terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Adeus e obrigado

Bolas... já estamos nisto outra vez? Parece que ainda ontem estava aqui a escrever o balanço de 2012 e eis que já estamos por aqui todos a festejar o final de um ano e criar expectativas para um novo ano.
Se, para muitos, a época se traduz de Setembro a Julho, para mim faz-se de Janeiro a Dezembro, por isso estamos em altura de fazer balanços. Então o meu 2013 foi assim...

São Silvestre dos Olivais, 10ª corrida do ano

Inscrevi-me para a S.Silvestre dos Olivais no dia em que não participei numa prova para a qual me tinha inscrito. No próprio dia do GP de Natal fui ver no computador até que horas poderia levantar o dorsal e aí constatei o facto de que o dorsal teria de ser levantado até ao dia antes. Acontece! Não participei nessa corrida, inscrevi-me desde logo em outra corrida!
Para a S.Silvestre dos Olivais o objectivo principal foi participar na 10ª corrida (prova) do ano!
Depois, já que lá estava, o objectivo seguinte foi fazer o melhor resultado possível.

Adeus 2013...

Foi um ano memorável para mim. Deixem-me resumi-lo apenas com uma imagem:


Desejo um 2014 fantástico para todos!

PS: Zémi, se voltas a editar os meus posts faço-te a folha!!! Ponho-te a correr a maratona de Lisboa e do Porto que é um mimo... e sem mariquices de entorses e gripes!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Porque Corro? Feliz Ano de 2014

Nesta altura em que é suposto fazermos um balanço da vida e do ano, aqui apertado entre uma tosse e uma entorse, apeteceu-me debruçar sobre isto. E dado que cada um tem as suas razões aqui vai:


Porque gosto da sensação de superação
Porque gosto de atingir a meta
Porque gosto de me perder numa floresta
Porque gosto de ultrapassar montanhas
Porque gosto de me encontrar à beira mar
Porque gosto de descobrir novos trilhos
Porque gosto de com quem corro
Porque gosto de correr sozinho
Porque gosto de conhecer pessoas
Porque me faz dar o melhor de mim
Porque me ensina a não desistir
Porque gosto de passear
Porque posso pensar na vida
Porque falo com amigos
Porque fujo dos meus fantasmas
Porque descubro que eles correm comigo
Porque me tira o peso do mundo de cima dos meus ombros
Porque me sinto livre
            Como uma criança
Porque me sinto a morrer de exaustão
Porque ao sentir me a morrer
            Me faz sentir que estou vivo
E assim sinto que me supero

...
 Ah, é verdade e dizem que faz bem ao corpo



Festa (molhada) de São Silvestre de Lisboa

Para mim, a “Festa de S.Silvestre” começou no dia anterior à corrida de S.Silvestre.
O Team JRR e Amigos reuniu-se em “assembleia-geral extraordinária”, diga-se almoçarada J, com todos os “sócios” presentes. Belo convívio e belo repasto onde o tema principal de conversa foram as potenciais provas e planos desportivos de cada um para 2014. Lançaram-se alguns desafios uns aos outros e também se falou de provas fora de Lisboa. Fica para os próximos meses novos capítulos das aventuras J. O Team “a ganhar asas”!

domingo, 29 de dezembro de 2013

São Silvestre, o que esteve para ser e afinal não foi



E pronto. Está feito o ano em termos de provas. E logo com a São Silvestre de Lisboa, a corrida que seria marcante por marcar tantas coisas que foram previamente marcadas. Depois de tantas e tantas conversas sobre como, durante um ano inteiro, não conseguíamos estar os seis juntos numa prova, a São Silvestre de Lisboa ajustava-se que nem uma luva. Todos inscritos já foi uma festa. Depois camisolas para todos, com direito a almoço e tudo. Outra festa... Faltavam os quases.

O primeiro quase foi o Zé. Ele diz que estava doente, mas eu suspeito que ficou foi em casa a acabar o resto do peru de Natal. E foi-se o primeiro objectivo de estarmos os seis juntos numa prova.

O segundo quase veio do Pedro. E, uma coisa destas, só poderia ver dele mesmo. Depois de tantas e tantas conversas, não percebeu que a camisola que lhe foi entregue no dia anterior, 24 horas antes, era afinal... para usar...

E o terceiro quase foi meu. Tinha definido que seria nesta prova que iria melhorar o meu tempo aos 10 kms, definido em 48m10s. E seria nesta prova porque, se tudo correr conforme o planeado, será a minha última corrida de 10 kms durante muito tempo. Talvez só regresse aqui mesmo, para a São Silvestre de 2014. Até lá provas de corrida só de 20 kms para cima.

Mas não deu. Arrancámos todos juntos no último terço do pelotão de 8000 atletas e bem tentei furar. Nos primeiros dois quilómetros só fiz zigue-zagues, mas nunca consegui manter um ritmo abaixo dos 5 min/km. Soube de imediato que se quisesse baixar do minuto 48 teria de me esforçar bastante. À passagem do Cais do Sodré, e finalmente com espaço, tratei de dar à perna. Aproveitei as laterais da 24 de Julho e ataque com tudo o que tinha. Andei sempre por volta dos 4m30s/km, sempre no limite. Passei os 5 kms com 23m53s, pelo que o objectivo era possível de alcançar, mesmo depois dos primeiros quilómetros complicados. Mas faltava a subida da Avenida da Liberdade. E foi aí que perdi tudo. Depois daquele esforço a tentar recuperar tempo, não consegui manter o ritmo na subida. Quase desmoralizei, mas na rotunda do Marquês recuperei as forças e comecei a sprintar na descida. Lá no alto, aos 9kms, olhei para o relógio uma última vez e estava com 44 minutos certos. "Será que consigo descer isto em menos de 4 minutos?", pensei eu. Decidi então não voltar a olhar para o relógio e dar o meu máximo na descida. E dei, mas mesmo assim não foi suficiente. 48m24s na meta, 15 segundos a mais do que necessário para bater o meu recorde pessoal, 25 segundos a mais para cumprir um objectivo do ano, baixar dos 48 minutos nos 10 kms. Mas acabei satisfeito. Dei tudo o que tinha. Não dava para mais.

