quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Eu a correr Underground


Já tinha acontecido em Espanha e chegou agora a Portugal. Correr nos túneis do Metro. 10 quilómetros entre as estações de São Sebastião e Aeroporto. Ora aí está algo diferente e eu, que já nem tenho por hábito meter-me em grandes logísticas para eventos de 10 kms, tratei logo de ver como participar.
E lá consegui a minha vaga. Na madrugada de 12 para 13 de dezembro lá me apresentei, à 1h da manhã, no ponto de partida, juntamente com mais uma centenas de sortudos ansiosos por aquela aventura.

A primeira parte da coisa foi logística, mesmo. Tshirts obrigatórias, capacete obrigatório, nada de telemóveis, câmaras, chaves ou simples moedas. Nada disso podia entrar no túnel. Tudo ficou no bengaleiro e levei apenas um corta-vento de manga comprida, pois a noite estava frio. Arrepender-me-ia disso...

Partimos em grupos de 10 atletas, separados por 90 segundos, alinhados conforme o tempo previsto por cada um para percorrer os 10 quilómetros. O objectivo era evitar aglomerados, pois os túneis estavam recheados de obstáculos e armadilhas. Uma entorse ou uma queda pode estar à distância de uma simples distracção. No briefing entregue estava uma lista de perigos e também uma lista de coisas a NÃO MEXER!!! Havia também o aviso que podíamos pisar coisas inesperadas...

Correr seria difícil, avisaram-nos. Não havia muito espaço... Mentira. Assim que Nelson Évora deu o sinal foi vê-los desaparecer pelo túnel. E lá fui eu... a correr. E correu-se bem. Muito bem até. A coisa era simples. Entre as estações corríamos de lado, junto às paredes, onde se estende um passadiço ao longo de toda a linha. Bastava termos cuidado com alguns espaços entre as lajes e alguma placa na parede e a coisa fazia-se bem. Quando chegávamos à estação essa plataforma acabava e tínhamos de passar para o meio, para correr entre os carris. Aí sim, havia que transpor obstáculos, saltar um pouco de um lado para o outro. Mas de resto, tudo tranquilo. Fora o calor... Que calor estava lá por baixo. A correr com a tshirt obrigatória e o tal casaco fino, já me sentia a derreter. Em Chelas tive mesmo de parar, tirar capacete e despir-me, para levar o casaco à cintura.

O ambiente era fantástico. Muitos espanhóis, a maioria portugueses - claro -, mas com grande companheirismo. Não havia competição, não havia tempo, não havia recordes a bater, estávamos ali todos pela experiência. Porém, confesso que depois do Oriente já só queria acabar aquilo. Estava um calor que não se podia e a partir dali era a subir. Praticamente 3 kms de subida contínua que moía as pernas..

Finalmente a luz ao fundo do túnel. Estava ali a estação do Aeroporto.  Terminei esta aventura e está feita. Dificilmente voltarei a repeti-la. Muito boa.

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