quarta-feira, 29 de abril de 2015

Corrida da Liberdade - Das Flores e da Primavera


 
Eram 5:15 da manhã do dia 25 de Abril de 1974. A coluna que saiu de Santarém para fazer a revolução, mudar o governo correndo o risco de serem considerados como traidores à nação, composta por 25 veículos, entre chaimites e alguns tanques, chega ao Campo Grande e pára no cruzamento da Cidade Universitária.
E pára porque está sinal vermelho...
(a insubordinação mais bela do 25 de Abril – José Alves Costa, o cabo apontador que desobedeceu às ordens do brigadeiro Junqueira dos Reis para disparar sobre a coluna de Santarém)
 
Reparem, isto só em Portugal: Veem fazer uma revolução, de peito feito, contra tudo e contra todos mas param nos primeiros sinais vermelhos que encontram, numa Lisboa deserta. Não conseguem quebrar uma regrazinha, não vão levar uma multa ou atropelar algum gato. Somos mesmo bonzinhos
O capitão Salgueiro Maia, irritado com o ridículo da situação, manda avançar e dá ordem para não haver mais paragens até ao Terreiro do Paço.
 

Actualmente

 
 
No ano passado adorei esta corrida. Adorei porque... não sei bem explicar porquê mas vou tentar porque este ano foi a mesma coisa. É uma sensação libertadora a desorganização organizada da distribuição de dorsais. O ambiente festivo que se encontra em todas as faces das pessoas de todas as idades. A distribuição de Cravos, etc.
Mas também era o aniversário do Pedro Torrinha, que entrou oficialmente no seu 40º ano de vida (PARABÉNS!). Combinamos encontrarmo-nos secretamente no Posto de Comando do MFA... nós e pelos vistos mais 3.000 pessoas.
Às 10:30 da manhã em ponto a coluna de atletas recebeu guia de marcha na direcção dos Restauradores. Tinha começado a revolução.
A história da corrida é bastante simples. Começamos por dar uma voltinha na Pontinha... ah e por favor atletas masculinos deste país, nao utilizem fatos de licra com alças sem roupa interior por baixo. Sinceramente... praticamente a ver-se as nádegas e... coiso.
Se o grupo partiu todo junto, depois de corrermos em direcção a Carnide velho com algumas subidas pelo meio perdi o grupo todo, não tinha pedalada para eles e deixei-os ir. O pelotão subiu em direcção a Telheiras. Passando por Telheiras tivemos algum apoio popular, contornamos o Estádio Alvalade XXI com alguns canticos sobre "quem não saltar qualquer coisa lampião". Não saltei, tinha de correr.
Chegados ao Campo Grande, temos a aventura dos tuneis. Para baixo, para cima, para baixo, para cima...finalmente no último... Pára! Sinal Vermelho. Ah afinal, hoje não é preciso parar.
Depois foi só mais um esforço até ao Saldanha e a partir daí é sempre a descer. A descer e a acelerar primeiro rumo ao Marquês de Pombal e depois Avenida da Liberdade abaixo. De 4:52 ao km passamos para uns sempre agradáveis 4:15 ao km até à meta.
Passei pela tabuleta dos 10 kms aos 47:30 (seria novo record) e acabei a corrida aos 51:31, muito bom. No final apanhamos o metro para a Pontinha e tivemos direito a...
TORTA DE ANIVERSÁRIO!!! E CANTÁMOS OS PARABENS!!! PARABÉNS PEDRO!!!

E agora uma coisa completamente diferente - Floralias

 
 
Isto do dia da Liberdade e dia dos cravos e da primavera de Abril fez-me lembrar outra coisa.
Começaria ontem o festival das Floralias, uma celebração romana dedicada à Deusa Flora "mãe das flores", "deidade amiga" e "deusa jovial" entre 28 de Abril e até 3 de Maio. Num dos ritos, o Florifertum, levavam espigas de trigo para um sacrarium ou templo. Uma celebração da libertação dos grilhões do inverno e das alegrias da primavera.
Em Portugal ainda subsistem algumas tradições relacionadas com a celebração da primavera
 
A celebração das Maias, ou do Maio Moço por exemplo. A Maia é uma boneca de palha, em torno do qual havia danças toda a noite do primeiro dia de Maio. Por vezes, elegiam a rapariga mais bonita e de vestido branco coroada com flores, a Rainha do Maio, sentada num trono florido era venerada, todo o dia, com danças e cantares.
 Em algumas zonas do norte do país era costume também as meninas adornarem um menino com flores que dizem representar o “Maio-Moço” e passeiam-no pelas ruas com grande ruído alegre, cantando e bailando em volta dele. É engraçado que aqui as raparigas quebram as regras estabelecidas e tomam a iniciativa no jogo amoroso. São elas que decidem.


Esta festa, chegou a ser proibida, como aconteceu em Lisboa no ano de 1402, por Carta Régia de 14 de Agosto, onde se determinava aos Juízes e à Câmara "que impusessem as maiores penalidades a quem cantasse Maias ou Janeiras e outras coisas contra a lei de Deus...", mas ainda assim as pessoas quebravam as leis.
Hoje em dia ainda é possível observar em algumas zonas do nosso país, a colocação de ramos de giestas em flor, ou até mesmo coroas feitas de ramos de giestas, conjuntamente com outras flores e enfeites coloridos, nas portas e janelas das casas ou nos automóveis, na noite de 30 de Abril para 1 de Maio.
 

Por outro lado, temos a quinta-feira da espiga, que ocorre no dia da Quinta-feira da Ascensão com um passeio matinal, em que se colhe espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga. Lembram-se do Florifertum?
O que é que isto tem a ver com o 25 de Abril? Lembrem-se que que a Primavera surgir é preciso ter força e coragem para quebrar as regras que nos prendem nas trevas do Inverno, porque  para viver a vida plenamente não podemos ficar uma vida enredados pelos nossos medos.
Bom tudo isto, para vos aconselhar a sair e correr (ou dançar) por campos e montes floridos, eleger o vosso Maio Moço ou a Rainha do Maio e, dado que todos nós somos parte da natureza, festejem a Primavera que há dentro e fora de nós.

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