Quanto ao Team JRR foi chegando aos poucos, todos com a sensação de dever cumprido. E todos com muito frio. Dispersámos rapidamente, certamente com muitos pensamentos sobre como será 2014 em termos desportivos... Pessoalmente falarei disso no habitual texto de balanço anual.

São Silvestre de Lisboa 2013 - A Corrida JRR

Há alguns meses atrás, numa habitual troca de mails entre todos aqui do blogue, chegámos à conclusão de que a São Silvestre de Lisboa seria a primeira prova em que estaríamos todos juntos pela primeira vez. Até aqui, nunca se tinha proporcionado irmos todos à mesma prova. Por uma razão ou por outra, havia sempre alguém que faltava, e assim tratámos de combinar algo diferente para esta corrida. Não foi Pedro?

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A todos os que nos acompanham, ...

... a menina e os meninos daqui do blogue desejam:


E não se esqueçam de enfardarem o maior número de doces e bolos e fritos, etc!!!
 

Mas depois não se queixem... :)


Eu, federado!

E pronto. Está concluído o meu processo de licenciamento para a Federação de Triatlo de Portugal. A partir de 1 de Janeiro de 2014 sou de novo um atleta federado, ao serviço do clube SS CGD.

E digo de novo porque já fui federado, e durante muitos anos, na Federação Portuguesa de Patinagem. Joguei hóquei em patins entre 1986 e 1996 no Ginásio Clube de Odivelas, um clube que me deu muitas alegrias e me ajudou a crescer.

Mas agora é diferente. Se nos meus tempos de patinagem o objectivo era vencer jogos e campeonatos - e tenho em casa duas medalhas de campeão regional de Lisboa - agora o objectivo é superar-me apenas a mim próprio. Obviamente não vou a duatlos e a triatlos para ganhá-los, para isso estão lá os atletas de topo. Quero, antes de mais, chegar ao fim. E depois, se puder ser, ir melhorando de prova para prova.

A ver vamos como esta aventura corre.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Down and Up and Down and Up and... puff...

Para hoje tinha planeado um treino longo. Por questões caseiras (não, não foi por "castração desportiva" por parte da Presidenta), tal não foi possível e acabei por experimentar uma coisa que já estava há algum tempo para experimentar.

Vivo numa zona, topográficamente falando, algo acidentada. Por isso decidi aproveitar isso em minha vantagem e experimentei correr aqui perto de casa. Mas não me fiquei por essa inovação. Existe uma estrada mesmo boa para treinar subidas... talvez demasiado boa. A ponto de um amigo meu (que faz a maratona em 3h10m) que utiliza, tal como eu, o site Strava.com para registo de atividades por importação de dados do Garmin, marcar um segmento de 1 Km com um ganho de elevação de +/- 100m. 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Nélson Mandela


Muito se poderia escrever sobre Nélson Mandela e sobre o seu contributo para tornar este mundo melhor.

O 1º treino nocturno de corrida

Na 3ªfeira, por volta das 20:30, estava a fazer o meu 1º treino nocturno de corrida. Já participei em provas à noite mas treinos não me lembro de tal ter acontecido. Foi a 1ªvez que saí do conforto do lar à noite para ir fazer um treino de corrida.
Foi um treino de apenas 6kms mas valeu a pena. Aproximadamente 6kms em 30m45s. Uma nova experiência e um treino intenso.
Curiosamente as próximas provas em que estou inscrito vão se realizar à noite. Vêm aí as “São Silvestres”. Sim estou inscrito na S.Silvestre de Lisboa e… também na S.Silvestre dos Olivais.
Para a S.Silvestre de Lisboa estou inscrito há uns meses mas para a S.Silvestre estou inscrito apenas há uns dias. O facto de recentemente ter acabado por não participar em provas para as quais me tinha inscrito contribuiu para a decisão de me inscrever para a corrida dos Olivais.
Esperemos que esteja bom tempo nas noites de final de ano ou que pelo menos não chova, para que mais gente apareça nas ruas nestes dias.
Boas corridas!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Edital

EDITAL

Ricardo, membro do blog jrr-desporto.blogspot.pt, torna público que por deliberação da Presidente da Comissão Caseira de Atletismo Amador (*), de 16 de dezembro de 2013, foi aprovado o seguinte plano para as corridas a realizar pelo próprio no ano de 2014:

50000

 
O blog chegou às 50000 visualizações!

Uma brincadeira de Amigos e assim começou um blog onde abordamos as nossas aventuras desportivas e aquilo que nos apetece "falar", tendo como ponto de partida o desporto.

Tenho muito gosto em partilhar a edição deste blog com os meus Colegas/Amigos J.

