quem faz uma maratona faz mais dois..."
...dedo mental
A diferença entre as cores acentuava o efeito de fronteira, os limites, entre o bem e o mal entre o certo e o errado e convidava todo o hóspede a um comportamento civilizado, organizado, observando silêncio da sua posição, como se sentisse a cada passo sentisse que estava a pisar ovos.
Mas todo este espelho falso de luz e sombras foi estilhaçado logo às 7 da manhã no pequeno almoço, quando centenas de hóspedes vestidos de cores garridas, das suas equipas e equipados para ir correr uma maratona invadiram o restaurante do hotel, gerando um caos organizado, divertido, e onde se adivinhava o fervilhar de entusiasmo nos sons que finalmente se ouviam. Estranho, privilegiando a ingestão de hidratos e líquidos. Ninguém tocou no leite...
Parque da Cidade.

Confesso que normalmente não gosto de dizer bem desta cidade, enfim outros futebois, mas a verdade é que os parque desta cidade batem aos pontos os da Capital.
O Outono aqui tem cores mais vivas, os verdes são mais verdes, os amarelos mais amarelos e até os vermelhos são mais vermelhos, salpicado com uma humidade no ar natural daquela zona que me faz sentir maravilhado.

Chegados ao recinto de partida da prova, com uma passagem nervosa pela wc, foi me fácil encontrar os restantes membros da pandilha e aproveitar para largar algum do nervosismo inicial. Dirigimo-nos aos blocos respectivos, acertamos os relógios e ouvimos o tiro de partida. Corremos 100 metros mas recomeçamos a andar, andar numa maratona?
Setembro de 2015
Estava na expo de cócoras, corpo dobrado sobre si mesmo, espírito quebrado, depois de correr 27 kms dos 30 que me tinha comprometido naquele dia. Doíam-me os abdominais e os abdutores nas pernas e mal conseguia alongar.
Nestes dias de preparação para a maratona, experimentei um sentimento novo, para além das dores da pubalgia, sentia um enjoo, um nojo de correr, perdi a vontade de correr, perdi o prazer de correr. Se não fossem os compromissos com os meus companheiros de alcatrão não me apetecia sair para correr. Correr tinha-se tornado um frete, e depois deste treino, então, resolvi para proteger o corpo e a mente, e parei.
Foi tempo de parar, fechar os olhos e olhar para dentro, parar e pensar o que estava a fazer, porque estava a fazer, para e voltar para o básico, para as raízes, para a lama, para o  cheiro húmido da floresta, do sentimento de liberdade, o perfume da seiva, de estar acompanhado de mim mesmo... Deixar que a montanha cuide de mim, que a floresta me alimente esta vontade de desatar a correr trilhos acima com a alegria de uma criança a brincar.
Saída do Parque

Passada a passada vinha acompanhado com o Ricardo, passada a passada vi o Eduardo e o Filipe disparar perseguindo os seus sonhos, passada a passada eu e o Ricardo fazíamos figuras tristes atrás de uma fotografa; passada a passada vi o Pedro ir a correr "na dele" apenas cinco metros à frente, passada a passada convenci o Ricardo a apanhar o Pedro que ia à nossa velocidade, passada a passada apanhamos o Pedro, passada a passada cantei-lhes com o meu melhor falsete em voz alta o "My Heart Will Go On" da Celine Dion (uma private escusam de tentar perceber).
Não íamos a uma velocidade muito elevada, cerca de seis ao quilometro, pelo que aproveitamos os quinze quilómetros para dizer os maiores disparates que nos vinham à cabeça, desde comentar a equipa de Homens-Aranha que nos acompanhavam, até às Frances(inh)as que puxavam "Allez Ricardô"
Sim, quinze quilómetros! Eu e o Ricardo íamos à family race por dificuldades na preparação e o Pedro ia fazer a sua maratona.  Nesta family race apanhámos a parte mais feia do trajecto da maratona, do parque da cidade até ao porto de Leixões seguimos pela zona mais industrial, com grande parte do percurso feito em cima daqueles paralelepípedos irregulares que nos moem os pés. Pelo menos deu para fazer 100 metros a correr de costas...

Já me chateava o Ricardo estar sempre a dizer que eu podia ir à minha velocidade, apetecia-me ir com eles e depois? Ao menos o Pedro está sempre calado. "Vais fazer o último km a sprintar?" - Cala-te e corre, pá! :)
Acabada a corrida, foi a vez de andar 3 kilometros inteiros até ao Hotel. Quando lá cheguei, na entrada, uma corredora saiu de um carro com dorsal ainda na camisola e disse: "Não havia taxis, não havia autocarros, tive que tomar uma carona né? não podia via a pé!" ... doem-me os pés, pensei.
Depois do banho (desta vez tomei, tinha um social depois), dirigi-me ao Capa Negra II para um excelente repasto pós prova,  com a família do Ricardo. Foi tempo de descobrir as francesinhas, e partilhar as experiências da prova.
Para esmoer aquele molho todo acompanhado a batatas fritas, peguei na mulher e fomos passear ao Jardim de Serralves, melhor Serralves não é um jardim, Serralves é uma obra de arte. Fui passear em arte... Já conhecia, e hei-de lá voltar. é dos recantos mais bonitos construídos pelo homem em Portugal.

Já com a alma lavada, eram cerca das 18h quando estacionei na Rua Arqº Marques da Silva para uma ultima celebração da amizade em familia no Capa Negra II (Outra vez!). Durante três horas foram servidos sorrisos e gargalhadas acompanhados de gritos de crianças, e regados com brincadeiras, biberões atirados à cara e declarações de amor em público. É fácil...
Em breve há mais...














sábado, 31 de outubro de 2015

Trilhos de Halloween

Hoje acordei, levantei-me e fui... eu sei, era dia das bruxas, noutros tempos seria o inicio do ano novo no calendário celta... mas pese embora me tenha enfiado em modo de reconhecimento por trilhos desconhecidos em Monsanto, não vi fantasmas, nem cavaleiros sem cabeças, nem bruxas... mas que as há... há.




A luz "bruxuleava" por entre as copas...






(obrigado mais uma vez aos BTTistas pela criação destes trilhos maravilhosos)














Hmmm colhiam-se medronhos em Monsanto, passeavam-se cães e pais brincavam com filhos. Quando se tem as prioridades certas a vida é fácil.







No final foram só 11 kms, mas foram bons.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Nadar como uma menina - Efeitos dos treinos da maratona I


Não consigo deixar de partilhar esta situação pela diversão e pelo interesse pedagógico. Pode parecer ridículo, mas é interessante o ponto de exaustão a que o meu corpo chegou no decorrer dos planos para a maratona.
Terça feira ao final da tarde fiz um treininho de 14 kms, fiquei no limite das dores nos adutores, mas o treininho foi bom.

Quarta feira imergi-me  todo confiante na piscina e em vez das 8 piscinas de aquecimento fiz 12 de crawl sem perder o controlo da respiração. Depois mais umas piscinas de braços e outras de pernas até que tive uma caimbra no gémeo esquerdo. Nada de novo, é habitual e costuma passar. Retomei as braçadas... Todavia desta vez a caimbra teimava em ficar.

O musculo não desprendia, a caimbra continuava e por isso o professor pediu que saisse da piscina. E foi com a única perna que ainda funcionava que tentei saltar da piscina cá para fora. Todavia mal fiz força senti o gémeo direito a ficar preso... numa caimbra.
FABULOSO, TINHA AS DUAS PERNAS PARALISADAS E A DOER COM CAIMBRAS!!!

Arrastaram-me de costas para fora da piscina e o professor passou a 2ª metade da aula a fazer-me alongamentos e massagens (cuidado com as bocas e os boatos) nas pernas.

O pessoal do triatlo a olhar para mim, as raparigas da aula a olharem-me de lado...
A vergonha...

Já sei, falta de magnésio...

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Maratona do Porto - Treino Crepuscular

Estava eu parado uma encruzilhada na minha cabeça ir à maratona ou não ir? Batiam as 18h de uma sexta feira, tinha gravado os ficheiros de excel, desligado o portátil e saí do emprego para "O treino". Monsanto esperava-me, enquanto a cidade a cidade estava mergulhada num crespuculo outonal numa tarde que já não era dia nem era noite, num Outono que já não era Verão, mas também não era Inverno.


Nesta antecâmara que tem sido a preparação Maratona, tinha corrido da forma anacrónica. Até ao primeiro treino de 25 kms, no inicio de Setembro, tinha corrido tudo bem, perfeito, o próprio treino correu de forma excelente, excepto aquela queda que me fez uma contusão nas costelas e me obrigou a ficar duas semanas no estaleiro... a perder a forma. Depois o regresso das dores da pubalgia no treino longo de 30 kms, dos quais só consegui fazer 27 kms, e acabei totalmente agachado por causa das dores.