É engraçado constatar o facto das decisões relacionadas diretamente com o blog normalmente serem tomadas em menos de 5 minutos e quase sempre por unanimidade. Demoramos bem mais a acertar datas e locais para almoçarmos juntos do que a definir qualquer coisa no blog J.

O blog começou por se chamar JRR-Desporto, simplesmente pelo facto de serem as iniciais dos nomes dos “sócios fundadores” e ter ficado combinado contarmos no blog as "peripécias" das nossas provas. 3 Homens estão a decidir um nome para um blog e em menos de 1 minuto fica decidido o nome mais simples. Dito e feito!

Depois o “espírito” do blog “ganhou asas” e naturalmente se alterou o nome para JRR e Amigos - Desporto. Decisão rápida e que fez todo o sentido para todos nós J.

E é isso mesmo o blog, um espaço onde Amigos partilham perspetivas e experiências, tendo por base o desporto.

O meu obrigado aos Colegas/Amigos do Team e o meu obrigado aos leitores do blog.

Abraços

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Obrigado Russia! - Blagodarya Rossiya !

Com a bonita soma total de 50.000 visualizações, gostaria especialmente de agradecer aos nossos seguidores da Rússia, o especial apoio que nos proporcionaram até agora!

Com um distanciamento tão grande entre as nossas grandes pátrias, é difícil acreditar que os russos sejam a 2ª maior nacionalidade a acompanhar os nossos textos!

Spasibo !


С довольно общей суммы 50 000 просмотров, особенно хотелось бы поблагодарить наших последователей из России, специальная поддержка, которую они дали нам до сих пор!

С такой большой разрыв между нашими родине, трудно поверить, что русские являются 2 по численности национальность сопровождать наши тексты!

спасибо


(O autor desde texto não percebe nada de russo, portanto qualquer erro gramatical ou de sentido conotativo existente no texto é da responsabilidade do Goggle!)

(Автор этого текста ничего русского не заметил, так что любая грамматическая ошибка или существующих коннотативная значение в тексте является обязанностью Goggle!)


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Meia Maratona dos Descobrimentos - There and Back Again


O título deste post bem podia ser uma alusão o 3º filme do Hobbit, que vai estrear em 2014...
Também podia ser uma referência ao percurso desta prova que tem o "there" no Poço do Bispo e o "back again" em Belém...
Mas também podia ser um "there" como uma referência à primeira 1/2 maratona que fiz, em setembro de 2012, e um "back again" como sendo esta, a minha segunda meia maratona, o meu regresso a esta distância...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Meia Maratona dos Descobrimentos – Correr com D. Sebastião

9H15: Uma brisa cortante marítima abraça os muitos corredores que aceitaram o desafio de num domingo de Dezembro “despachar” 21 km´s (ou 10 km´s) em “running mode”.

A porta do Museu da Marinha foi o ponto de encontro/abrigo. O ajuntamento engrossava a olhos vistos. A Sofia, o Rui, o Ricardo e o Zemi do blog JRR, mais o Filipe, o Pedro Ribeiro, o Eduardo e o Fernando do Clube de Corrida tinham aceitado o desafio. O grupo não estava de todo fechado, porque mais companheiros da SSCGD e de participação individual chegavam aos poucos. Foi de certeza uma das maiores participações de conhecidos que me lembro de ter visto em corridas neste ano.


O frio esse, também não dava tréguas. Os óculos escuros eram complementos de utilidade duvidosa. Más línguas insinuaram que serviam para os flash´s  das cameras fotográficas.

Os aquecimentos faziam-se ao som das conversas. “Matava-se” assim o frio fisicamente e psicologicamente. Até aquela altura o D. Sebastião persistia mas não demovia.


                        (A nova moda do aquecimento nordico: Vestir-se de coelho e fazer o aquecimento deitado) 

A melhor ideia foi mesmo a formação do pelotão de partida. Com tanto corpo humano junto, o calor enfraquecia os tremores.

Com confusão q.b. encarámos o início da corrida com um “até que enfim”. Afinal não queríamos perder o calor que entretanto ganhámos com tal ajuntamento.

Passagem pelos Jardins de Belém e carburámos subida a cima até ao Estádio dos Belenenses (estádio com o melhor miradouro de Portugal). Mesmo com um jogo “engonhado” a vista está sempre garantida.

Que bem calhou a subida. O seu final lembrou-nos que a parte mais complicada estava feita.

Entretanto a descida até Algés desmembrou o grupo. Do meu subgrupo consegui reter o Filipe comigo. O Rui tinha-se escapado no início da descida. O Eduardo mais o Fernando “rodavam” um pouco mais atrás.

Pensei que com a subida a todo o gás, o D. Sebastião pudesse surgir, tamanho o esforço e o nevoeiro. Nada disso.

Entretanto retomámos novamente ao itinerário principal dos descobrimentos e pela segunda vez passámos pelo Jardim de Belém.

Um “deja vu”, fez-me lembrar que naquela manhã percorria uma parte do itinerário da maratona de 6 de Outubro. Na meia hora seguinte relembrei em “slides mnemónicos” alguns desses momentos.

Entretanto o Filipe literalmente, puxava por mim. Temi que pudesse acontecer o mesmo que na maratona, ou seja, vê-lo encostar às “boxes” devido ao entusiasmo desmesurado. Felizmente não aconteceu. E se eu temia por um D. Sebastião desaparecido mas não esquecido, tinha um Super Filipe a “comer asfalto” como se “não houvesse amanhã”.

Não fomos ao Rossio, como definido no site oficial. Depois do empedrado que antevia o Terreiro do Paço (uma espécie de quilometro em modo saltos altos), fomos em direcção a Santa Apolónia e um pouco mais à frente.  “Nunca mais arranjam esta parte da cidade” ….pensei eu!

Fizemos o retorno em alta rotação, e tal regresso permitiu “puxar” por quem nos antecedia e sermos “galvanizados” por quem nos perseguia.

O abastecimento ao 15º km fez-me efectuar “ponto de situação”: o sol tinha suplantado o frio e o algum vento que soprava fazia ricochete no “colete à prova de frio” que o esforço da corrida nos tinha emprestado.

Mesmo assim, temi o D. Sebastião, e na preocupação de tal aparição, quase “perdi” o Filipe. Mas “amarra forte é laço de sorte”, portanto tempo depois, acabei por deixar os temores para trás, e lá fomos a todo o gás para prometida “ilha dos amores”, terra prometida identificada com a palavra “META”. Não era terra de ninfas, mas houve um sortudo que encontrou uma na zona de massagens!

Fomos engrossando o grupo, no ponto de reencontro. Nesta rota dos descobrimentos todos (uns com mais esforço que outros) tinha ultrapassado o seu “adamastor”! Eu pela minha parte tinha ultrapassado o meu. Saquei do papel higiénico escondido no elástico dos calções. É que até ver a minha desregulada flora intestinal (o D. Sebastião portanto) estava dominada.


“Quem vai aos descobrimentos, precavê-se em terra” 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Meia Maratona dos Descobrimentos - Dedicada ao Padrinho


(a equipa aquece-se)




Estive sempre em dúvida sobre se iria conseguir ir a esta prova por causa da pubalgia que me afectava intermitentemente desde Julho. A própria inscrição foi feita à última hora para garantir apenas que teria opção de correr, mas depois da primeira experiencia falhada com a Meia do Rock & Roll queria desesperadamente matar o borrego e fazer uma "meia" do principio ao fim. E em boa hora o fiz, pese embora todos os precalços que se sucederam e que veremos à frente.

O alvorada deste dia foi lindissima, com a luz fraca do sol outonal a acariciar lentamente o verde seco e acastanhado das enconstas de monsanto e árvores cujas sombras ao acordar, por baixo véu em forma de neblina de neblina, com o frio (3º), teimavam em se levantar preguiçosamente do chão. e o vale de Belém mergulhado numa névoa mágica.

Estava frio e a corrida começava com uma longa subida, era portanto imprescindivel um bom aquecimento, e assim fizemos. Eu, o Ricardo - que tinha como objectivo ficar abaixo das duas hora (o meu segundo objectivo) e o Cunhado.

(três estarolas a aquecer)

O 1º Km a subir até ao estádio do Restelo correu de acordo com o planeado, em 6', os kms seguintes também, sempre a acelerar até ao 5:30 que mantive até ao 5º km. Até aqui sempre acompanhado pelo Ricardo. A partir daqui, já estaria quente, tinha planeado fazer 5:20 por km, e disse ao Ricardo que iria acelerar ao que ele retorquiu "então vai" em jeito de despedida. Mal ele sabia...

Alargo a passada, ligo o mp3 pois a partir daqui iria só. Mais à frente encontro uma rapariga com a camisola da Caixa, que ia mais ou menos ao meu ritmo, que ia sozinha como eu, que ia com fones nos ouvidos como eu. Mas que eu não conhecia de lado nenhum. Ponho-me ao lado dela, cumprimento-a e seguimos em silêncio cerca de um/dois quilometros.

Sem querer piso uma pedra com a planta lateral do meu pé direito...

Sentia-me muito bem, e pergunto à minha parceira de ocasião se não quer acelerar um pouco, ela, que sabe que aquele é o ritmo dela, declina. Deixo-a e acelero até aos 5:15 no 8ºkm. Até aqui tudo estava perfeito, mas...

...há uma dorzinha na planta do pé direito...

Metro após metro vou desacelerando tentando não forçar a dor, mas esta como uma interminável nota dissonante numa sinfonia em allegro vivace, continua em crescendo até me forçar a coxear. Na ribeira das naus o chão empedrado torna-se numa tortura, ainda assim continuo, passa por mim o Albano que me dá força.

A rapariga da Caixa que me fez companhia, acaompanha-me um pouco e comenta simpaticamente: "Há ai qualquer coisa de errado, não há?" - anui "o pé direito".

A dor vai-se intensificando até ao km 13º, feito já em 6'30'', altura em que todos os restantes elementos do blog passam por mim em sentido contrário (não sei se me viram cochear). Quando chegamos à estação de Santa Apolónia, já não consigo continuar, penso que devo ter uma fractura no pé, e que o melhor é desistir e telefonar à minha mulher para me vir buscar...

... e a crónica acabava tristemente aqui não fosse...

É neste momento que o Ricardo, o meu padrinho das corridas, e que eu tinha deixado para trás há uns kms, me vê hesitar, e me dá um empurrão nas costas e grita o clássico das corridas: "ABRANDA MAS NÃO PÁRA!"

Digo-lhe o que se passa com o meu pé, ele em vez de me deixar para trás, vai comigo àquela velocidade lenta, indicando-me os caminhos mais planos, que magoem menos o pé, para correr. E pouco a pouco, não sei porque motivo, se é uma questão psicológica de correr acompanhado, se foi alguma razão fisica, mas a verdade é que a dor vai ficando suportável.