Foi assim que sai da cidade e submergi em Monsanto, o cheiro a terra molhada lentamente lavou a fuligem da dúvida dos meus pulmões. Comecei primeiro pelos caminhos conhecidos de alcatrão para aquecer e depois fui para os estradões já conhecidos. O meu objectivo deste treino, não era nada de especial, era ver se em 10 kms as dores da pubalgia regressavam... e tomar a decisão sobre se iria à Maratona.



Depois de sair do Jardim do Calhau e entrar na Mata de São Domingos de Benfica, voltei aos estradões de terra batida até que, depois de uma curva, ergue-se à minha frente uma velha muito velha com uma ruga no nariz que me apontava o dedo para um trilho escuro, castanho para  BTT que desaparecia na folhagem verde, pelo menos foi uma velha que me pareceu à primeira vista, depois percebi que era um tronco de árvore tão retorcido, tão retorcido que parecia uma velha muito velha.





Há qualquer coisa de subversivo algo de profundamente libertador em correr em trilhos na natureza, quebrar os grilhões da cidade, sair da estrada por onde nós íamos e mergulhar na floresta, na montanha, a chover, com frio, sem ninguém nos dizer onde e quando deveremos correr, andar, tirar fotos ou voltar a correr, virar de repente à direita, ou à esquerda, subir montes, ver paisagens fantásticas ao mesmo tempo que nos sentimos parte dessas paisagens e portanto sentimo-nos fantásticos. A qualquer momento poderemos deslizar na lama, saltar sobre pedras soltas, com sapatos completamente enlameados, com silvas a rasgarem-nos as pernas, a passar por baixo de árvores caídas, com cada passada absorver todo e qualquer pensamento, correr em trilhos é a electricidade a percorrer o nosso corpo e a nossa mente, é como conhecer o nosso primeiro amor, uma e outra vez, é estar sozinho, sozinho, completamente sozinho, mas com melhor companhia possível, a nossa, até que cheguei àquela clareira, sem árvores altas à minha volta, apenas um grupo de rebentos verdes e amarelos que me rodeavam e me começavam a chegar à cintura, aos ombros, ali naquela clareira, sem vista para qualquer coisa nenhuma humana, despido de medos, despido de tudo, vestido de mim, ali naquela clareira estava ofegante, extenuado, suado e gelado, mas ali naquela clareira eu era livre, ali tinha um sorriso rasgado, ali fazia o que gosto e o que queria, era aquela a razão porque corria, ali eu era feliz, ali naquela clareira eu sou eu, mais nada. Se me visse de fora para dentro, o eu que estava naquela clareira, pese embora saber que não tinha o corpo preparado para fazer uma maratona, pese embora saber que nunca poria em causa a possibilidade de correr naquela clareira por causa de uma pubalgia que já o retirou três meses de actividade, aquele eu não irá à Maratona do Porto porque não é um sonho dele, pelo exercício de livre arbítrio, porque não o quer, porque não tem uma motivação intrínseca para o fazer, aquele eu, como os mais próximos dele sabem tão bem, nunca deu importância que outros dão à maratona, nunca sentiu o ouviu o chamamento, o chamamento dele vem da montanha, vem dos rios, vem dos pássaros, vem do resfolgar das folhas, vem da floresta, aquele eu tem 41 anos e já não está para fazer fretes, onde frete quer dizer, fazer o esforço descomunal que uma maratona exige para atingir algo com que neste momento não sonha, este eu não desiste do seu sonho em contrapartida da pseudo-gloria dada por uma maratona.





Subitamente o trilho acaba e numa contracção expulsa-me do ventre do bosque para um estradão, mentalmente grito em protesto contra o fim do trilho, o fim do prazer, o fim do bem bom que se estava lá dentro: Quero voltar!!!




Corro devagar para recuperar a respiração até que um Gaio se planta num ramo de um pinheiro a 3 metros de mim a grasnar ameaçadoramente, paro surpreendido pela situação, penso que deve estar a tentar proteger o ninho da minha presença, mas a verdade é que não estamos na época de nidificação... estamos no outono. Tomo aquilo como um aviso, olho para o relógio, reparo que já fiz 10 kms e sei que já tenho as respostas que queria e volto para trás resoluto e em paz comigo mesmo.



No final...

Ele: O que é que leva gente como tu e eu a adorarem passar 4 a 5 horas dentro da montanha a correr, e não encontram a motivação para passar 4 a 5 horas a correr em estrada?


Resposta: Não sei, mas descubro novas respostas a cada treino que faço...