Vamos acelerando até aos 5'55'' no 16º km, altura em que fazemos as contas e vemos que se nos esforçarmos ainda conseguimos chegar à meta antes das 2 horas. Sentia-me bem outra vez e depois do que ele tinha feito por mim, queria mesmo que ele chegasse à meta antes das duas horas.



Sempre a gritar por nós, aceleramos para os 5'20'' no km 19, 5'17'' no 20º e 5:13 no 21º. Mesmo com o meu pé lesionado e mesmo com os problemas respiratórios do Ricardo...

Na reta da meta ainda ouço a minha mulher a puxar por mim, e a tirar uma foto. Ainda assim o tempo final de chip foi de...

...2h00m21s

Foi por pouco mas não conseguimos. Ainda assim uma série de provas menos conseguidas no inicio da época ensinaram-me a tirar sempre o positivo de cada prova. Neste caso saliento o seguinte:

1 - Consegui correr uma meia maratona de fio a pavio pela primeira vez - Graças ao Ricardo;

2 - Recebi uma lição de auto superação da dor - nunca pensei, mas cada vez mais sinto que há algo de neanderthal em mim;

3 - Recebi uma lição de amizade.

Sem o Ricardo nunca teria conseguido, e sei que ele sacrificou o objectivo dele de baixar as duas horas para puxar por mim. E a ele dedico a crónica.

P.S. Ahhh e 10 segundos depois de ter acabado de correr não conseguia não conseguia por o pé no chão. Fui à tenda da Cruz Vermelha e depois ao hospital fazer raio x...


Diagnóstico: Entorse da planta do pé. Menos mal

Treino de 10 kms em Odivelas


Depois de duas semanas de "folga" dei uma “corridita” de aproximadamente 10 kms, perto de casa, em Odivelas. O percurso traduziu-se numa volta da “légua de Odivelas 2011” e mais 5 voltas a um “circuito” de 1km nas colinas do cruzeiro. Este circuito de 1 km é aquilo que de plano se arranja nas colinas pois o resto do terreno na urbanização é a subir ou a descer J.

Foi o conciliar da vontade de correr com o aproveitar do tempo disponível, daí a opção pelo treino ser perto de casa.

O objetivo do treino foi apenas “desenferrujar”. Depois de duas semanas sem correr notou-se alguma falta de ritmo e isso refletiu-se no tempo de 55m25s.

Para manter a regularidade dos treinos, vou procurar realizar um treino a meio da semana antes do jantar. Para a corrida o meu objetivo é muito simples: um treino (ou prova) por semana, seja a que dia for. E sinceramente vejo este objetivo como sendo mais importante do que qualquer marca que possa alcançar.

Aproveito para dar os parabéns aos colegas/Amigos do Team JRR pela participação na Meia-Maratona dos Descobrimentos J. E já agora parabéns pelos resultados também J.

Boas corridas!

domingo, 8 de dezembro de 2013

Surpresa à beira do Tejo

A inscrição estava feita há muito, mas também há muito me tinha mentalizado para a hipótese de não poder participar nesta Meia-Maratona dos Descobrimentos. E estava mais que conformado com isso, de tal modo que nem fiz qualquer preparação para esta prova. Apenas os treinos semanais de 10 kms. Mas a duas semanas, as coisas que havia a resolver lá se resolveram e a agenda ficou novamente livre para a manhã de 8 de Dezembro. Sem tempo para me preparar, como tinha feito para a prova de Março, entrei numa de ir e depois logo se via.


Comparando com a Maratona de 6 de Outubro, a logística para esta foi a coisa mais fácil do mundo... Ou pelo menos pareceu. Tudo tranquilo e na véspera só uma dúvida pairava no ar, tudo por causa do frio matinal que se faria sentir domingo de manhã. Com calma e apenas com 1 hora de antecedência - em Outubro foram quase 3!! - fui com o Ricardo e o Mário a caminho de Belém. Assim que lá chegámos tratei de desfazer a minha dúvida: calças ou calções? Assim que pus o pernil de fora, tomei a decisão mais acertada do dia: calças. Maravilha.

Lá nos encontrámos com o grupo todo, no qual a boa disposição reinava. Espectacular mesmo o ambiente, sem stress ou tensão. Isto à medida que vamos acumulando provas, a coisa começa a fluir de forma mais natural.

Pessoalmente, para esta prova, não sabia exactamente o que esperar. Em Março tinha feito um tempo excelente - 1h46m35s - e imaginava que não fosse fácil batê-lo. Assim ia naquele misto de que podia não correr tão bem como nessa altura, mas por outro lado também achava que não ia ser o descalabro. Enganei-me.

O início da prova deu-se com tranquilidade. Arrancámos em grupo bem no fim do pelotão de 2000 corredores e logo no 1º km fomos ganhando posições. A subida do Restelo fez-se na galhofa, à medida que íamos encontrando amigos e companheiros das corridas, e depressa passámos esta fase mais complicada da prova. Por esta altura já só ia com o Pedro T. e com o Filipe, tendo perdido o resto da malta na confusão inicial. A seguir veio a descida para Algés. E como as pernas se mexeram bem. Passada larga, ainda fresca, e lá fui eu a recuperar o tempo perdido 5.40 no 1º kms, 5.05 no 2º km, 4.40 no 3º km. Estava dado o mote. Sentia-me bem, estava um dia excelente para correr, vou arriscar e tentar bater o recorde, pensei na altura. Apanhei o ritmo da descida e tratei de o manter. O pior é que tomei esta decisão sozinho e com isto o Pedro e Filipe ficaram para trás. Continuei a percorrer kms sempre com um ritmo a rondar os 4.45 e fui-me aproximando do km 10. Em Março tinha passado esta marca com quase 51 minutos. Há dias, em conversa com o Pedro tinha-lhe dito que se conseguisse fazer os 10 kms abaixo dos 50 minutos estaria bem encaminhado para bater o recorde. Passei com 48m32s e fiquei satisfeito com o meu rendimento. Agora era só continuar assim.

Só que o pior era continuar assim. A partir do km7 surgiu-me uma dor lateral no joelho direito. É uma dor que tenho de vez em quando, que chateia, mas não me impede de correr o que quero. Mas normalmente só faço treinos de 10 kms. Como seria agora com mais 14 pela frente. Era a grande dúvida. Até ao km15 mantive-me bem, sempre com um ritmo abaixo dos 5.00, mas depois a dor agravou um pouco. Calculo que seja dor muscular ou de tendão, pois começou a irradiar por toda a perna. Nesta altura já era mais do que incomodativa. Já era uma dor forte mesmo. Mas faltavam poucos kms, ia com um tempo excelente e não me apetecia desperdiçar esta oportunidade de melhorar a minha marca na distância. Abrandei um pouco - passei a correr a 5.05 - e... sofri! E compensou. 1h44m24s na meta, mais de dois minutos a menos que há nove meses, quase 20 minutos a menos de há pouco mais de um ano, aquando da minha primeira meia-maratona. Espectacular e uma agradável surpresa para quem partiu para esta prova sem saber o que dela esperar.



E o melhor é que foi um bem geral. À excepção do Pedro T., que fez a coisa nas calmas, todos bateram os recordes pessoais - pelo menos acho que sim. Assim no final eram só sorrisos, mesmo apesar do frio. E só o ZéMi levou uma mazela para casa, mas também 17 minutos a menos

A espectacular equipa que resistiu ao frio.
Falta a Sofia e o Filipe


NOTA PARA A XISTARCA
É certo que não é uma meia-maratona ao nível das Pontes, mas mesmo assim teve mais de 2000 atletas na meia-maratona e outros 1000 na corrida de 10 kms. A Xistarca podia ter elevado um pouco o nível. Houve água com fartura, mas bebida isotónica durante a corrida nem sinal, mas o pior foi a falta de abastecimentos sólidos. Nem fruta, nem gel, marmelada, nada. E no final só uma maçã e mais uma garrafa de água. E aquela medalha, senhores? Não havia mais rasca e mais barata??

sábado, 7 de dezembro de 2013

E vão 3000 kms!

Eis que um gajo se distraí um bocadinho e quando vai ver já passou os 3000 kms! E, como se sabe, eu sou o gajo das estatísticas, por isso gosto de assinalar estes momentos marcantes. Nunca é demais recordar que a minha contabilidade começou a 27 de Março de 2011, há menos de três anos portanto.

13 de Junho de 2012
14 de Março de 2013
24 de Novembro de 2013
É interessante verificar que o espaçamento entre cada 1000 kms anda a diminuir cada vez mais. Se dos 0 aos 1000 demorei 444 dias, dos 1000 aos 2000 levei apenas 275 dias. Já dos 2000 aos 3000 passaram-se apenas 255. A marca dos 3000 kms foi atingida a 24 de Novembro de 2013, num fantástico treino de BTT em Monsanto.
A contagem de treinos também mostra uma evolução interessante. Fiz 116 nestes últimos 1000 kms, mas apenas 92 contam para a quilometragem, sendo os restantes em actividades indoor, com uma média de 10,9 kms por treino.
Vamos então à evolução por modalidade

13 de Junho de 2012
14 de Março de 2013
24 de Novembro de 2013

13 de Junho de 2012
14 de Março de 2013
24 de Novembro de 2013

 O ciclismo de estrada esteve praticamente posto de lado nestes seis meses que se passaram. Os treinos longos e a preferência pelo BTT assim o ditaram. Ainda assim são apenas 311 kms feitos nestes últimos 1000 kms, ao contrário dos 800 (0-1000 kms) e 430 (1000-2000 kms ).
Situação que terá de mudar daqui para a frente.

13 de Junho de 2012
14 de Março de 2013
24 de Novembro de 2013
A corrida, como seria de esperar, é ocupa a grande fatia, com 659 kms dentro destes 1000 kms. A evolução é notória. 186 kms (0-1000 kms) e 567 kms (1000-2000 kms). Os treinos longos para a Maratona e a Maratona em si ajudaram, e muito, a chegar a esta marca.


24 de Novembro de 2013
A natação é uma nova introdução a esta contagem. Os treinos para o triatlo exigem que me faça à piscina e tenho vindo a evoluir de uma forma satisfatória. Os quilómetros não são muitos, é verdade, mas contam na mesma.

Sendo assim, estes últimos 1000 kms dividem-se da seguinte forma
659 kms - Corrida
311 kms - Bicicleta (Ciclismo/BTT)
34 kms - Natação

A contagem a caminho dos 4000 kms já começou - já vou em 3041 - e com a preparação para os triatlos do próximo ano estimo que vá chegar a essa marca depressa. Será que vou demorar menos de 255 dias? A ver vamos!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O Treino do PiPiPi...

Tal como a Sofia disse, na passada sexta feira estreei o meu brinquedo novo - o Garmin Forerunner 610.

Foi uma estreia atribulada, e que só agora tenho um tempinho para contar. É que isto cá por casa não tem sido fácil: fim de semana com 5 (sim, c-i-n-c-o) festas de anos, seguidos de 2 dias de um curso intensivo na Univ. Católica, com 2 noites em claro pelo meio - já que dois dentes do meu puto decidiram saltar cá para fora - com febre e ranhoca q.b..

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

VIII GRANDE PREMIO NA ARRABIDA 2013 - LEBRES A CORRER E CHOCO FRITO PARA COMER


(texto escrito por Pedro T. e Zémi M.)


Arrábida, de Al-Ribat: local de oração

Correr na nesta serra era um sonho, uma vez que as Matas desta são únicas, e “constituem um dos últimos vestígios de uma floresta pré-glaciária do sul da Europa”, combinando elementos atlânticos num ambiente mediterrânico. Nesta serra sagrada o Carrasco (Quercus Coccifera) é Rei.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Eu e as camisolas!


Ontem tive de fazer uma coisa que já andava para ser feita há algumas semanas: arrumar a gaveta das t-shirts de corrida. Aproveitando uma remessa delas que tinham chegado directamente do estendal, tirei todas as outras da gaveta e toca de dobrá-las como deve ser para ver se cabiam lá todas - coisa que já estava a tornar-se difícil.

E foi então que constatei a imensidão de t-shirts de corrida que já tenho. São 16 !! Umas compradas por mim, todas numa fase inicial, e as restantes de ofertas nas provas em que vou participando. Ora, sendo verdade que não participo em muitas provas - 3 ou 4 por ano - só consigo imaginar a confusão de gaveta daqueles que fazem duas ou três corridas por mês!

Cá por mim gosto das t-shirts. Acho que são óptimas recordações. Mas em época de restrições financeiras, não seria de algumas organizações ponderarem eliminar estes brindes reflectindo depois numa baixa de preços nas inscrições?

Bem... até que isso aconteça, vou acumulando. Este ano espero ainda receber duas...

Legenda:
1 - Team JRR
2 - Meia-Maratona Lisboa 2013
3 - Maratona Lisboa 2013
4 - Corrida Sporting 2012
5 - Treino Sport Zone
6 - Team JRR
7 - Treino Asics
8 - Maratona Lisboa por Estafetas 2012
9 -Treino Decathlon
10 - Team SSCGD
11 - GP Olival Basto 2012
12 - Corrida Luzia Dias Lumiar 2012
13 - Corrida D.Dinis, Odivelas, 2011
14 - Treino Decathlon
15 - Treino Decathlon
16 - Treino Asics

Pessoalmente as que mais gosto, a nível de textura, absorção/libertação de suor, são as da Asics. São muito suaves e quase não pesam mesmo com muita transpiração. As da Adidas, oferecidas na Meia e Maratona de Lisboa, também não são más. As Makito, oferecidas pela Xistarca e iguais às do Team JRR, também não são más, mas têm tendência para colar à pele quando se transpira muito, o que é o meu caso. A t-shirt do Team SSCGD, da More Mile, também tem uma qualidade muito acima da média. As da Decathlon e da Sport Zone são as mais fracas, mas pelo preço não seria de esperar muito delas.

domingo, 24 de novembro de 2013

Monsanto power!

Eram 6h30m quando o despertador tocou. Lá fora ainda estava escuro e o "termómetro" do computador indicava que estavam 5º lá fora. "Já apanhei pior", pensei e comecei a preparar-me para mais uma manhã de BTT. O destino seria Monsanto.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Volta ao Palácio de Mafra - O meu primeiro (mini) Trail(ho)


Ah, a minha paixão platónica por trails...como eu desejava correr pela floresta, com javalis e veados (?!!?!?!?), ao som dos passarinhos, com as folhas secas a amortecerem as minhas passadas, o perfume da terra húmida a invadir-me as narinas e a purificar os pulmões... quiçá ao som de uma melodia celta tocada em gaita de foles...uma visão romântica desfeita à primeira experiência.

Qual a semelhança entre aprender a tocar gaita de foles e fazer o primeiro trail? A minha primeira aula de Gaita foi uma enorme tortura, onde fiz um esforço enorme no braço e nas costas para que saísse um som parecido a algo entre uma longa flatulência (desculpem senhoras, mas é a melhor comparação) e o som de um gato a ser torturado. E no final ia perdendo os sentidos de tanto soprar e inspirar... Bom, o meu primeiro trail também foi mais ou menos assim, vejamos, desde o inicio:

Tinha combinado fazer uma corrida com um amigo de outras anDanças, que não estando habituado a correr, pratica outros desportos e se encontra em melhor forma do que eu. Por desencontros de calendário só foi possivel marcar esta prova. Era uma corrida de 10 kms, que como a organização descreve "A escolha do percurso garante uma baixa exigência física o que permite que todos possam participar neste evento." Cheirava-me a 10 kms a trote numa estrada de terra batida pelos jardins à volta do Palácio.


Mas tinha que ser na manhã mais fria do ano? Estavam 8ºC quando chegámos ao palácio de Mafra e rapidamente começámos o aquecimento. Dispensámos o briefing inicial para continuar a aquecer...

Depois de levantar os dorsais, perdão as pulseiras e fomos para a partida. Neste campo a organização esteve impecável. Entretanto começo a reparar na quantidade de corredores à minha volta com ténis de trail, mas ténis bem gastos, de corredores bem experientes... mas afinal o que será que me esperava?

(Retrato do artista ainda com um conceito platónico dos Trails)

Partida...o Jardim do Cerco tinha o portão meio aberto, criando um entupimento imediato de corredores logo na partida. O Tiago diz-me para marcar o ritmo no início, Subimos pelo jardim, e entramos na tapada, saímos da estrada de terra batida para trilhos na montanha. Descemos por um vale, passamos por uma fossa para javalis, corro atrás do Tiago...

Neste cenário florestal vou aprendendo a fintar as silvas dos joelhos e os ramos da testa, e rapidamente aprendo que temos sempre que ter atenção onde pomos os pés. As estradas de terra batida facilmente criam regos com a água das chuvas propicias a entorses. Mas não acaba aqui: os caminhos/trilhos estão minadas: desvia de bosta de veado à esquerda. Salta por cima de monte de poia de javali à direita.

 Primeiro km em 5:35, o segundo a 4:51 e o terceiro a 4:33. Tudo ia bem.

Subidas a minha paixão... aquela sensação de que o peito está prestes a rebentar e a explodir e depois de a acabar sentir a ressurreição, a absolvição.

Bom primeira subida, primeiras vitimas...vejo primeiros corredores a começarem a andar e o Tiago a ir-se embora.

Segunda subida...morro, ressuscito...ultrapasso alguns corredores... terceira subida muito estreita serpenteando pela serra, morro, ressuscito...salto um riacho, atravesso uma ponte de madeira por baixo de uns sobreiro... sigo atrás de uma senhora... Reparo que à cerca de 10 minutos que olho incessantemente para os calcanhares dela, tal a necessidade de prestar atenção onde se põe os pés, por esta altura já deixei de ligar às silvas nas pernas e aos ramos a esbofetear-me a cara.

Segue-se um troço largo em terra batida, onde recupero a respiração, e de uma longuíssima subida (a 4ª) em lama e pedras onde não paro de correr mas reparo a meio caminho que estou a correr à mesma velocidade do pessoal que vai a andar... morro, morro...

Enfim, com grande esforço e sem fôlego chego ao topo... paro, respiro fundo e vejo um jipe do exército parado no cruzamento a fazer apoio à corrida... a sorrir pergunto-lhes se me dão boleia - a sorrir me respondem que "não". Pergunto "Já não existem mais subidas pois não?" - Mais uma vez sorriem, e apontam para a minha esquerda...

NÃAAAAAAAAAAAAAO!!!

O desespero toma conta de mim. Ergue-se à minha frente uma subida a 60%-70% de inclinação, que ninguém a faz a correr. Apercebo-me que nos próximos dias vão me doer tanto os músculos das pernas. Tinha acabado de subir quase 300 metros em 3 quilómetros.

 No topo finalmente recebo um pequeno prémio... uma bancada com alimentos e bebidas. E é lá que encontro um colega da caixa o Pedro Luzia, que me apanhou mesmo tendo partido 5 minutos atrasado. 2 minutos de conversa...sim porque nos trails, pelos vistos, os abastecimentos são para ser apreciados.

Pergunto à sra da bancada da laranjada se há mais subidas...sorri-me e responde-me que não. Alivio. Recomeçamos a correr, recomeçamos a subir… Bolas! Pouco tempo depois começam as descidas. Se em estrada nas descidas podemos relaxadamente alargar a passada, neste tipo de terreno temos que estar sempre atentos onde pomos os pés.

Pouco a pouco, os trilhos transformam-se em estradão, o estradão em macadame e finalmente o macadame em estrada… alargo a passada, acelero… sinto-me liberto daquela necessidade constante de ver onde estou a pisar.

Contorno o palácio e entro… uma sensação de vitória começa-se a apoderar de mim:

Sobrevivi  ao frio, a silvas e ramos,

Sobrevivi a poças de lama e a montes de bosta,

Venci montanhas,

Trepei subidas sem parar de correr, e descidas perigosas,

Cavalguei por vales e por fim o rei recebe-me no piso marmóreo do palácio…

Piso o degrau de acesso a um jardim interior, perco o contacto com o chão… rebolo na relva…

...as raparigas que me acompanhavam na altura oferecem-se logo para ver se está tudo bem… enfim, sobrevivo a tudo isto e no final dou um tralho no mármore… o mármore esse piso  traiçoeiro... o mármore malandro... completamente ridículo.

NOTA:  Primeira lição sobre tralhos - Cair sempre ao lado de raparigas.
Segunda lição sobre tralhos – Levantar sempre com ar de dignidade.
Terceira lição sobre tralhos - ... ainda não sei, mas há de haver certamente.

O fim da prova é uma recepção, com animação de época, à base de biscoitos, água, sumos e principalmente chá. Nunca me soube tão bem, no final de uma prova, um chá simples… quente. Organização impecável.

(Era só uma corridita não era? e foram só 9,5 kms)

À noite revejo a prova, sinto como se me tivessem deixado na tapada e durante 50 minutos, que passaram como se fossem 5, como se tivesse corrido simplesmente para tentar sobreviver, como se tivesse sido electrocutado.
(finalmente a chegada das "nossas" caminhantes)

Antes de adormecer, fecho os olhos, e se no inicio só vejo trilhos e buracos à minha frente, depois acalmo e finalmente vêem à mente as imagens das paisagens  por onde passei.